Os tecidos do período muçulmano
O período muçulmano vai do século IX ao XIV e pode identificar-se com o da expansão árabe no Mediterrâneo e do consequente domínio sobre a Espanha e a Sicília, países que se distinguiram também por importantes produções têxteis.
A arte muçulmana, preocupa-se sobretudo com o efeito ornamental através do uso de dois meios: a repetição do motivo decorativo e a acumulação de pormenores cada vez mais pequenos; deste modo, a forma essencial do motivo é dissimulada e confunde-se com a decoração.
No que respeita ao estilo da produção têxtil deste período, é determinante a sua distinção em oriental e ocidental e a consideração das influências culturais relativas aos diferentes centros de produção
TECIDOS PERSAS E SASSÂNIDAS
Período - séc. IX-XIV
Descrição
Flores, animais e personagens enriquecidos com ornamentos e acessórios a ponto de dissimular a verdadeira forma anatómica, posições imóveis, hieráticas, não desprovidas de um certo realismo, tudo sobre fundos lisos, em composições claras e bem legíveis. Quatro são as estruturas compositivas: em rodas, em filas horizontais, em losangos, em arvorezinhas.
Técnica
Tafetá, sarja, cetim, velluto.
Origem
Uma arte requintada, uma sociedade amante da opulência, uma intensa atividade comercial e relações pacíficas com o mundo conhecido.
ESPANHA
Período de 900 A 1500
Descrição
Decoração organizada em grandes círculos ou malhas tangentes e em sequências horizontais de elementos claramente comparáveis aos existentes na arquitetura. Características específicas são a presença de escritas árabes, de árvores em palmeta e de um rico bestiário com um significado simbólico próprio. As cores são muito vivas e contrastantes, o desenho sobressai particularmente pelo uso de contornos escuros.
Técnica Samitos-Taquetés lavrados-Lampas-
Origem
A coexistência de duas culturas: a autóctone, que na origem é a dos godos, e a dos conquistadores que, em Córdova, instalam o primeiro califado omíada, com tradições culturais de origem persa.
INÍCIO E LOCALIZAÇÃO DA TECELAGEM ITALIANA
Dos três principais centros têxteis italianos: Sicília, Luca e Veneza, documentamos aqui apenas os dois primeiros, cuja duração relativamente breve no tempo não levanta problemas para uma sua documentação sintética.
Para Veneza, cuja produção durou até ao século XVIII, remete-se para a documentação do Período italiano, recordando que o poder económico e comercial da Sereníssima foi a primeira causa determinante de tão longo sucesso.
SICÍLIA Período 900-1300
Descrição Em tudo semelhante à dos tecidos hispano-mouriscos, com características de maior nitidez, suavidade e equilíbrio compositivo. Na decoração aparecem os símbolos cristãos e heráldicos, a flora e a fauna assumem um aspeto mais realista, menos hierático.
Técnica Aparecem os lampas, derivados dos samitos, que por sua vez darão origem aos diaspros.
Origem
A sucessão de diferentes dominações, a árabe e a normanda entre as mais influentes, e as influências das suas culturas. Isto diz respeito a um arco de tempo que vai de 820, ano em que os árabes atacam a Sicília, e chega a 1282, ano em que as Vésperas Sicilianas provocam o êxodo dos tecelões de Palermo para o Norte LUCA
Período Inícios de 1300-primeira metade de 1400
Descrição
Em tudo semelhante à da chinoiserie, com uma interpretação ocidental cada vez maior, predomínio do elemento floral e inserção de motivos heráldicos.
Técnica
Samitos e lampas.
Origem
O poder económico e mercantil de Luca, organizado de modo pré-industrial, presente em toda a Europa e em estreita colaboração com a República marítima de Pisa, bem como o acolhimento dos tecelões sicilianos aquando do seu êxodo e a proximidade de Florença, à qual transmitiu a sua herança. CHINOISERIE Período Inícios de 1300-primeiro quartel de 1400
Descrição
Num contexto floral, pluralidade e fusão de simbologias cristãs, como o pelicano, e chinesas, por exemplo o “chi”, o “luen” ou o papagaio, com paginação do desenho de movimento ondulante ou especular ou diagonal, e também em malhas ovais.
Técnica Lampas de fundo tafetá, de fundo sarja, de fundo cetim.
Origem Primeiros contactos culturais e comerciais com o Extremo Oriente, ligados às viagens de Marco Polo. Interesse por um país desconhecido, do qual se dá uma interpretação predominantemente ocidental.
TECIDOS FIGURADOS
Período Fim de 1300-inícios de 1500
Descrição
Representações da vida de Cristo e da Virgem enquadradas em retângulos, de modo a poderem ser utilizadas como cercaduras decorativas em paramentos eclesiásticos. Muitas vezes cópias de quadros famosos.
Técnica Lampas Origem
Diversificação da produção tradicional ligada à grande especialização técnica dos artesãos e às encomendas religiosas.