Bruno BalestriniFotógrafo
Bruno Balestrini/ Cidades italianas/ Milão
Voltar a Cidades italianas
Milão

Milão

fotografias de B. Balestrini

MILÃO, em francês Milan, em alemão Mailand, e em latim Mediolanum, cidade capital do reino Lombardo-Véneto, sede do governo da província do seu nome e de 4 distritos, a 50 léguas O. N.O. de Veneza, 140 léguas O.S.O. de Viena, 110 léguas N. E. de Roma e 160 léguas S. E. de Paris. Latitude N. 45° 28’ 2”; longitude E. 6° 51’ 16”. A sua maior elevação acima do nível do mar calcula-se em 135 metros. Da porta Nuova, a mais elevada, à porta Romana, a mais baixa, há 8,466 metros de diferença. Está situada numa planície fértil e risonha, rodeada a alguma distância por amenas, férteis e deliciosas colinas, e suavemente inclinada de norte para sul, na margem esquerda do Olona, ao qual se unem neste lugar o Naviglio-Grande, que vem do Ticino, o canal Martesana, que deriva do Adda e que rodeia a maior parte da cidade propriamente dita, e por fim o canal de Pavia. Milão é residência do vice-rei, de um governador, de um comando militar geral para as províncias lombardas, e sede de um arcebispado, do qual dependem 8 bispados, de um tribunal de apelação, de um tribunal civil, de um de comércio, de uma comissão central e de um instituto imperial e real de ciências e artes, subdividido nas três secções de Veneza, Pádua e Verona, de uma academia de belas-artes, etc. Esta cidade tem a forma de um polígono irregular, cuja superfície é de 3 quil., 891 m., e o perímetro de 10 quil., 637 m. É cercada de muralhas com baluartes, exceto a N.O., desde o Portello del Castello até à porta Tanaglia, onde não há mais do que um simples muro de circunvalação; estas fortificações são, porém, demasiado fracas para servir de defesa. Tal circuito, que encerra os antigos arrabaldes, tem 12 portas, a saber, seis principais e seis menores. Entre as primeiras distinguem-se a Argentea, hoje chamada Orientale, e Renza por corrupção, que se diz antigamente em 1784, e construída em dois edifícios separados segundo os desenhos de Piermarini, não foi então concluída. Demolidos estes dois edifícios, estão agora a erguer-se no mesmo sítio dois grandiosos corpos, para uso de barreira, segundo o desenho de Vantini, natural de Brescia; a Romana, construída em 1598 para honrar a receção de Margarida de Áustria, destinada a esposa de Filipe III, monarca de Espanha e duque de Milão, toda em pedra e com belos lavores; a Ticinese, também chamada de Marengo, de construção recente e de arquitetura do marquês Cagnola, decorada por um majestoso pórtico ou calcídico arquitravado de ordem dórica, com colunas de extraordinário diâmetro, e decorada por um majestoso arco isolado, de magnífica construção. As outras portas maiores são: a Vercellina, desenho de Canonica, de 1805; a Comasina, construída em arenito e concluída em 1826, a expensas dos negociantes; e a Nuova, erguida em 1812 segundo os desenhos do professor Zanoja, também toda de arenito e de elegante ordem coríntia. As seis menores são as da Tonsa ou Tosa, Vigentina, Lodovica, Portello del Castello, o Arco da praça de armas, Tanaglia. A estas portas podem acrescentar-se dois outros acessos para os barcos do canal Naviglio, cujas águas, derivadas do Adda e do lago de Como, entram na cidade junto à porta Nuova, fazem nela o giro interior, servem ao movimento de vários moinhos e saem junto à porta Ticinese, unindo-se aí com as do outro Naviglio, provenientes do Ticino e do lago Maggiore, para depois voltarem em parte ao Ticino, abaixo de Pavia, e daí ao Pó. Estes canais, além do benefício da irrigação na planície adjacente e do da navegação felizmente continuada até ao mar Adriático, de onde as mercadorias chegam até à margem, constituem particularm. a comodidade e a riqueza da cidade, pela facílima comunicação com ela das terras vizinhas dos mesmos canais e dos montes e vales que rodeiam o lago de Como e o Maggiore, e pelo transporte dos seus produtos, que consistem em vinho, carvão, lenha para queimar e madeira de construção, materiais de construção de toda a espécie e principalmente blocos de mármore e granito, de que tantas belas e numerosíssimas colunas adornam esta cidade. Ela é construída em geral sem regularidade; a maior parte das ruas são estreitas e tortuosas, tendo apenas algumas uma largura razoável; todas, porém, mesmo as mais interiores, são bem pavimentadas e providas de duas largas fiadas de granito, distantes cerca de 3 pés uma da outra. Em cada rua, canais cobertos e subterrâneos recebem as chuvas, nos quais, por meio de tubos cobertos, escorrem também as dos telhados, eliminado o inconveniente dos pingos dos beirais, e estas águas, sem estagnar, lançam-se noutros canais maiores, igualmente subterrâneos, nos quais correm continuamente o Seveso, o Nirone, o Acqualunga e outras derivações dos canais maiores, destinadas à limpeza da cidade e à comodidade dos habitantes. As casas, geralmente bem construídas, têm de 3 a 5 pisos; muitas são belíssimas e merecem o nome de palácios, sendo digno de nota entre estes o vastíssimo e de grandiosa arquitetura da família Serbelloni, cuja fachada é imponente, magnífico o átrio interior e elegante o pátio, adornado de pórticos, destacando-se no meio da fachada uma belíssima peça arquitetónica com colunas isoladas, que forma uma majestosa loggia, decorada com um grande baixo-relevo de estuque, representando alguns acontecimentos históricos de Milão do tempo de Frederico Barba-Ruiva. Entre os outros edifícios públicos, monumentos principais, diversos ramos da administração e estabelecimentos civis, militares e judiciais espalhados pela cidade, distinguem-se: o palácio da I.R. corte, reconstruído no século passado sobre os restos do antigo palácio ducal, com fachada de ordem jónica moderna, desenho de Piermarini, com vasto pátio, magnífica escadaria, e adornado nos seus ricos e cómodos aposentos de belas pinturas, destacando-se sobretudo o grande salão de ordem coríntia, chamado das cariátides; o palácio Arquiepiscopal, dádiva dos duques Visconti, restaurado no fim do século XV, dividido em dois pátios separados, o mais magnífico dos quais foi construído por Pellegrini, de quem é também a fachada do palácio, da qual, todavia, só se executou o majestoso portal, e cuja conclusão se deveu ao já mencionado Piermarini; o palácio do I.R. Governo, cujo interior consiste num amplo quadrado arcado com colunas e duas belas e bem ornadas escadas, que conduzem a vários comodíssimos aposentos, os quais servem de residência ao governador e a diversos serviços pertencentes ao governo, com grande fachada adornada de uma loggia grandiosa; o palácio da I.R. Contabilidade, outrora Colégio Helvético, edifício de Fabio Mangone, cuja ideia São Carlos foi o primeiro a conceber para a educação dos seminaristas suíços; suprimido esse colégio pelo imperador José II, foi destinado a residência do governo de então: a sua arquitetura é belíssima, e este edifício não teme a comparação com qualquer monumento da antiguidade, quer pela pureza do estilo, quer pela imponente grandiosidade que nele domina; entra-se nele por dois pátios rodeados de pórticos com colunatas, que se unem por um dos seus três grandes vestíbulos, servindo os outros, um de entrada, e o terceiro de comunicação e acesso a uma grande sala: as amplas habitações, tanto do rés-do-chão como do piso superior, servem agora para os serviços da I.R. Direção-Geral da Contabilidade ali instalada; o palácio da I.R. Direção-Geral das Obras Públicas, Águas, Estradas e Edifícios, no lugar erigido por São Carlos para o seminário dos clérigos, e que se chamava a Canonica, depois destinado a vários outros usos, embelezado pelo governo anterior com uma nova e elegante fachada; a I.R. Imprensa, honroso e muito vantajoso estabelecimento, com número consid. de prelos, onde estão empregados mais de cem operários, além das pessoas adstritas aos serviços de administração, com fundição de caracteres escolhidos, litografia, calcografia, fábrica de papel, etc.; a I.R. Casa da Moeda, grandioso estabelecimento monetário, erigido em 1778, considerado um dos melhores existentes, tanto pela quantidade das máquinas que servem para o fabrico das moedas, como pelo ótimo sistema introduzido e pela escolha dos artífices e operários de todo o género, admirando-se nele todos os engenhos necessários à fundição e separação dos metais, o gabinete dos ensaios, uma sala para os gravadores dos cunhos, uma ampla e cómoda oficina para extrair os metais das terras pelo método da amalgamação, também ela provida de máquinas movidas a água, e um laboratório docimástico: o seu gabinete numismático foi transferido para Brera em 1817; o I.R. Instituto Geográfico-Militar, grandioso e utilíssimo estabelecimento erigido e protegido pela munificência soberana, no qual se vê uma rica coleção de mapas, cartas geográficas, instrumentos respetivos e uma seleta biblioteca; o Monte do reino Lombardo-Véneto, edifício de ordem jónica, desenho de Piermarini, erguido sobre as casas da antiga família Marliani, e aberto a 5 de setembro de 1753 com o nome de Monte Santa Teresa, depois reaberto em 1804 sob o de Administração dos Fundos da Dívida Pública, em julho de 1805 denominado Monte Napoleone, de 1814 até ao fim de 1821 provisoriamente chamado Monte do Estado, e que em janeiro de 1821 assumiu a denominação atual de Monte do reino Lombardo-Véneto; estão reunidos neste local vários serviços, a saber, os da prefeitura do Monte e da I.R. Comissão Liquidatária da Dívida Pública; a I.R. Direção-Geral do Censo reside numa parte do antigo edifício do colégio dos Jesuítas, adaptada para isso aos seus vários serviços, para os quais se dispuseram no piso superior vastíssimas galerias, com colunas isoladas, e grandes salas para a elaboração e reunião dos mapas, para os engenheiros geógrafos, e outras para uso de arquivo; o Dazio Grande e os serviços das I. R. Finanças e Tesouraria ocupam o majestoso e imponente palácio outrora de Tommaso Marini, na rua por isso chamada del Marino, com fachada composta de três ordens de arquitetura, e cujo interior, formado por pórticos com colunas, faz sobressair uma perfeita harmonia com o exterior, pela riqueza e profusão dos ornatos. Diversas e grandiosas salas no rés-do-chão, ornadas de boas pinturas, servem para a caixa do tesouro e das finanças, estando o piso superior destinado, como já esteve, a alojamento de príncipes; o palácio, outrora Clerici, é a sede dos tribunais civis de primeira instância, de apelação, de comércio e da Pretura urbana ou tribunal de conciliação. Os vários aposentos que o compõem forneceram todas as comodidades necessárias aos serviços de todos estes tribunais; o casino da sociedade nobre, na rua de San Giuseppe, ocupa um vasto edifício, que lhe serve de lugar de reunião desde dezembro de 1815, e cujo desenho é originalmente de Bramante, mas que o cav. Cagnola embelezou no interior com elegante e rica decoração. As salas são numerosas, mas a mais grandiosa é a que serve às grandes academias e à dança, todas, porém, adornadas de boas pinturas modernas; o magnífico palácio, erguido por Leonardo Spinola no ano de 1591, e que depois passou para a família Cusani, foi recentemente adquirido pela sociedade chamada del Giardino. O seu pátio é decoroso, e as partes que compõem este edifício são ricas, bem inteiras e grandiosas; os melhores artistas tomaram parte nos ornatos das salas, recentemente arranjadas, vendo-se unido ao edifício um jardim também ele reduzido a forma graciosa, com passeios, gruta, cascatas, etc. Passando pela rua chamada Isara e Marina, que da Porta Orientale leva à de Porta Nuova, apresenta-se um dos mais ricos e magníficos palácios arquitetónicos modernos, decorosamente adornado em todas as suas partes, erguido em 1790 pelo conde Lodovico di Belgioioso. O interior e o exterior anunciam a grandiosidade de quem o mandou construir, não menos que o bom gosto do seu arquiteto Leopoldo Polack, vienense. Está adornado de estátuas, baixos-relevos e pinturas a fresco. Merece também particular atenção o belíssimo jardim anexo, segundo o desenho do mesmo arquiteto, o qual, desde que foi dado em propriedade a S.A.R. o príncipe vice-rei, foi consid. ampliado com a união da horta que pertencia à chamada Canonica. Dos 5 arquivos, o notarial está na piazza dei Mercanti, o do Estado na rua della Sala, o arquivo diplomático encontra-se na Canonica, o da justiça junto à ponte di San Damiano, e o outro, o da guerra, na antiga igreja de San Carpoforo.......

......As praças em geral mal merecem tal nome e são antes pequenas; excetue-se, porém, a vasta praça de Armas, que se estende em largura 1,100 braços e em comprimento 1,000 braços, fechada por um muro de cinta, que separa a cidade dos campos e que serve de ameníssimo passeio; no lado S.E. desta praça e no limite das antigas muralhas, Galeazzo II, senhor de Milão, mandou erguer no ano de 1358 um castelo que tomou a denominação de Giove, da antiga porta Giovia, suprimida e incorporada na fortificação do próprio castelo, o qual, após a sua morte, foi demolido pelos cidadãos no ano de 1378. O seu sucessor e filho Giovanni Galeazzo mandou reconstruí-lo no mesmo lugar, muito mais forte, com altas muralhas e munido de fossos profundos, e este durou até à morte de Filippo Maria, último dos Visconti, isto é, até ao ano de 1447. Amotinada a cidade com o intento de se governar em rep., foi de novo arruinado e demolido pelo povo. Em 1450, tendo-se apoderado da cidade Francesco Sforza, marido de Bianca Maria Visconti, foi por ele, com o consentimento dos cidadãos, reconstruído pela terceira vez com maior amplitude e solidez, tendo sustentado em vários tempos longos cercos. Finalmente, em 1801, como se disse, foram derrubadas todas as fortificações exteriores e no seu lugar formou-se uma vastíssima praça chamada do Castello ou do Foro, e substituíram-se, no lugar das antigas muralhas, alamedas bem ordenadas para os passeios públicos, sombreadas por plantas exóticas e indígenas. Na extremidade da praça de Armas estão prestes a concluir-se os sublimes trabalhos do Arco do Triunfo, ordenado em 1804, mas começado em 1807, com o nome, então, de Arco del Sempione, todo de mármore e erguido desde os alicerces segundo o grandioso e bem concebido desenho do cav. marquês Luigi Cagnola; as vicissitudes políticas deixaram suspensos os trabalhos, mas, recomeçados estes por munificência da augusta majestade de Francisco I, este ordenou que fosse levada a cabo obra tão bela, aceitando-lhe a dedicatória com a inauguração como Arco della Pace. A N. do castelo derrubado construiu-se, sob o governo italiano, o chamado anfiteatro ou Arena, desenho de Canonica, um dos mais insignes edifícios feitos para aumentar o decoro e o esplendor da cidade de Milão, que carecia ainda de um monumento deste género. Este amplo e sumptuoso recinto, ao gosto ant., e de forma elíptica, tem 400 braços de comprimento e 200 de largura, e vê-se cingido por um muro altíssimo de pedra e rodeado, até certa altura, de cómodas bancadas, acima das quais há uma plataforma de largura suficiente, que oferece um passeio sombreado; pode conter quase 40,000 espectadores e serve de circo, de hipódromo e de naumaquia, havendo a comodidade de o encher com a água que corre em redor. No dia 17 de junho de 1807 deu-se nele o primeiro espetáculo. Sem falar das outras praças, limitar-nos-emos a citar a dos Mercanti, situada no centro da cidade, ladeada por alguns edifícios de origem antiga e outros de bela arquitetura, que teve primeiro o nome de praça dos Tribunais, por causa dos tribunais que ali existiam e agora transferidos para o palácio Clerici, e depois o de praça dei Mercanti, porque aqui os mercadores se reúnem quase numa espécie de Bolsa, tendo para esse fim sido formada uma sala no edifício com pórticos. Nesta praça têm a sua sede vários departamentos e serviços públicos, a saber, o Arquivo público notarial e a comissão central de beneficência, a caixa económica, a congregação central, a repartição das hipotecas, a câmara de comércio, a escola elementar maior normal, a direção-geral dos ginásios e a inspeção das escolas elementares normais, a delegação do primeiro distrito de polícia e o grande corpo de guarda militar. - Para o exercício do culto católico há em Milão 24 paróquias, com várias outras igrejas subsidiárias e oratórios, reduzidas a apenas 71 depois das supressões ocorridas, ao passo que em meados do século XVIII ultrapassavam o número de 230. Entre os mais célebres e afamados edifícios de Itália, Milão gaba-se da sua catedral, depois da de São Pedro em Roma, constante objeto de universal admiração pela mole gigantesca e singularidade do desenho, de construção gótica ousada e bizarra, surpreendente pela magnificência e riqueza, notável pela leveza das massas piramidais, pela multiplicidade das estátuas, esculturas e baixos-relevos que a adornam em todas as partes, tanto dentro como fora. Este templo, todo construído em mármore branco extraído do monte Candoglia, diz-se que ocupa o lugar de um famoso templo de Minerva; teve início no ano de 1386, a 15 de março, mas, não agradando a Giovanni Galeazzo Visconti esta sua primeira construção, ordenou que se lhe desse uma nova e mais grandiosa forma, no ano de 1387. Foi concluído por ordem de Napoleão, que nele se fez coroar rei de Itália. Os arquitetos que tiveram a direção desta obra, começando nessa época por Marco da Campione, diz-se que foram 183. A forma interior é a de uma cruz latina, orientada de E. para O., e dividida em 5 naves, das quais a do meio tem o dobro da largura das outras; 52 grossos pilares de mármore quase octogonais, da altura de 41 braços, dividem estas naves e sustentam as abóbadas góticas, e 4 outros mais grossos sustentam a cúpula do centro da igreja. O seu comprimento é de 147 m. 55 c.; a maior largura de 86 m. 86 c., e a altura da grande cúpula de 66 m. 63 c., de modo que, acrescentando-lhe a grande agulha de estilo mourisco e a estátua de cobre dourado da Virgem, a elevação total deste soberbo edifício ascende a 108 m. 86. À esquerda, ao entrar, vê-se o belo batistério em forma de tabernáculo isolado, formado por uma grande urna de pórfiro, proveniente, sem dúvida, de algum antigo banho romano, que serviu de depósito aos sagrados despojos de São Dionísio, bispo de Milão, com outros santos mártires, e que por São Carlos foi destinada a conservar a água batismal para nela se imergir a cabeça das crianças, segundo o rito ambrosiano ali professado; as colunas que o rodeiam são de mármore antigo e os capitéis de bronze admiravelmente lavrados. Os altares e as capelas são de mármores de cores diversas, e vê-se o todo adornado de baixos-relevos de todo o género, pinturas apreciadas e marfins finíssimos e requintados. Distingue-se a estátua em mármore branco de Martinho V, a preciosíssima de São Bartolomeu, obra de Marco Agrati, que representou este santo esfolado e levando a sua pele às costas; o magnífico monumento sepulcral de Gio. Giacomo Medici, tio de São Carlos; o de mármore negro do cardeal Marino Caracciolo, governador de Milão; o túmulo de Ottone Visconti, chamado o Magno, e de Giovanni, tio e sobrinho, arcebispos e senhores de Milão; o mausoléu com três bustos representando os arcebispos Giovanni, Guido e Gio. Francesco Arcimbaldi, além de tantos outros monumentos, sepulcros, lápides, etc. É digna sobretudo de minuciosa observação a capela subterrânea onde repousa o corpo de São Carlos, de forma octogonal, com a abóbada coberta de baixos-relevos, troféus e ornamentos em alto relevo de chapa de prata, que recordam os acontecimentos mais notáveis da vida do santo, e oito cariátides nos ângulos, também de grossa chapa de prata, representando as suas virtudes. Em 1817 mudou-se e renovou-se o aspeto deste lugar com novo desenho do arquiteto Pestagalli, que o tornou mais elegante e magnífico. Sobre o altar assenta o sarcófago que contém os restos mortais do santo arcebispo em hábito pontifical, enriquecido de joias. O sarcófago é composto de raríssimos cristais de rocha, engastados em prata, dádiva de Filipe IV, rei das Espanhas, cujas armas nele se veem apostas em ouro maciço. Uma grande janela horizontal, aberta no pavimento da igreja, ilumina o subterrâneo e permite aos fiéis assistir aos ofícios divinos que nele se celebram. Todas as pinturas que adornam este templo são dos primeiros mestres de Itália. Os vitrais, que representam diversos episódios históricos, acrescentam maior brilho à sua majestade, mas tornam-no um pouco escuro. O seu pavimento de mármore de cores diversas, feito em compartimentos com desenho engenhoso, está já concluído na nave grande e em parte nas laterais. É oportuno convidar os curiosos a observar a extraordinária quantidade das estátuas interiores e exteriores que adornam este sagrado edifício, sendo cerca de 3,000 as já colocadas, e devendo ascender a mais de 4,000 aproximadamente as que, de todos os tamanhos, hão de completar a igreja. No exterior, a profusão das colunas, das estátuas, dos entalhes, dos medalhões, dos baixos-relevos, dos lavores apreciados de toda a sorte, rivaliza com a magnificência do interior, podendo dizer-se francamente que tudo o que a escultura e a arquitetura têm de mais belo foi empregado no adorno da fachada deste templo, que tem cinco portas: as estátuas de mármore branco, colocadas sobre todo o edifício, e que parecem destacadas como outros tantos pontos, formam o mais imponente golpe de vista. As agulhas rematadas e embelezadas com estátuas e arabescos góticos são a esta hora cerca de 80, além das 24 menores, devendo ser ao todo 135 com a obra concluída. Junto à fachada é digna de observação uma grandiosa Meridiana, que atravessa inteiramente o templo, executada com diligência e suma exatidão sob a direção dos astrónomos do I.R. observatório de Brera. Entre as outras numerosas igrejas de Milão merecem menção particular a de Santa Maria presso San Celso, uma das mais notáveis pela sua arquitetura e das mais ricas pelas obras-primas da arte que a adornam, a qual teve início em 1491, por ordem de Gio. Galeazzo Maria Sforza, sobrinho de Ludovico, o Mouro, segundo o desenho de Bramante; a de San Lorenzo, que deve ser antiquíssima. Destruída pelo fogo em 1071, a antiga igreja foi reconstruída em forma mais pequena, e, arruinada também esta pelo tempo, São Carlos ordenou que se reconstruísse a hoje existente, segundo o desenho de Martino Bassi, e de ordem dórica, rica de esculturas, de pinturas apreciadas e de monumentos sepulcrais, entre os quais se distingue o antigo de Gala Placídia, filha de Teodósio, o Grande, e do seu marido Ataulfo: é também digno de nota o antiquíssimo mosaico que se diz mostrar Cristo disputando com os doutores; a de Sant'Ambrogio, uma das mais antigas e veneráveis basílicas da cidade, distinguida com o nome de Ambrosiana por ter sido edificada, em 387, por Santo Ambrósio, que nela celebrou os ofícios divinos e nela quis ser sepultado. Estava originalmente dividida em duas igrejas separadas por um muro com três portas, mas foram reunidas em 1507, formando-se uma só igreja, decorada por um átrio ou pátio retangular, com pórticos adornados de pinturas antigas. O interior está construído em três naves de arquitetura gótica, com magníficas capelas e pinturas apreciadas; a de Santa Maria della Passione, erguida em 1530 em forma de cruz latina, com cúpula altaneira, ricamente embelezada tanto no interior como no exterior. Está dividida em três naves, com outras tantas portas, e contém oito capelas de cada lado, e é talvez mais do que qualquer outra adornada de pinturas; a de Santo Stefano Maggiore, outrora colegiada e agora paroquial, cuja fundação é atribuída a São Martiniano, bispo, e antes chamada San Zaccaria. Devastada pelas chamas no século XI, foi depois refeita, não porém com a majestade da precedente, e foi denominada Santo Stefano al Broglio e alla Ruota. A igreja atual foi construída no tempo do arceb. Visconti, sucessor de São Carlos, e aperfeiçoada em 1596: o interior está dividido em três naves, com seis arcadas de cada lado, com capelas correspondentes, e um coro majestoso, tudo adornado de pinturas e de estátuas; a de San Paolo, igreja que restou do vasto mosteiro das Agostinianas, chamadas Angélicas, sob o título de São Paulo, com bela fachada, rica de ornamentos: a igreja é de uma só nave de ordem coríntia, sabiamente arquitetada e adornada de belas pinturas; a de San Nazzaro Grande, basílica edificada por volta de 382 em honra dos Santos Apóstolos, e depois chamada Nazariana pela cabeça de São Nazário para ela trasladada por Santo Ambrósio. Forma vestíbulo a esta igreja o grandioso edifício sepulcral com capela dedicada à Virgem da Assunção, construído em 1518 pelo marechal Gio. Giacomo Trivulzio, chamado o Magno, que em vida quis preparar para si a morada da morte.

A fachada deste vestíbulo é de figura quadrada, mas não concluída, ornada de pilastras, com três portas que dão acesso ao interior, de figura octogonal, simples e conveniente ao carácter do edifício, várias vezes restaurado e renovado com estátuas e pinturas; a de Sant'Alessandro in Zebedia, grandioso templo erguido, segundo a tradição, sobre as ruínas de uma prisão chamada Zebedia, construído, tal como atualmente se encontra, em 1602, em forma de cruz grega, com magnífica cúpula, espaçoso coro e cómodo presbitério: mencionada esta igreja só a partir do século XII, com o título de paroquial, foi entregue no XVI aos padres Barnabitas, os quais, suprimidos no fim do século XVIII, foram de novo restabelecidos, em 1825, na posse dela, com a atribuição de uma parte do antigo colégio. Está adornada de boas pinturas; e o seu altar-mor vê-se ornado de pedras duras estimadíssimas; a de Santa Maria presso San Satiro, erguida sobre os restos de um templo profano pelo duque Ludovico Sforza, dito o Mouro, segundo o desenho de Bramante, formada de três naves, adornada de bronzes dourados, esculturas, pinturas a fresco, estátuas, etc.; a de San Sebastiano, erigida por voto da cidade, por ocasião da peste do ano de 1576, com desenho de Pellegrini, que resultou uma das mais belas de Milão, com três portas que dão entrada ao interior, o qual corresponde à beleza exterior pela simplicidade e elegância; a de Sant'Eustorgio, contada entre as mais antigas de Milão e considerada um dos primeiros edifícios cristãos, de que alguns julgam fundador o próprio Santo Eustórgio, no século IV, tomando o seu nome depois de ter sido dedicada aos Santos Reis Magos. Nos primeiros tempos ficava bem longe da cidade, mas, sujeita depois às incursões e à devastação dos bárbaros, foi em várias épocas reedificada; no século XIII renovada e ampliada e, finalmente, reduzida a maior regularidade e decoro, tal como hoje se encontra, com três portas correspondentes às três naves do interior, adornado de belas capelas, estátuas, monumentos e pinturas; a de San Maurizio, dita o mosteiro maior, dedicada primeiro à B. V. e no século XII a São Maurício, situada, segundo alguns, no lugar onde estava o templo de Júpiter. O interior é de uma só nave, adornada de bons frescos. O mosteiro serve presentemente de abrigo a várias religiosas de diversos mosteiros suprimidos; a de San Vittore al Corpo, basílica de antiga fundação, que do nome de Pórcio, filho de Filipe Oldani, seu fundador, no ano de 114, tomou a denominação de Porciana, mas, tendo para ali sido trasladado, em 303, o corpo do mártir São Vítor, passou desde então a ser chamada pelo nome atual. Tendo-se a antiga igreja tornado ruinosa com o tempo, foi reparada, em 990, pelo arceb. abadia e, finalmente, em 1507, foi entregue aos padres Olivetanos, os quais ergueram a atual belíssima igreja em 1542, segundo o desenho de Galeazzo Alessi, perusino: o interior é feito em cruz latina, em três naves separadas por pilares com arcos, com belas capelas e com pinturas de mérito; a de Santa Maria delle Grazie, de arquitetura gótica, construída no lugar onde existiam os quartéis das milícias do duque Francesco I Sforza, que doou, em 1463, o terreno aos padres Dominicanos para ali construírem a igreja e o convento, juntando-lhe somas avultadas. Ludovico, o Mouro, em 1492, empreendeu ampliar esta igreja em forma de cruz latina, segundo os desenhos de Bramante, mas, pelas vicissitudes daquele, a obra ficou imperfeita, embora repleta de finos trabalhos de terracota, brasões, medalhas e emblemas. A fachada é simples, de arquitetura gótica, como o é o interior, feito em três naves, com grandiosa cúpula, amplo coro e capelas semicirculares nos lados, desenho de Bramante, tal como a magnífica sacristia e o claustro contíguo. Dignas de admiração são as belas obras a fresco e as pinturas apreciadas que adornam a igreja e as capelas, existindo ainda o resto da pintura da famosa Ceia de Leonardo da Vinci no refeitório do vasto mosteiro, que contém diversos pátios grandiosos e serve agora de uso militar; a de San Simpliciano, basílica de construção gótica e uma das quatro que antigamente existiam fora da cidade, e que se diz fundada por Santo Ambrósio, sob o título da B. V. Tendo ali sido sepultado, no ano de 400, São Simpliciano, tomou o nome deste santo: o interior da igreja é construído em três naves em forma de cruz latina, com cúpula, e está adornado de boas pinturas; a de Santa Maria Incoronata é formada por duas igrejas unidas entre si com fachada igual e simples, sendo de igual forma o seu interior, com dois presbitérios, há pouco tempo restaurado e embelezado. A primeira foi erigida em honra da Virgem Coroada em 1451, pelo duque Francesco Sforza Visconti, e a segunda 9 anos depois por Bianca Maria, sua mulher, que a dedicou a São Nicolau de Tolentino: está adornada de sepulcros e monumentos; a de Sant'Angelo, que servia outrora, com o anexo grandioso convento, aos padres Menores Observantes, é de construção imponente, com fachada de duas ordens, e o interior de uma só nave, que se alarga no presbitério. Embora sujeita a diversas vicissitudes, conservaram-se ainda muitos frescos preciosos e várias pinturas dignas de admiração; a de San Fedele é de belíssima arquitetura de Pellegrini, não tendo, porém, a fachada concluída. Os Jesuítas entraram na sua posse em 1569, mas, suprimidos em 1773, sucederam-lhes os rr. Cónegos da capela ducal de Santa Maria della Scala, cessados os quais, continuou a figurar no número das paróquias, conservando o título de capela ducal. Deste insigne edifício duas são as ordens arquitetónicas da sua bela fachada, e elegantíssimo e surpreendente o interior, composto apenas da ordem coríntia, com colunas apreciadas e com magnífica cúpula, respirando-se nele toda a grandiosidade e beleza. - Entre os estabelecimentos de beneficência, hospitais, orfanatos e outros lugares pios, Milão orgulha-se do hospital Maggiore com o Foppone, do hospital militar, da Senavra, ou hospital dos loucos, do hospital dos padres Fate-Bene-Fratelli e do das mulheres, do orfanato civil masculino e do das mulheres, do lugar pio dos expostos e das parturientes, do lugar pio Trivulzi, do pio instituto das freiras, do colégio das nobres viúvas, de duas pias casas de indústria, do monte de piedade, da caixa económica, da comissão central de beneficência, da companhia de seguros contra danos e do Lazzaretto. Merecendo, porém, alguns destes estabelecimentos alguma descrição, terá o primeiro lugar o hospital Maggiore, na rua do mesmo nome, majestosa e imponente construção situada entre as duas basílicas de Santo Stefano e de San Nazzaro grande. Deve-se este edifício à generosidade de Francesco Sforza IV, duque de Milão, e de sua mulher Bianca Maria Visconti, e à contribuição voluntária do povo milanês. Os referidos príncipes deram para esta obra pia um palácio seu e algumas casas e jardins vizinhos, e, tendo-se-lhe agregado os vários hospitais espalhados pela cidade e diocese, e reunidos igualmente os rendimentos dos mesmos, foi por isso chamado Maggiore. A sua fundação data de 12 de abril de 1456. Antonio Filarete, dito o Averulino, foi o arquiteto desta construção de arquitetura gótica, que forma um quadrado perfeito com pórticos inferiores e superiores. Possui nove pátios, um dos quais, o mais vasto, se encontra exatamente ao meio. A distribuição das alas cruzadas, que em cada lado têm 160 braças de comprimento e 16 de largura, apresenta a figura de uma cruz grega. Ao lado corre um emissário do Naviglio, que serve aos usos convenientes do hospital. Em 1797 foi dada conclusão à construção com a ereção de um lado em falta, para rodear os 4 pátios idealizados pelo arquiteto Francesco Richini. O engenheiro Castelli concebeu para ele um desenho de gosto simples e moderno, mas que não se harmoniza com o carácter daquele imponente edifício. Em frente da magnífica entrada da porta principal está a igreja, de boa forma. Não há parte relativa às necessidades do estabelecimento que não tenha sido disposta com ordem. A botica, as cozinhas, as despensas, os moinhos, os depósitos ou armazéns, as salas, os arquivos, os ofícios, os quartos para os sacerdotes, médicos, cirurgiões, amas, serventes, para as escolas, etc., tudo revela uma rara inteligência. Conservam-se os retratos dos pios benfeitores, que são expostos de dois em dois anos à vista pública no dia 25 de março. Esta construção mede de comprimento 450 braças milanesas e 170 de largura. O número de doentes é ordinariamente de 1,200, mas em alguns casos chega mesmo a 2,044.

As ciências e as artes, cultivadas com zelo nesta cidade, contam muitos estabelecimentos, academias, bibliotecas, liceus, ginásios, colégios, escolas, etc., contando-se entre eles o I.R. palácio das ciências e artes em Brera, o instituto de ciências, letras e artes, a Academia de belas-artes, a I.R. Pinacoteca, a I.R. Biblioteca, o Gabinete Numismático, o I.R. Observatório, a escola de gravura e outras escolas de belas-artes; a biblioteca Ambrosiana, o gabinete dos bronzes dourados, o I.R. conservatório de música, o seminário, o I.R. colégio Longone, o colégio Calchi-Taeggi, o I.R. colégio militar, o instituto dos surdos-mudos, o colégio della Guastalla, o I.R. colégio de San Filippo, o colégio da Visitação, dito de Santa Sofia, o liceu e ginásio de Sant'Alessandro, o ginásio comunal em Santa Marta, a I.R. escola elementar maior normal, a I.R. escola elementar feminina e a escola Veterinária. Não será inútil alguma descrição de alguns destes estabelecimentos científicos. O mais notável, tanto do ponto de vista da arquitetura como do do seu destino, é sem dúvida o I.R. conservatório de música, o seminário, o I.R. colégio Longone, o colégio Calchi-Taeggi, o I.R. colégio militar, o instituto dos surdos-mudos, o colégio della Guastalla, o I.R. colégio de San Filippo, o colégio da Visitação, dito de Santa Sofia, o liceu e ginásio de Sant'Alessandro, o ginásio comunal em Santa Marta, a I.R. escola elementar maior normal, a I.R. escola elementar feminina e a escola Veterinária. Não será inútil alguma descrição de alguns destes estabelecimentos científicos. O mais notável, tanto do ponto de vista da arquitetura como do do seu destino, é sem dúvida o I.R. palácio das ciências e artes em Brera, um dos mais grandiosos e imponentes de Milão, com bela fachada e com interior magnífico, sempre sede das escolas públicas e, sob o governo da imperatriz Maria Teresa e dos seus augustos sucessores, enriquecido de diversos ramos de ciências, sendo presentemente o conjunto e o centro dos mais célebres e elevados institutos de instrução pública. Ensina-se ali gramática, retórica, lógica, matemáticas, física, direito, história, botânica, química, anatomia, economia política, diplomacia, arquitetura, escultura, desenho, pintura e gravura. Estão estabelecidos neste palácio o I.R. Instituto de ciências, a I.R. Academia de Belas-Artes, a I.R. Pinacoteca, a I.R. Biblioteca, rica de edições raras e manuscritos, o I.R. Gabinete Numismático, o I.R. Observatório astronómico, a I.R. escola de gravura e as de desenho, pintura, arquitetura, escultura, ornato, perspetiva, anatomia, gessos e outros objetos de belas-artes. Há também um ginásio imperial com todas as suas escolas, e a ele se encontra unido um jardim botânico. Um dos mais grandiosos e apreciáveis estabelecimentos é a reunião das numerosas salas que compõem a I.R. Pinacoteca, depósito precioso em que se reuniram todos os quadros mais insignes das diversas igrejas e mosteiros suprimidos, e a que se juntaram também muitos quadros de altíssimo preço comprados pela munificência do governo italiano, sob o qual teve vida este raro depósito, adornado das obras insignes de Rafael, Guido Reni, Albano, Domenichino, Palma, Giorgione, Gentile Bellini, Mantegna, Francia, Cima, Ticiano, Paolo Veronese, Carpaccio, etc. Além dos quadros, encontram-se aqui também reunidos baixos-relevos, modelos de bustos e estátuas, desenhos de invenção e trabalhos premiados de gravura, gessos tirados dos melhores originais, bustos, vasos, candelabros, etc. A I.R. Biblioteca deve a sua origem à munificência da imperatriz Maria Teresa. Em 1763, a Congregação do Estado tinha feito a aquisição da célebre Livraria Pertusati, que, unida às outras duas de Brera e de San Fedele, foi colocada neste palácio das ciências e artes, em amplas e majestosas salas, em 1770. A benéfica soberana adquiriu grande porção da preciosa livraria do famoso Albrecht Haller; também os seus augustos sucessores rivalizaram em enriquecê-la de novos tesouros com obras escolhidas da biblioteca de Firmian, e outras ainda. A supressão das corporações religiosas acrescentou também novo e numeroso recheio de toda a espécie de livros, além das doações e dos numerosos legados; e se esta biblioteca não abunda em manuscritos e códices, como outras de Itália, sobressai, porém, nas obras das ciências exatas e em todas as mais dispendiosas e clássicas relativas às viagens e à história natural. O precioso estabelecimento do I.R. Gabinete Numismático teve início no ano de 1803 na Casa da Moeda, com a coleção dos cunhos e com as peças subtraídas à fundição e merecedoras de conservação. Foi constituído em gabinete real das medalhas, por decreto de 6 de maio de 1808, e enriquecido desde então com muitos outros museus. Compreende esta coleção a classe antiga e a moderna, com as respetivas ramificações, e está provida de uma rica e escolhida biblioteca da especialidade. Este gabinete foi transferido, por decreto soberano de 22 de janeiro de 1817, para o palácio das Ciências e Artes e aberto à comodidade do público. O I.R. Observatório astronómico foi erguido pelos Jesuítas, em 1766, segundo o desenho do célebre Boscovich. Este estabelecimento viu-se, desde aquele tempo, e muito mais em seguida, enriquecido dos mais preciosos instrumentos estrangeiros. Nas proximidades encontra-se a escola de gravura, instituída pela munificência austríaca sob Leopoldo II, e formada por uma longa sala, bem iluminada e otimamente disposta, adornada de um número considerável de estampas de autores clássicos. Entre os institutos liberais de que Milão se pode gabar, há a Biblioteca Ambrosiana, construída e dotada de fundos pelo cardeal Federico Borromeo, primo de São Carlos, e aberta ao uso público em 1609. Neste grandioso edifício, com fachada de ordem dórica, vê-se disposto em muitas salas um magnífico depósito geral das produções das artes e ciências de todos os países, vários objetos de história natural, peças de antiguidade e de escultura, pinturas, modelos, gessos, estátuas, bustos, trabalhos mecânicos, etc. Contém 140,000 volumes e 15,000 manuscritos preciosos, contando-se entre eles as antiguidades judaicas de Flávio Josefo, traduzidas em latim por Rufino, sobre um papiro egípcio; um Virgílio de Petrarca, com notas escritas pela sua mão e com iluminuras; o precioso volume de Leonardo da Vinci, dito o Código Atlântico, e outros ainda. Na última sala admiram-se várias produções muito apreciáveis do pincel e do lápis, distinguindo-se o raríssimo cartão original da Escola de Atenas pintada no Vaticano por Rafael, alguns quadros de primeiros autores e vários desenhos a pena de célebres artistas e mestres. A grandiosa residência canónica dos PP. Lateranenses, unida à igreja della Passione, foi pelo extinto governo itálico, em 1808, convertida num conservatório de música, onde jovens de um e de outro sexo, sob disciplinas oportuníssimas e o ensino de célebres mestres e professores, se instruem nas artes do canto, da execução instrumental e também da composição musical. Há ali 24 lugares gratuitos, 16 para os rapazes e 8 para as raparigas, além de lugares de pensão. Muitos alunos já se distinguiram nos teatros públicos pela singular capacidade e inteligente execução da música vocal e instrumental.

Milão possui sete teatros. O Grande, dito della Scala, porque erigido na área da antiga igreja de Santa Maria della Scala, é um dos maiores e mais magníficos da Europa, com arquitetura de Piermarini, aberto aos espetáculos públicos em 1778; e recentemente renovado e pintado, com duas amplas salas e muitos lugares cómodos. O I.R. Teatro della Canobiana, assim chamado por causa da antiga escola de dialética e filosofia moral que aqui perto existia, fundada por Paolo Canobio, foi executado segundo o desenho do outro, o da Scala, pelo mesmo arquiteto Piermarini, mas em forma mais pequena. A fachada é bela e regular, e o interior cómodo e bem decorado. Por meio de dois arcos, o teatro comunica com a I.R. corte. Foi aberto no verão de 1779. Sobre a já suprimida igreja de San Salvatore foi erigido o pequeno mas elegante teatro Re, que tomou o nome do proprietário, que o mandou construir não há muito com desenho do arquiteto cav. Canonica. Por estar no centro da cidade é muito frequentado o teatro Carcano, assim chamado pelo seu proprietário; foi erigido em 1805 com desenho do cav. Canonica, onde antigamente existiam a igreja e o mosteiro de San Lazzaro. É muito elegante e harmonioso, mas pouco frequentado pela sua distância do centro da cidade. Simplicíssima é a forma do teatro Lentasio, construído todo em madeira. Tem o nome de Lentasio por ter sido construído no sítio da igreja e mosteiro suprimidos, fundados por um arcediago desse apelido. Onde existiam a igreja e o mosteiro dos Santos Cosme e Damião ergue-se agora um elegantíssimo teatro de declamação, erigido por uma sociedade que tomou o nome de Accademia dei Filo-Drammatici, e que contém 800 pessoas sentadas. Antigamente eram dois os teatros de Marionetas, mas agora resta apenas o chamado Fiando, do nome do proprietário, vulgarmente chamado Girolamo. É elegante este peq. teatro, construído solidamente de alvenaria, com bela fachada adornada de baixos-relevos. Um dos teatros diurnos está estabelecido nos jardins públicos, e o outro, dito della Stadera, está situado ao longo do corso de Porta Orientale, defronte dos jardins. São ambos construídos em madeira. Entre as coisas dignas de ser vistas em Milão, observam-se as 16 colunas de mármore branco de ordem coríntia, compostas de quatro peças, cada uma com 10 diâmetros de altura, que se encontram ao longo do corso de Porta Ticinese e que formam o monumento mais grandioso das antiguidades desta cidade. Julga-se serem uma parte preciosa das Termas Hercúleas construídas por Maximiano Hercúleo; o corso de Porta Orientale, ladeado por vários palácios, o mais apreciado e frequentado passeio da população, onde se vê todos os dias uma quantidade de carruagens; os jardins públicos ficam ao lado do referido corso. Árvores, sebes, bosquetes, relvados, alamedas bem distribuídas, um circo que serve para os jogos de equitação e outros semelhantes, como de teatro diurno, com um carrossel e um café, tornam delicioso este lugar de recreio e deixam espaço para dispor e executar espetáculos populares que no verão são muito frequentados. Ordenou-se recentemente que se concluísse a parte em falta da fachada e se construísse um teatro diurno, utilizável também como circo de equitação; o arco della Pace forma o início da magnífica estrada do Simplon, uma das obras mais dispendiosas e difíceis que se empreenderam sob o extinto governo italiano. É digna de grande admiração, não menos pela sua amplitude e comodidade do que pela forma elegante com que foi executada. Os pontos de vista que se oferecem ao longo do seu percurso são admiráveis e dignos não menos da curiosidade dos viajantes do que do homem instruído. Merecem ser lembrados os Navigli, ou seja, canais navegáveis. O primeiro, dito Naviglio Grande, deriva do Ticino, que sai do lago Maggiore; o outro, dito della Martesana, sai do Adda, que é o emissário do lago de Como. A união destes dois navigli dá-se fora da porta Ticinese, junto às muralhas, ponto onde tem origem um terceiro canal, dito Naviglio di Pavia, alimentado com as águas dos outros dois. Milão contém, em matéria de fábricas e manufaturas, tudo quanto serve à necessidade, à comodidade e ao prazer da vida. As artes mecânicas são aqui louvavelmente cultivadas a par das liberais, e, se nas primeiras nem sempre se encontra o mérito da novidade ou da invenção, não lhes falta, porém, o valor de uma pronta e ponderada imitação, observando-se nelas muitas vezes até um certo aperfeiçoamento do bom gosto. Consideráveis são as fábr. de tecidos de seda de todo o género e com ouro e prata, fitas e nastros, veludos, tapeçarias, damascos, véus de crepe, tules, gazes, artigos de moda, xailes, tecidos de algodão e telas, meias de malha feitas em tear, casimiras, malhas, trabalhos em ouro e prata, bronzes dourados e envernizados, miudezas, adornos de esmaltes, relógios e pêndulas, candelabros, candeeiros e refletores de vários feitios, instrumentos de matemática, física e cirurgia, armas, objetos de ferro e aço, ácido sulfúrico e chumbo granulado, sabão, carruagens, chapéus de pelúcia e de feltro impermeáveis, louças, majólicas, vidros, cristais, papel, espelhos, etc. Contam-se também grandes curtumes onde se trabalha o couro à moda da Rússia e se fazem marroquins apreciados, quatro refinarias de açúcar, uma de salitre, purificações de cera, fábricas de pólvora, de tabaco por conta do governo e de afamado chocolate. Contam-se ali livrarias, muitas tipografias e fundições, objeto também de um vivo com., e aperfeiçoa-se cada vez mais a litografia introduzida. Uma bela e elegante manufatura é a de flores e frutos perfeitamente imitados ao natural, de animais preparados e de outros objetos de física e história natural. Distinguem-se muitos entalhadores, douradores e envernizadores, pelo bom gosto de invenção e perfeição de arte, merecendo também ser lembrados os marceneiros, que igualam com as suas obras os móveis mais acreditados que entram do estrangeiro. Algumas destas fábricas são privilegiadas e premiadas com medalhas de ouro e de prata. O com. abrange alguns destes artigos manufaturados e certas produções do território, como arroz, seda, queijos afamados. Em geral, as fábricas e o com. de Milão perderam muito da sua importância desde que foram fechadas as saídas que lhes ofereciam o Piemonte e a França. – Além das igrejas, dos palácios e dos estabelecimentos públicos, encontram-se em Milão também, junto de cidadãos particulares, não poucas galerias, bibliotecas e museus que contêm muitos objetos de arte merecedores de observação.

Contam-se aí 8 hotéis de primeira classe e 18 de segunda. – A temperatura média em Milão é de 10° 1/4 (R.); a média dos maiores calores chega a mais de 25 graus, e a dos frios a menos 5 ¾ graus abaixo de zero. O máximo de calor observado foi de mais de 27 graus, e o máximo de frio de menos 12 graus. A constituição da atmosfera é tal que o número de dias serenos é um tanto inferior a metade do número total de dias do ano; a outra metade, com algum acréscimo, é formada por dias mistos de céu limpo, nuvens e nevoeiro, por alguns inteiramente nublados e enevoados, por outros chuvosos e por alguns de neve. O granizo não é frequente, embora sejam frequentes na primavera e no verão as trovoadas, que por vezes descarregam aguaceiros. A quantidade média de chuva que cai num ano é de aproximadamente 35 polegadas de Paris. O vento dominante é o levante. O ar é ali salubre, nem relaxante nem penetrante. – Esta cidade é pátria de muitos homens ilustres, e entre outros de São Carlos Borromeu, do poeta latino Cecílio, do historiador Valério Máximo, do jurisconsulto Beccaria, do douto Laciati, de Gregorio Leti, de Ottavio Ferrario, do cardeal Moroni, do matemático Cavalieri, de Cardano, de Verri, Parini, Giulini, dos pintores Bossi e Appiani, etc., etc. Conta também a célebre Agnesi, que obteve uma cátedra de matemática na universidade de Bolonha, e a famosa Manzoni, que se distinguiu na poesia. Deu à Igreja 5 papas, a saber, Alexandre II, Urbano III, Celestino V, Pio IV e Gregório XIV. A população de Milão, incluindo os subúrbios, é de cerca de 150,000 habitantes, dizendo Verri, na sua história, que verosimilmente, por meados do século XV, ascendia a cerca de 300,000; a sua constituição física aparenta ser sã e fresca, e de estatura e formas na maior parte regulares. O carácter moral dos Milaneses mostra-os inclinados à beneficência, à tranquilidade de espírito, às comodidades da vida, aos divertimentos, sem prejuízo da indústria, das artes e manufaturas e dos bons estudos, que ali se cultivam com distinção. A abastança e a bondade dos cidadãos e a riqueza dos estabelecimentos públicos proveem geralmente à classe indigente. As mulheres são notáveis por uma figura esbelta e elegante, por belas feições e pela brancura da tez. – Celebraram-se nesta cidade diversos Concílios, o primeiro dos quais no ano 344 ou 346, e o último em 1584. – Vagas e incertas são as opiniões sobre a etimologia do nome de Milão. Alguns remontam às origens etruscas e, supondo que Olénio ou Olano Caleno, lucumão etrusco, veio para a Insúbria, introduzem outro chefe daquela nação chamado Medo, e daqueles dois nomes reunidos deduzem o de Milano ou Mediolano, como indica Alciati. Outros creem-na assim chamada quase in medio amnium, por estar situada entre os dois rios Ticino e Adda; recorrem outros a origens célticas, segundo as quais aquela denominação indicaria uma cidade situada no meio das terras e das planícies e, como agora se diria, mediterrânea. Parece desprovida de fundamento a suposição do achado de uma porca com o dorso lanoso só até metade, na época em que Beloveso se determinou à construção, ou antes à reedificação, de Milão; abraçou-se todavia aquela tradição, confirmada pelos versos de Claudiano e de Sidónio Apolinário, porque, sendo Milão considerada em certa época como uma segunda Roma, encontrou-se nela certa conformidade com a própria Roma, pondo-se a porca quase em paralelo com a loba que amamentou Rómulo e Remo. Se, porém, é verdade que os Gauleses, chegados a Itália, se aliaram mais facilmente com os Ínsubres por terem encontrado o nome de uma cidade correspondente ao de um seu burgo ou aldeia, com o nome de Milain, perto de Autun, convém supor o nome de Milão mais antigo do que a vinda dos Gauleses. Não é, pois, certa a origem daquele nome, que poderia talvez derivar, mais provavelmente, de alguma raiz céltica, referente apenas à situação da cidade no meio das terras e dos rios. Omitindo as opiniões que alguns historiadores e filólogos nos deixaram sobre os primeiros habitantes do solo milanês, e não discutindo se tal preeminência se deva conceder, segundo Estrabão, aos primeiros descendentes de Noé, ou aos Oróbios, segundo outros, os quais, escapados, como se pretende, da irrupção do oceano entre Abila e Calpe, estabeleceram a sua sede no cimo do monte Barro, ou ainda aos Ínsubres, cuja principal residência se diz ter sido Castel Seprio, e passando por cima da dúvida sobre se, tendo aqueles dois povos sido vencidos e subjugados pelos Etruscos, devem estes últimos ser considerados como os principais habitantes do Milanês, parece ser quase uma certeza que Milão, situada na Insúbria, foi fundada, ou pelo menos engrandecida, no ano 590 antes de J.C., por Beloveso, capitão dos Galo-Ínsubres na Itália superior e sobrinho de Ambigato, príncipe dos Celtas. Derrotado e morto em batalha Viridomaro, último rei dos Gauleses Cisalpinos, o vencedor Marco Cláudio Marcelo, cônsul romano, entra em Milão e reduz o país a província romana, tendo a cidade, juntamente com toda a Gália Cisalpina, sido definitivamente submetida ao domínio de Roma pelo cônsul Públio Cornélio Cipião Nasica, no ano 191 antes da era vulgar, depois da retirada de Aníbal. Sob o consulado de Pompeu, foi honrada com o nome de segunda Roma. O imperador Maximiano Hercúleo embeleza Milão com sumptuosos edifícios e, em 295, cinge-a de muralhas, cujo perímetro se diz ter sido então de cerca de duas milhas e ½, no lugar onde presentemente correm as águas do Seveso e do Nirone em canais cobertos. Constantino, em 313, dividindo a Itália em duas partes, estabelece Milão como capital da setentrional e residência de um vigário distinto, e ali fixaram a sua sede ordinária os próprios imperadores no século IV e no princípio do V. Continuando a crescer em riqueza e magnificência, chega esta cidade ao seu mais alto grau de esplendor em 380. Tomada e saqueada por Átila, em 402 ou, segundo outros, em 452, deixa de ser residência dos imperadores. Em 476, cai em poder dos Hérulos, comandados por Odoacro, que se proclama rei de Itália. Passa para o domínio dos Godos, conduzidos a Itália por Teodorico, que dela se torna senhor, em 493, vencendo Odoacro. Urala, sobrinho e general de Vitiges, rei dos Godos, arrasa e despoja Milão, como rebelde, em 539; e em 553, destruído o domínio dos Godos em Itália por Belisário e por Narsés, generais de Justiniano, torna-se súbdita dos imperadores do Oriente. Em 568, passa para os Lombardos, conduzidos e estabelecidos em Itália por Alboíno, seu rei, tendo início o reino dos Longobardos, do qual Pavia se torna a sede. Em 575, introduz-se um governo aristocrático, que dura dez anos, mas Agilulfo, marido de Teodolinda, retoma o poder real, que se mantém até Desidério, genro de Carlos Magno, último rei de Itália, por este vencido e feito prisioneiro em 775; tendo com isso início um novo reino de Itália, do qual é nomeado rei Pepino, seu segundo filho. Milão engrandece-se com a destruição de Pavia, ordenada por Berengário, chefe dos Hunos. Em 945, realiza-se ali a primeira dieta para a eleição de um rei de Itália. Valperto de' Medici, arcebispo de Milão, convida Otão, o Grande, a vir a Itália e coroa-o rei na basílica de Sant'Ambrogio, e começam a partir dessa época os direitos dos reis da Germânia sobre a Itália. Ariberto Arsago d'Intimiano, arcebispo de Milão, convida também o imperador Conrado II, dito o Sálico, a descer à Lombardia, e coroa-o rei de Itália, prestando-lhe grandes socorros, mas é expulso de Milão em 1042 pelo capitão Lanzone, chefe da plebe maltratada pelos nobres, que são igualmente expulsos. Em 1093, Milão subtrai-se, no político, a toda a dependência do império, reinando Henrique IV e Henrique V, e cede, no eclesiástico, às pretensões pontifícias. Em 1100, os Milaneses governam-se em república com os seus cônsules, tomam e destroem Lodi no ano seguinte; em 1127 destroem Como, derrotam os Cremonenses em 1137 e reedificam Tortona, cidade sua aliada, em 1155. Dois anos depois Milão é cingida de bastiões e de um amplo fosso. Frederico I, imperador da Germânia, dito Barba-Ruiva, chamado a Itália pelos inimigos dos Milaneses, toma Milão, após longo bloqueio, em 1158, mas, expulso dela no ano seguinte, em 1162 reconquista Milão, destrói-a quase inteiramente e obriga os habitantes a partir exilados e errantes, e só regressam em 1167, época em que, reparadas as fortificações destruídas, Milão ressurge mais bela e vigorosa do que antes. Voltando Frederico a campo contra os Milaneses, todo o seu exército é derrotado perto de Legnano, em 1176. A coorte milanesa de apenas 900 homens, chamada da morte, faz nesse encontro prodígios de valor e decide a vitória. Com a paz de Constança assegura-se aos Milaneses a liberdade municipal sob uma determinada proteção do imperador. Frederico I torna-se seu aliado para sustentar os seus direitos em Itália. Em 1186 cria-se em Milão uma magistratura com o nome de podestà, e é eleito Uberto Visconti, de Placência. Esta magistratura está sujeita a várias vicissitudes, conforme as fações dominantes, parecendo que fosse despótica. Ávidos de domínio, recorrem os Milaneses ao imperador Otão IV e coroam-no rei de Itália, para serem socorridos na conquista das cidades lombardas. Inocêncio III, partidário de Frederico II, neto de Barba-Ruiva, excomunga-os pelo partido que tomaram a favor de Otão, e em 1235, apoiados por Gregório IX, tomam o partido de Henrique contra Frederico II, seu pai. Batidos por este, Pagano della Torre, senhor da Valsassina, protege e escolta a sua retirada, mas, impacientes por recuperar a glória militar, voltam a campo contra Frederico e em 1239 batem-no completamente, distinguindo-se nesta batalha a coorte chamada dos Coroados. Pagano della Torre, em 1240, é nomeado pelo povo milanês seu protetor contra a nobreza e, morto este, é proclamado o seu sobrinho Martino Ancião da Credenza, cargo equivalente à dignidade tribunícia do povo romano. Em 1253, tendo surgido dissensões entre o povo e os nobres, Manfredi Lancia, marquês de Incisa, é feito senhor de Milão por três anos, sendo depois nomeado por cinco anos o marquês Oberto Pallavicino, que toma o título de capitão-general. Em 1257, Martino della Torre expulsa da cidade os nobres com o arcebispo Leone da Perego, seu chefe, mas, no ano seguinte, conclui-se a paz, dita de Santo Ambrósio, entre os nobres e o povo, na qual se equilibram os direitos dos primeiros com os do segundo. Em 1261, Ottone Visconti é nomeado arcebispo de Milão, e com ele começa a fortuna da sua casa. Morto Martino della Torre, sucede-lhe Filippo, seu irmão, com o nome de podestà e senhor perpétuo, mas, atendendo às desordens dominantes, é nomeado senhor de Milão, por cinco anos, o conde Carlos de Anjou e da Provença, irmão de Luís IX, rei de França. Napo ou Napoleone della Torre, filho do famoso Pagano, sucede no título e poder do falecido Filippo e, nomeado pelo imperador Rodolfo I seu vigário imperial, faz reviver o direito já extinto dos imperadores da Germânia sobre este país. Em 1277, tendo sido surpreendido e feito prisioneiro pelo arcebispo Ottone, entra este prelado triunfante em Milão e nomeia senhor dela Guglielmo Lungaspada, marquês de Monferrato, com a esperança de apaziguar com a sua autoridade os partidos dominantes na cidade; mas em 1282 expulsa o marquês e governa sozinho, fazendo nomear em 1287 capitão do povo Matteo Visconti, seu sobrinho, e no ano seguinte podestà de Milão, com amplos poderes; tendo sido nomeado também vigário imperial pelo imperador Adolfo em 1294. Morto Ottone, as cidades lombardas, atemorizadas com o crescente domínio de Matteo, estabelecem em Pavia uma liga contra ele, mas ele descobre e destrói a conjura urdida. No ano de 1302 é, porém, obrigado a fugir por obra dos Torriani, reconduzidos pela sua fação, e, no ano de 1310, reentra em Milão com o imperador Henrique de Luxemburgo, que o reconcilia com eles, voltando à posse do seu poder primitivo. Os Torriani são inesperadamente assaltados e expulsos para sempre pelas tropas alemãs, mas, por obra e manobra dos Visconti, Galeazzo, filho de Matteo, é proclamado senhor de Milão, sucedendo-lhe Azzone, seu filho, que faz cingir a cidade de novas muralhas e de torres; tendo sido o primeiro dos Visconti que, em 1339, se declarou abertamente soberano e que mandou pôr nas moedas o seu nome e a sua efígie. O seu sucessor e tio, Luchino Visconti, introduz a ordem em Milão e a segurança pública, com a monarquia absoluta, em 1341. Envenenado por sua mulher, Isabella del Fiesco, sucede-lhe Giovanni, seu irmão, arcebispo, que compra Bolonha e Génova, protegendo as artes e as ciências e cumulando de honras e dádivas Petrarca, por ele chamado a Milão, tendo recusado o senhorio de Roma que lhe fora oferecido. À sua morte, os seus sobrinhos Matteo II, Bernabò e Giovanni II dividem o principado, conservando em comum Milão e Génova. O imperador Venceslau erige a cidade e o território de Milão em ducado, no ano de 1395, o qual não deixa de estar sujeito aos Visconti até 1447, época da morte de Filippo sem descendência legítima e da extinção desta família. No mesmo ano Milão proclama-se república e nomeia seu capitão-general Francesco Sforza. No ano seguinte, nascem várias fações que disputam o governo. Os oligarcas aliam-se aos Venezianos, seus inimigos, contra Francesco, o qual bloqueia Milão e, em 1450, reentra na cidade e é aclamado senhor e duque. O filho e sucessor Galeazzo Maria, em 1476, é assassinado na igreja de Santo Stefano, e depois Bona, sua mulher, princesa de Saboia, governa o estado pelo filho menor, Giovanni Galeazzo Maria. Lodovico M. Sforza, dito o Mouro, tio paterno do jovem duque, usurpa a regência à mãe, reina em nome dela sobre o ducado de Milão e incita Carlos VIII, rei de França, à conquista do reino de Nápoles, convidando-o a descer a Itália. Morto Giovanni Galeazzo Maria, segundo alguns envenenado pelo tio Lodovico, este, em 1495, assume o ducado de Milão, investido nele por diploma do imperador Maximiliano I. O duque de Orleães, pretendente ao mesmo ducado pelos direitos da mulher de Lodovico, anima e encoraja o marido a firmar liga com outros príncipes, para expulsar os Franceses de Itália, o que acontece em 1496, mas estes reentram no ano de 1499, época em que Lodovico é obrigado a fugir. No ano seguinte regressa a Milão, expulsa de novo os Franceses, mas, feito prisioneiro por traição diante de Novara, é levado para França, e simultaneamente os Franceses retomam Milão. Em 1505 o imperador Maximiliano I investe por diploma o rei de França no ducado de Milão. Derrotado, Massimiliano Sforza, em 1515, renuncia ao ducado e retira-se para França com uma pensão. Os Franceses são novamente expulsos do Milanês em 1521 e, perdida no ano seguinte a batalha da Bicocca, retiram-se de Itália, mas, tendo de novo passado os Alpes, em 1523, voltam a cercar Milão; obrigados a abandoná-la, são batidos pelos coligados em Abbiategrasso, no ano seguinte, em que uma peste fatal arrebata a esta cidade mais de 50,000 pessoas. Francisco I, rei de França, regressado a Itália com um exército, reconquista Milão, mas, perdida a batalha de Pavia, é feito prisioneiro pelos Espanhóis, e Francesco Maria Sforza recupera Milão em 1525. Caído este em suspeita dos Espanhóis e bloqueado no castelo de Milão, cede-lhes a sua posse no ano seguinte. O imperador Carlos V, mediante grande contribuição, reinveste Francesco Maria nos direitos do ducado milanês, tendo Francisco I cedido todos os seus direitos sobre ele a Carlos V pelo tratado de Cambrai, do ano de 1529. Com a morte de Francesco Maria Sforza, sem filhos, acaba o domínio da sua família. Carlos V investe o seu filho Filipe, conhecido depois pelo nome de Filipe II, na posse do ducado de Milão, a quem sucede, em 1598, Filipe III, seu filho, e em 1621, a este, Filipe IV. Morto Carlos II, filho de Filipe IV, os Franceses ocupam o estado de Milão em nome do duque de Anjou, em 1700, e a morte de Carlos provoca a famosa guerra de sucessão à monarquia espanhola. Em 1706, o príncipe Eugénio de Saboia bate com os exércitos imperiais os Franceses diante de Turim e conquista o estado de Milão, que, unido ao de Mântua, formou o domínio conhecido pelo nome de Lombardia Austríaca, da qual Milão foi declarada capital. À morte de José I, imperador da Germânia e duque de Milão, Carlos VI, seu irmão, sucede-lhe nos títulos e no poder, sendo a posse do dito ducado confirmada à Áustria pelo tratado de Baden. Em 1733, o exército galo-sardo ocupa Milão, mas o imperador Carlos VI recupera este estado com a paz de Viena, em 1736. Sucede-lhe a sua única filha, Maria Teresa, que retoma a sua posse em 1746. Tendo-lhe sucedido, em 1780, o filho José II, este príncipe filósofo suprime o senado de Milão e faz a reforma do sistema judiciário. À morte de seu irmão, Leopoldo II, Francisco, seu filho, imperador atualmente reinante, sucede-lhe em 1792. Os Franceses, conduzidos a Itália pelo general Napoleão Bonaparte, ocupam Milão no dia 14 de maio de 1796, e proclama-se no ano seguinte a república Cisalpina, da qual Milão é declarada capital. Em 1799, depois da batalha de Verona, os Franceses são obrigados a retirar-se, e com eles as tropas cisalpinas, e entram em Milão os Austríacos juntamente com os Russos. Em 1800, Napoleão, regressado do Egito e feito primeiro cônsul, à frente do seu exército vitorioso reentra em Milão no dia 2 de junho, sendo esta proclamada capital da ressurgida rep. Cisalpina, a qual, no congresso de Lyon, de 1802, toma o nome de rep. Italiana. Criado depois, em 1805, o reino de Itália, Milão é declarada sua capital e capital do depart. do Olona, e nela Napoleão se faz coroar rei, no dia 26 de maio. Tendo este conquistador abdicado, em 1814, as coroas de França e de Itália, e tendo o príncipe Eugénio, vice-rei, cedido a sua representação, os exércitos franceses abandonam a Itália, e os austríacos ocupam a cidade e o estado de Milão. Criado em 1815 o novo reino Lombardo-Véneto, do qual Milão se torna a sede de um dos dois governos em que se encontra dividido, no dia 31 de dezembro Francisco I faz a sua entrada solene e, em 1818, nomeia vice-rei o seu augusto irmão, o arquiduque Rainieri, tornando-se Milão a capital definitiva do reino. Os 4 distritos de Milão encerram 98 comunas e 149,650 habitantes.

Gio Ponti em Milão

Nascido em Milão em 1891, Gio Ponti estreou-se como projetista em 1923, participando na Bienal de Artes Decorativas de Monza. De 1923 a 1930 trabalhou para a manufatura de cerâmica Richard Ginori; em 1928 fundou a revista Domus. De 1936 a 1961 foi professor na faculdade de arquitetura do Politécnico de Milão. Em 1941 deu vida a outra revista, Stile, publicada até 1947. Numerosas são as suas obras. No campo do mobiliário recordamos a cadeira Superleggera, de 1955, e o mobiliário para os transatlânticos Giulio Cesare e Andrea Doria. No que respeita à arquitetura, o Instituto de Matemática de Roma (1932-34), a villa Planchart em Caracas (1954), o arranha-céus Pirelli em Milão (1955-60), a Concatedral de Taranto (1971), o Museum of Modern Art de Denver (1972). Morreu em 1979

O Museo Civico di Storia Naturale de Milão

tem sede num edifício oitocentista nos Giardini di Porta Venezia, no centro da cidade.

O edifício foi construído por Giovanni Ceruti entre 1888 e 1893, ano em que foi inaugurado, e concluído em 1907. Em 1943, devido aos bombardeamentos, foi quase completamente destruído. Do desastre salvaram-se apenas parte da biblioteca e algumas coleções que estavam guardadas em salas protegidas.

O Museu é reaberto ao público em 1952 e, desde então, tem sido objeto de contínuas obras de restauro e de remodelação, de modo a garantir sempre um estilo expositivo adequado às novas exigências.

Atualmente as secções científicas tratadas pelo Museu são: Mineralogia, Paleontologia, Paletnologia, Botânica, Zoologia dos invertebrados, Entomologia, e Zoologia dos vertebrados.

Dioramas, animais embalsamados, esqueletos, maquetas e documentos gráficos fazem deste Museu não só a coleção mais vasta e importante de Itália, mas também uma das mais conhecidas e reconhecidas na Europa.

O Museu, além das exposições, está fortemente empenhado na didática museológica e na investigação, servindo-se de laboratórios internos e de coleções essencialmente dedicadas ao estudo e à investigação científica.

No interior do Museu encontramos também uma rica Biblioteca, especializada em todos os campos das ciências naturais.

No conjunto, as exposições ocupam vinte e três salas, numa extensão de 5000 metros quadrados, e as coleções contam cerca de dois milhões e meio de exemplares.

Na primeira sala, além das vitrinas que ilustram a história do Museu, encontramos: uma livraria especializada em livros científicos e de divulgação, algumas vitrinas destinadas à exposição dos novos materiais e a pequenas mostras temporárias e, por fim, uma parte dedicada ao Museu Settala, que reúne objetos naturalísticos sobreviventes do antigo Museu.

As salas dois e três são dedicadas à Mineralogia e, entrando no pormenor, podemos notar que na sala três foi realizada uma classificação dos minerais de base cristaloquímica. Para cada classe foram descritos os minerais mais importantes e expostas diversas amostras significativas. Nesta sala assinalamos também uma mostra de Pedologia, a ciência que estuda os solos, com uma parte dedicada à introdução geral, às características e à importância dos solos e outra aos tipos fundamentais próprios do território lombardo.

As salas da quatro à oito são dedicadas ao setor da Paleontologia, a ciência que estuda os fósseis, restos de organismos animais e vegetais que viveram em épocas remotas e em grande parte já extintos. Visitando estas salas podem admirar-se insetos aprisionados no âmbar, pequenos peixes no interior de uma laje, um caso excecional de conservação das partes moles, dado por um choco do Jurássico francês, um gigantesco modelo, em tamanho natural, de Pteranodonte, um grande réptil voador que viveu há cerca de 70 milhões de anos, cuja envergadura media cerca de 6 metros.

A coleção possui outras peças extraordinárias, entre as quais recordamos um dromeossauro, carnívoro veloz e muito feroz, moldes do esqueleto de um camptossauro, de um estegossauro e de um tiranossauro, e ainda as reconstituições em tamanho natural de um tricerátopo e de um crânio de tiranossauro.

A sala oito é, por sua vez, inteiramente dedicada aos fósseis provenientes de jazidas italianas e pertencentes a diversas eras: paleozoica, mesozoica, cenozoica.

Chega-se depois à sala nove, que trata outro setor das ciências naturais: a origem e a evolução do homem. A parte central e a parte esquerda da sala estão reservadas a mostras temporárias.

Este setor foi dividido em duas secções: a primeira analisa de modo particularmente pormenorizado os macacos antropomorfos, os primatas mais próximos do homem, enquanto a segunda é dedicada à história evolutiva do homem, com uma cuidada apresentação das características principais dos hominídeos, a posição ereta, a evolução do cérebro e o uso da mão. Da sala dez até à vinte e três, o Museu oferece uma riquíssima exposição sobre o setor da Zoologia, a qual se subdivide em zoologia dos invertebrados, entomologia e zoologia dos vertebrados.

A sala dez está reservada à sistemática, à anatomia, à morfologia e à biologia dos invertebrados inferiores, dos moluscos e dos artrópodes (animais com as patas articuladas em segmentos). Dignos de nota são dois exemplares de dimensões excecionais: para os moluscos, uma tridacna-gigante (classe dos bivalves) e, para os artrópodes, um caranguejo-gigante proveniente do Japão (classe dos crustáceos).

A sala onze é dedicada à entomologia. A exposição dos insetos, que podem ser considerados artrópodes que atingiram um altíssimo nível evolutivo e que ocuparam todo o tipo de ambiente, está dividida em quatro secções: biologia, ecologia, sistemática e história da entomologia.

A partir da sala doze começam as exposições relativas aos vertebrados atuais, e alternam-se entre as dedicadas à sistemática e à biologia e aquelas em que a ecologia é apresentada através de sugestivos dioramas, nos quais estão perfeitamente reconstituídas determinadas zonas protegidas do mundo, como parques e reservas naturais.

Faremos agora uma rápida passagem pelos temas tratados nas referidas salas.

13 – anfíbios e répteis.

14 – as florestas equatoriais e os ambientes húmidos tropicais.

16 – florestas temperadas, taiga e montanhas.

17 – mamíferos, os vertebrados mais evoluídos, com uma classificação que apresenta primeiro os animais que se reproduzem por meio de ovos, mas amamentam as crias (ornitorrinco e equidna), passa-se depois à ordem dos desdentados (tatus, papa-formigas, etc.) e, por fim, aos primatas (roedores, proboscídeos, etc.)

18 – ambientes árticos e antárticos, mamíferos marinhos. Entre todos os exemplares expostos sobressai, suspenso do teto, um esqueleto com 19,30 metros de comprimento, de baleia-comum, recuperado na Sardenha no século passado.

19 – savana africana. Aqui se encontra o maior diorama de todo o Museu, inspirado na savana africana da Tanzânia setentrional, caracterizado pela presença de um grande exemplar de elefante macho adulto e de um rinoceronte-branco, hoje quase extinto por causa da caça indiscriminada.

20 – savanas, pradarias e desertos. Aqui são tratadas as pradarias e os desertos mais importantes do mundo.

Chegamos, por fim, às últimas três salas, dedicadas aos parques e às reservas naturais do território italiano, nas quais os protagonistas são os vertebrados da nossa fauna. A sala vinte e um acolhe os dioramas ambientados nos mais importantes parques nacionais italianos: o de Abruzzo, o do Stelvio e o do Gran Paradiso. Na sala vinte e três, por sua vez, encontram-se nada menos de vinte e seis dioramas de pequenas e médias dimensões que, ao contrário dos presentes nas outras duas salas, tratam em particular das aves, dos anfíbios e dos répteis.

Arquitetura — Gio Ponti em Milão

CASA DA VIA RANDACCIO (1925)

(1925) via Randaccio 9

Esta casa, a primeira projetada e habitada por Ponti, parece quase um pequeno monumento palladiano. A planta tem forma de leque e a fachada côncava apresenta uma decoração com obeliscos. Entre as características dos apartamentos há que assinalar a quase total ausência de corredores e uma escadaria, desenhada de modo a poder ser vista também de baixo.

CASA BORLETTI (1928)

via San Vittore 40

MONUMENTO AOS MORTOS DA GUERRA (1928)

Piazza Sant'Ambrogio

CASA DA VIA DOMENICHINO (1928-29)

O projeto deste edifício, elaborado por Gio Ponti e Emilio Lancia, caracteriza-se por uma planta em L e por uma torre de esquina. A estrutura é em betão armado e tijolo, com fundação sobre estacas e lajes em betão armado com elementos em terracota. Para o revestimento das fachadas utilizou-se o reboco vermelho Terranova, com exceção do rés-do-chão e do primeiro andar, para os quais foram usadas placas de travertino. A decoração é bastante limitada e a arquitetura foi resolvida através de uma extraordinária relação entre massa, materiais e cor. Neste projeto, Ponti procura adaptar os elementos da tradição a uma nova organização, representada por uma nova fórmula habitacional: o condomínio. Os elementos clássicos são, portanto, entendidos como um facto exclusivamente figurativo, e o seu uso responde às necessidades de identificação da clientela burguesa.

CAPELA BORLETTI (1929-30)

O monumento, composto por duas capelas, apresenta uma planta quase quadrada. A ossatura é em betão e o revestimento exterior em placas de mármore de altura diferente. Na fachada anterior encontram-se duas entradas: a da esquerda, que conduz à capela superior, onde se encontram o altar e o monumento ao chefe de família, e a da direita, para acesso direto à capela inferior, onde se encontram os túmulos.

FÁBRICA ITALCIMA (1932-36)

O complexo edificado para a Italcima situa-se num lote trapezoidal e é constituído por três edifícios diferentes: uma fábrica para a produção de chocolate, um pequeno edifício destinado a escritórios e habitações e uma portaria. A ossatura portante da fábrica é em betão armado, com os pilares recuados em relação à parede perimetral, e tem quatro pisos acima do solo. As aberturas da frente principal são em banda, protegidas por lajes em consola. O pequeno edifício, que se encontra diante da fábrica, apresenta três pisos acima do solo, e a portaria alberga o apartamento do guarda. O projeto do complexo é de Baldessari e Ponti. Neste complexo são dignas de nota a unidade urbanística e a estilística, mas sobretudo o facto de os projetistas terem alcançado o objetivo de realizar um edifício extremamente funcional.

DOMUS JULIA, FAUSTA, CAROLA (1931-32, 1932-33, 1932-33)

CASAS TÍPICAS DA VIA DE TOGNI – DOMUS JULIA, FAUSTA, CAROLA (1931-32, 1932-33, 1932-33) via De Togni 21, 23, 25 Os três edifícios dispõem de um pequeno jardim à frente, voltado para a rua. A estrutura das três casas é em tijolo maciço, as lajes em betão armado e tijolo, a cobertura em placas de fibrocimento (eternit) sobre plano inclinado. Todos os apartamentos dispõem de elementos comuns: entrada dupla, uma principal e outra de serviço, e pavimentos em linóleo. - A Domus Julia tem no total sete pisos acima do solo, dispostos em corpo duplo, e cada piso alberga um único apartamento. A fachada é revestida a travertino até ao terceiro andar, enquanto para os andares seguintes se usou o reboco Terranova verde. - A Domus Fausta apresenta uma planta quadrada, seis pisos habitáveis do lado da rua e sete do lado do pátio. A fachada é revestida com reboco Terranova amarelo-ocre e cinzento, o embasamento em pedra de Vicenza e o portal em travertino; a fachada do pátio é em reboco cinzento. - A Domus Carola, de planta retangular, desenvolve-se em cinco pisos acima do solo, além do rés-do-chão e de um sexto andar recuado em relação ao alinhamento da rua. Segundo Ponti, para serem consideradas modernas, as casas devem dispor de grandes janelas, acabamentos típicos e novas disposições interiores. Os aspetos que o projetista pretendia realizar eram a funcionalidade e a distinção, uma disposição estudada e controlada das divisões nos apartamentos e fachadas coloridas. O trabalho dos arquitetos, com efeito, não se limita ao desenho da fachada, mas abrange o estudo da casa no seu conjunto: a divisão das habitações, as instalações, os serviços e os materiais.

TORRE LITTORIA NO PARQUE – TORRE BRANCA (1933)

A Torre Littoria surge no parque em 1933, por ocasião da V Trienal. Apresenta-se como um prisma metálico com uns impressionantes 108,60 metros de altura, construído inteiramente em tubo de aço (algo bastante invulgar, pois em geral usavam-se perfis) e com as ligações realizadas quase totalmente por soldadura elétrica. O prisma, de planta hexagonal, estreita-se de baixo para cima. À altura de 97 metros existe uma plataforma que sustenta a cabina do restaurante e, por cima, encontram-se o miradouro e a lanterna do farol. No interior do prisma encontra-se outra pequena torre hexagonal, que serve de caixa ao elevador e sustenta a escada em hélice.

CASA RASINI (1933)

Este é o último projeto elaborado por Ponti e Lancia, e já se veem os sinais da sua separação. No edifício, composto por dois corpos distintos, parece evidente a mão de Lancia na «torre» (à exceção dos terraços em degraus dos últimos andares, tipicamente pontianos) e a de Ponti na «villa» de forma cúbica. A torre é em tijolo, enquanto o corpo cúbico é revestido a mármore branco. A publicação nas revistas de arquitetura tinha dado uma imagem quase metafísica da torre, aproximando os terraços de pérgulas desertas. Pelo contrário, Ponti tinha-os projetado com a ideia de que seriam habitados e guarnecidos de toldos, guarda-sóis, árvores e flores.

CASA MARMONT (1933-34)

THE MARMONT HOUSE (1933-34) via Gustavo Modena 36 · Descrição original disponível apenas em inglês

The building presents an L-shape block of different heights with openings on more sides. It has a mixed structure in reinforced concrete with a concrete roof and roof tiles from Marseilles. The façade has a travertine skirting with red, Terranova plaster-work walls. The building has a total of eight floors of which the floor below the ground was destined in part as a cellar and a five-roomed study.According to Ponti, this building represented the apex of important results in the field of construction and the techniques of housing: orientation of the building in relation to the perfect insulation of the rooms, the separation of the apartment into well-defined zones (services, day and night), the presence in each apartment of a balcony or terrace, architectonic elements with windows and vases for flowers, a double entrance (family and staff), luminous cellars, the presence on the top floors of an apartment-villa and finally a series of services (office and a walk-in wardrobe) included in the original construction.To obtain even better results, Ponti proposed a variety of apartments in the same building with the consequent elimination of a typical plan and the roof with its large terrace from which, thanks to its placemen,t that is further back from the building, apartments may be found on all the floors

DOMUS FLAVIA (1933-34)

O edifício apresenta planta em L e desenvolve-se em seis pisos acima do solo, o último dos quais recuado, além de um piso subterrâneo destinado a caves. A cobertura é em parte em terraço e em parte em madeira e telhas de Marselha; a estrutura é em tijolo maciço e a laje em betão armado e tijolos especiais. Esta casa representa um exemplo típico das salas de esquina ligadas a terraços. Esta tipologia de casa, isolada, é semelhante à da Casa Marmont, mas aqui o problema da loggia que retira área habitável ao apartamento é resolvido com uma varanda de esquina, que se liga às inovações na distribuição da habitação. Neste edifício, Ponti aposta nas funções específicas dos espaços, no equipamento fixo e na engenhosa distribuição das zonas de passagem.

DOMUS LIVIA, SERENA, ONORIA, AURELIA E FLAVIA (1933-37, 1933-36, 1933-37, 1933-37, 1938)

via Letizia esq.. via del Caravaggio

As características comuns destas cinco casas são: ossatura em alvenaria portante para as paredes perimetrais, betão armado para os pilares interiores, lajes em betão armado e tijolo, cobertura em fibrocimento ondulado (eternit) e telhas de Marselha, caixilharia em madeira, pavimentos em linóleo nas divisões de estar e em ladrilhos de mármore nas de serviço. - A Domus Livia tem uma planta irregular e desenvolve-se em seis pisos acima do solo, o último dos quais recuado. A fachada caracteriza-se pelas varandas, que correspondem ao salão, e por longas janelas intermédias. - A Domus Serena apresenta cinco pisos acima do solo, mais um sótão em mansarda, que alberga o apartamento do guarda. A fachada caracteriza-se pelas loggias, que correspondem às divisões de estar, enquanto as divisões de serviço dão para o pátio. - A Domus Onoria tem planta em L, com entrada descentrada e seis pisos acima do solo. A fachada é alta e estreita e caracteriza-se por varandas sobrepostas, com portas e janelas alternadas que correspondem às divisões de estar, enquanto as de serviço dão para o pátio. - A Domus Aurelia, tal como a Domus Onoria, apresenta planta em L, entrada descentrada, seis pisos acima do solo, as divisões de serviço voltadas para o pátio e as de estar voltadas para a rua. A fachada caracteriza-se por uma dupla ordem de varandas sobrepostas, ligeiramente recuadas em relação ao plano da fachada, ladeadas por duas ordens de janelas. - A Domus Flavia, com planta em L, apresenta cinco pisos acima do solo, o rés-do-chão e um sexto piso no sótão. Também este edifício tem as divisões de serviço voltadas para o pátio e as de estar voltadas para a rua. Na fachada, o terraço da grande sala de estar apresenta duas portas-janelas e, entre elas, uma janela-montra. O embasamento e o portal são em betão, as faixas de cornija entre pisos em clínquer e a fachada em reboco Terranova. Segundo Irace, o programa construtivo de Ponti baseia-se na repetição das tipologias, no uso de materiais pobres e na simplificação volumétrica, caracterizada pelos ressaltos, pelo recorte das aberturas e pela cor dos rebocos.

DOMUS ADELE (1934)

O edifício em questão apresenta planta em L e sete pisos acima do solo. A estrutura é em alvenaria e betão armado, a ossatura em tijolo maciço, as lajes em betão armado e tijolo, o telhado em madeira e fibrocimento (eternit), a cobertura em telhas de Marselha, as fachadas em pedra e reboco especial. Também aqui os apartamentos têm duas entradas separadas: a principal e a de serviço. A intenção de Ponti, neste edifício, era permitir que todos os apartamentos usufruíssem da vista sobre o jardim, e por isso concebeu o jogo dos vários corpos recuados em escadaria. Ponti dedica particular atenção à sala de esquina, de que cada apartamento está dotado, aberta para uma grande varanda ou um grande terraço, com uma janela de saída e uma janela-montra. Esta última, além dos agradáveis efeitos de luz, tem a vantagem de não privar as paredes de espaço útil para a disposição do mobiliário.

VILLA SIEBANECK (1934-36)

via Hajech

A villa é constituída por sete divisões dispostas em dois pisos, mais o sótão. A janela envidraçada da grande sala de estar dá acesso direto ao jardim, situado lateralmente; a fachada posterior apresenta o terraço em loggia do quarto, e a divisão do sótão dá para um pequeno terraço. Também neste projeto Ponti realça os elementos arquitetónicos que caracterizam o seu trabalho: a ideia da pintura mural na fachada, grandes janelas que iluminam os espaços principais, o jogo de loggias e terraços.

CASA SISSA (1934-36)

O edifício desenvolve-se em cinco pisos acima do solo, mais um quinto recuado em relação ao alinhamento da rua e um sótão, onde foram criados os desvãos e um grande terraço. A fachada principal caracteriza-se pelas varandas que correspondem às divisões de estar, à exceção das do quinto andar, que são servidas por um grande terraço. A principal característica dos apartamentos desta casa é um único grande espaço que inclui sala de estar, escritório e sala de jantar, convenientemente separados por caixilharias e vitrinas especiais e bem estudadas. O revestimento exterior da fachada é em mármore, o do lado do pátio em reboco, enquanto para os pavimentos interiores estavam previstos, já na fase de projeto, o mármore branco e preto e o parquet de nogueira. A diferença substancial desta casa, em relação às examinadas até agora, consiste na sua classificação como casa de luxo.

CASA LAPORTE (1935-36)

A casa, que tem planta retangular e se ergue num bairro-jardim, desenvolve-se em três pisos acima do solo. A estrutura portante é em tijolo e as lajes são em parte em terracota e betão armado e em parte em ferro e tijolo furado de grande formato. A fachada voltada para a rua baseia-se numa relação proporcional de elementos (janelas retangulares e redondas, a caixilharia vertical da caixa de escada, as duas palas em consola e os contornos das janelas à face da parede) e na unidade de volume, acentuada pelas paredes que contornam o terraço do último andar. A fachada voltada para o jardim, pelo contrário, para a qual dão os espaços principais, caracteriza-se por dois grandes terraços, no rés-do-chão e no último andar, e por amplas vidraças correspondentes ao salão do apartamento do segundo andar. Em cada piso há um apartamento com a típica divisão pontiana em três zonas: dia, noite e serviços. O apartamento do segundo andar tem uma escada interior que conduz ao terraço, sob o qual foi criado um escritório. A sala de estar, com dois pisos de altura, dá para uma galeria situada por cima do escritório, a partir da qual se acede ao terraço. O último andar, com efeito, é em parte ocupado por um grande terraço com piscina, campo de areia e uma pequena horta. Neste edifício, Ponti aposta muito na simplicidade do exterior e na unidade de volume. Segundo o arquiteto, o terraço fechado por paredes, além de dar a impressão de uma divisão com o céu no lugar do teto, recorda os jardins murados da Antiguidade.

DOMUS ALBA (1935-38)

A casa apresenta planta em L e seis pisos acima do solo, o último dos quais recuado em relação ao alinhamento da rua. A estrutura é em tijolo maciço, as lajes em betão armado e tijolo, o revestimento das fachadas em reboco Terranova amarelo-ocre, a cobertura em terraços. Também aqui encontramos os elementos caros a Gio Ponti: as duas entradas separadas (principal e de serviço), a dotação de cada apartamento com uma ampla varanda e um pequeno terraço de serviço para a cozinha, a distinção dos espaços em dia, noite e serviços, a presença de armários embutidos e de copas mobiladas. O terceiro e o quarto andares albergam um único apartamento de onze divisões, em que a sala de estar dispõe de uma grande janela-montra, que dá para o terraço de esquina, de uma porta de correr embutida que a separa da sala de jantar e de uma escada que conduz diretamente ao jardim suspenso.

PALAZZO MONTECATINI (1936-38)

O edifício apresenta planta em H; o corpo correspondente à haste central separa dois pátios, um interior e outro voltado para a Via Moscova. No pátio voltado para a rua encontram-se a entrada principal e as entradas para os funcionários. O átrio principal, reservado ao público e aos dirigentes, é delimitado por uma grande vidraça de quatro folhas, com caixilharia de alumínio, pavimento em mármore e revestimento em alumínio. Dos lados deste átrio há dois átrios menores, pavimentados e revestidos a mármore, reservados a quadros e funcionários. As fachadas exteriores são revestidas a mármore cipolino apuano de cor verde-clara. O Palazzo Montecatini é reconhecido como o primeiro edifício de escritórios de «carácter nitidamente moderno» erguido em Milão, tanto no que respeita à estrutura propriamente dita como às instalações técnicas (fundações, isolamento das vibrações exteriores, instalação de ar condicionado e de correio pneumático). Para Ponti é essencial a determinação do módulo, representado pelo elemento característico que deverá medir o edifício: o espaço de trabalho, coordenado, organizado, coletivo e em contínua mudança, para o qual se prevê a flexibilidade da distribuição. Outro elemento fundamental do Palazzo é o uso dos materiais: o alumínio, juntamente com o mármore e o cristal, forma a «fisionomia estética» do edifício.

PALAZZO FERRANIA (hoje FIAT) (1936-42)

O edifício apresenta quatro pisos acima do solo, mais um rés-do-chão, destinado a acolher lojas, e um piso recuado. A estrutura é em tijolo maciço, as lajes em tijolos especiais e betão armado e a cobertura em terraço. O revestimento da fachada é em mármore de Musso polido. A particularidade deste edifício de escritórios é que os pisos destinados a essa função não apresentam indicação de tabiques. Ponti explica esta característica afirmando que quisera deixar a máxima flexibilidade de subdivisão. A caixilharia da fachada é metálica e o tratamento da esquina com pórticos tem um motivo de grandes janelas. Ao projetar este edifício, Ponti cuida de cada mínimo pormenor, desde os candeeiros do pórtico ao vestíbulo com as portas em vidro temperado securit, aos elevadores, até ao mobiliário dos escritórios.

CASA PIAZZOLI (1939-40)

Como projetistas deste edifício figuram Ponti, Fornaroli e Soncini. O edifício desenvolve-se em seis pisos acima do solo, dos quais os dois últimos recuados, com paredes perimetrais em tijolo, lajes em betão armado e tijolo e revestimento da fachada voltada para a rua em pedra. Em março de 1940, o atelier PFS apresenta uma variante da fachada com uma cobertura em terraço em lugar do telhado anterior, e um projeto de decoração da empena que dá para a propriedade da Escola Suíça. Em novembro do mesmo ano, Ponti escreve ao Podestà que a casa de tipo médio, com os melhoramentos introduzidos, alcançou as características de uma casa de luxo.

EDIFÍCIOS DA PIAZZA SAN BABILA (1938-46)

Este projeto de reconstrução da Piazza San Babila, entre a Via Monforte e a via Borgogna, foi elaborado por Ponti, Fornaroli e Soncini com a colaboração de Casalis e De Min. Os arquitetos precisam que, dada a forma heterogénea da praça, quiseram dar ao edifício um aspeto calmo e unitário, e adotaram um emparelhamento vertical de aberturas que enquadram aberturas maiores, como elementos centralizadores, correspondentes às salas com dois pisos de altura. Quanto à cor, atendo-se às harmonias existentes na praça, adotaram a pedra amarelo-quente para o embasamento, que vai do rés-do-chão ao segundo andar, o vermelho para os elementos em mármore do soco, mosaico de cor amarela para o revestimento das superfícies do terceiro andar até ao remate do edifício, enquanto as janelas e as grandes aberturas foram emolduradas com mármore branco. A arquitetura está ligada à definição da planta, com base na subdivisão das propriedades. Daí resulta uma arquitetura unitária, caracterizada no sentido horizontal por uma evidente sobreposição de pisos com diferentes destinos: rés-do-chão e sobreloja para as lojas, do primeiro ao terceiro andar escritórios, no quarto, que marca o remate do embasamento, os escritórios de representação, e do quinto em diante sucedem-se os pisos destinados à habitação, com a ressalva de que o sexto e o sétimo andares albergam os apartamentos em dois pisos, a que correspondem as grandes janelas dos salões com sete metros de altura.

PALAZZO EIAR (HOJE RAI) (1939)

O edifício foi projetado por Ponti juntamente com Fornaroli e Soncini, em colaboração com o engenheiro Bertolaia. A intenção, sobretudo da parte de Ponti, consistia em fazer com que os três corpos que compõem o edifício (escritórios, transmissões e teatro) fossem separados mas bem reconhecíveis. Entre o corpo destinado aos escritórios e o das transmissões abre-se um intervalo luminoso formado pelo corpo vertical transparente das comunicações. Com o tempo, o edifício sofreu diversas modificações, mas manteve alguns pormenores arquitetónicos, como o pórtico e os portais sobre a rua, que ainda hoje sustentam a intenção original quanto às proporções.

CLINICA COLUMBUS (1940-48)

Ponti afirmava que uma clínica não devia apresentar, nem no interior nem no exterior, o aspeto de um hospital, mas sim o de uma casa. Só desse modo o paciente poderá sentir-se tratado como homem e não como doente, e poderá ficar grato ao arquiteto. Logo que se lhe apresentou a ocasião, com o projeto da Clinica Columbus, Ponti pôs em prática estas suas ideias. As características deste edifício são: quartos situados a sul, comunicações e controlo de piso no centro de gravidade, bloco operatório a norte. Os pequenos expedientes usados pelo arquiteto para que o edifício não apresentasse o aspeto de uma clínica propriamente dita consistem em: quartos pintados de cores diferentes, móveis não em metal mas em madeira, todos os quartos da maternidade dotados de uma pequena varanda e de uma pérgula, a ala de medicina e cirurgia com os terraços que dão diretamente para o jardim, de modo a proporcionar aos convalescentes uma vista agradável.

ANTIGO PALAZZO GARZANTI (1944)

via Spiga 28-30

LOJA DULCIORA (1949)

via Orefici esq.. via Cantù 1

BAIRRO HARRAR-DESSIÈ (1950)

Neste bairro, cuja principal característica é o agrupamento de edifícios diferentes entre si, imersos no verde e muito coloridos, encontramos duas casas de Ponti: uma vermelha e branca, que apresenta habitações duplex no último andar, e uma branca e amarela, projetada juntamente com Gigi Gho. Neste projeto, Ponti queria a todo o custo contrapor-se às novas composições planimétricas que ele próprio considerava uma «falsa aldeia», ou mesmo um «teatrinho arquitetónico». Para Ponti, com efeito, ao projetar um novo bairro era essencial basear-se numa determinada ordem geométrica.

PALAZZO RAS (1962)

corso Vittorio Emanuele 32

Este complexo ergue-se numa zona do centro e compreende um edifício destinado a escritórios, um residencial e um jardim. O projeto inicial apresentava uma solução compositiva diferente da realizada. A solução adotada é introvertida, ou seja, tem os edifícios alinhados com a rua e o jardim no interior. Ponti, pelo contrário, contava adotar uma solução extrovertida, com o edifício maior recuado em relação ao alinhamento da rua e, à sua frente, uma praça sobrelevada com estacionamento por baixo. Também quanto ao revestimento da fachada, para o qual se utilizou o granito vermelho, o projeto inicial previa um material diferente: cerâmica brilhante. O projeto foi elaborado pelo Studio Ponti Fornaroli Rosselli com a colaboração do Studio Portaluppi.

SEGUNDO PALAZZO MONTECATINI (1951)

largo Donegani 2

O segundo Palazzo Montecatini ergue-se ao lado do primeiro, com os mesmos condicionalismos dimensionais impostos pelo regulamento de construção. As alas deste edifício apresentam as mesmas soluções adotadas no primeiro edifício, enquanto para a frente Ponti decide adotar uma solução diferente. Com efeito, para obviar ao facto de esta frente sobressair demasiado pouco em relação à massa das alas do edifício vizinho, o arquiteto opta por um motivo de trama fina em todo o alçado, de modo a conferir-lhe uma dimensão aparentemente maior. A principal característica deste motivo consiste na extraordinária mudança que o alçado sofre consoante a perspetiva: observado de frente, parece todo de vidro, ao passo que de lado parece todo de alumínio. Apesar destes expedientes no alçado principal, o aspeto mais interessante deste edifício continua a ser a frente posterior, que apresenta um espetacular movimento de superfícies dispostas em ponta de diamante.

POLITECNICO - FACULDADE DE ARQUITETURA – EDIFÍCIO TRIFOGLIO

A Faculdade de Arquitetura foi projetada por Ponti com a colaboração de Giordano Forti. Infelizmente, o edifício não correspondia à ideia primeira de Ponti, o qual, na primeira versão do projeto, pretendia realizar a sede como um «edifício que ensina», uma espécie de laboratório. Ponti pensava que a arquitetura do edifício devia representar o primeiro «ensinamento ambiental».

TORRE PIRELLI (1956)

piazza Duca d'Aosta

Projetada pelo Studio Ponti Fornaroli Rosselli com a colaboração do Studio Valtolina – Dell’Orto, a Torre Pirelli, muitas vezes definida como «pequeno arranha-céus», tem 127,10 metros de altura, 18,50 de profundidade ao centro e 70,40 de largura; não assenta sobre um embasamento e destaca-se, isolada, dos edifícios circundantes, nitidamente mais baixos. A invenção estrutural exigiu grande mestria da parte de Nervi e Danusso, empenhados neste projeto na «determinação» da estrutura. O problema da estabilidade num edifício em betão armado cuja relação largura/altura é tão pequena foi resolvido por Nervi graças a uma série de expedientes: um sistema de «gravidade», concentrado nos dois triângulos rígidos das extremidades, nos quatro pilares rígidos situados no centro da estrutura e, por fim, na torre central dos elevadores. Ao projetar esta torre, Ponti tinha-se fixado quatro objetivos principais: invenção estrutural, essencialidade, expressividade e ilusividade. Os dois últimos objetivos não foram perfeitamente alcançados. Com efeito, como explica o próprio Ponti, no que respeita à expressividade, o Pirelli é seguramente «vertical» nos lados, mas na fachada, apesar dos devidos expedientes, prevalece o riscado horizontal. Quanto à ilusividade, Ponti teria querido obter o efeito da fenda vertical nas duas extremidades da torre, concebida como uma fissura luminosa contínua, que em vez disso aparece segmentada pelas lajes das pequenas varandas, que foram prolongadas por razões estruturais.

CASA MELANDRI (1957)

viale Lunigiana 14

Ao projetar esta casa, Ponti joga com alguns dos seus elementos preferidos: volumes em ponta de diamante, o contraste dos volumes cheios e salientes com os vazios das janelas e os materiais que amava, o alumínio prateado e a cerâmica em ponta de diamante de cor cinzenta. Outra característica primordial deste edifício é a escada, que ao longo de cinco pisos surge como um caleidoscópico jogo de cores entre as paredes e os próprios degraus.

CASA PONTI (1957)

Nesta casa Ponti viveu com a sua família a partir de 1957, e ela encerra todas as suas inovações no que respeita a planta, paredes, móveis e objetos. A planta apresenta um espaço único, com paredes deslizantes, a janela mobilada, os móveis autoiluminados, os painéis organizados, o pavimento e o teto riscados em diagonal, uma cor única para toda a casa, as cadeiras e as camas todas iguais, as pinturas de mesa. Tipicamente pontianas dos anos 50 são as pinturas sobre perspex, para admirar em contraluz, por exemplo como vitrais nas janelas. Pormenor importante da casa é a fachada, que se apresenta com uma composição das aberturas diferente em cada piso.

EDIFÍCIO DE ESCRITÓRIOS INA (1963 - 67)

A fachada deste edifício apresenta um revestimento cerâmico. Os azulejos utilizados por Ponti são em parte lisos e em parte em ponta de diamante. Entre as montras do rés-do-chão e a superfície cerâmica corre uma pala contínua em cobre. Ponti apreciava muito as fachadas cerâmicas e especificava as suas qualidades: a chuva lava-as, pelo que dificilmente nelas se acumula a sujidade, e a forma dos azulejos em ponta de diamante faz com que reflitam o sol, criando notáveis efeitos de luz que são acentuados graças às vidraças à face das superfícies planas, onde se reflete o céu.

IGREJA DE SAN FRANCESCO (1964)

A igreja ergue-se no interior de um antigo jardim e dá, com a sua frente estreita, para o adro. O edifício é ladeado por outros dois, também eles religiosos e igualmente de Gio Ponti, e as três fachadas apresentam um motivo único e espetacular que parece fundir-se com o céu. Digna de nota é a larga rampa de acesso, com uma balaustrada inclinada para fora que dá a impressão de se erguer do solo para se integrar no corpo do edifício. Quanto ao interior, são elementos de relevo o altar isolado, que permite aos fiéis disporem-se à sua volta, e as capelas com portas que se podem fechar.

EDIFÍCIO Banca del Monte (1964 - 70)

EDIFÍCIO banca del monte (1964 - 70) via Monte di Pietà

IGREJA PARA O HOSPITAL DE SAN CARLO (1966)

Ao projetar esta igreja, Ponti realça muitos dos seus princípios. A planta em ponta de diamante, com as entradas transparentes situadas ao centro, reflete o princípio da «invenção formal». O revestimento cerâmico, também em ponta de diamante, dá a sensação de que o edifício é mais leve, mais delgado e maior do que é na realidade. Este efeito é obtido graças aos jogos de luz e de perspetivas e é o resultado do princípio pontiano da «ilusividade». Quanto à visão «noturna», Ponti estudou bem o desenho das aberturas e, dotando a fachada norte de grandes aberturas em ponta de diamante e a fachada sul de finas frestas, faz com que estas contribuam, com os jogos de luz, para dispensar qualquer outro tipo de decoração. A ligação da igreja ao hospital propriamente dito é obtida graças a um percurso coberto.

EDIFÍCIO MONTEDORIA (1970)

O edifício, composto por dois corpos desiguais, apresenta uma das típicas soluções pontianas para as fachadas dos edifícios urbanos: a frente ritmada numa sequência de setores verticais modulares, cada um dos quais com uma distribuição diferente das aberturas. Azulejos verdes, lisos e em ponta de diamante, assentes ao acaso de modo a obter extraordinários efeitos de reflexão da luz, formam o revestimento da fachada. Estes efeitos são intensificados pelas vidraças que, estando colocadas à face da fachada, refletem o céu.

PALAZZO SAVOIA ASSICURAZIONI (1971)

Neste edifício, com um grande jardim anexo, Ponti realça o princípio da «verticalidade». Este efeito é obtido graças à diferente angulação atribuída às fachadas, um expediente usado para criar uma altura aparentemente maior (princípio da «ilusividade»). Com efeito, como acontece muitas vezes nos projetos de Ponti, o edifício responde a um jogo bem estudado de superfícies, mais do que de volumes, acentuado pelos efeitos de luz criados pelos reflexos da cerâmica que reveste as próprias superfícies.

Museo di Storia Naturale

Reconstituição do antigo mar de Besano

Triásico, 238 milhões de anos atrás. No diorama nota-se a presença de um Tanystropheus e de um Askeptosaurus.

Latimeria chaiumnae

Latimeria chalumnae

Eryops megacephalus, Pérmico, Estados Unidos

Eryops megacephalus, Pérmico, Estados Unidos

Limnoscelis palustris, Pérmico, Estados Unidos

Limnoscelis palustris, Pérmico, Estados Unidos

Camptosaurus dispar, Jurássico Superior, EUA Allosaurus fragilis, Jurássico Superior, EUA

Camptosaurus dispar, Jurássico Superior, EUA Allosaurus fragilis, Jurássico Superior, EUA

A floresta secundária africana

Este tipo de floresta, muito mais luminosa do que a virgem, reconhece-se pela presença da árvore-guarda-sol africana (Musanga cecropioides), com as suas características folhas palmado-recortadas dispostas em raios. A floresta secundária apresenta um grande número de espécies florícolas e heliófilas: himenópteros da família dos crisidídeos, lepidópteros das famílias dos papilionídeos e dos ninfalídeos, coleópteros das famílias dos cerambicídeos, dos crisomelídeos e dos escarabeídeos, etc. São numerosos os insetos com formas e cores miméticas, que deste modo se escondem no ambiente em que vivem: entre eles a Petrognatha gigas, que imita a superfície de uma casca de árvore. O solo da floresta é frequentado por muitos insetos solitários, entre os quais o grande dinastíneo Eunema Pan, e por exércitos de formigas agressivas, entre as quais a Paltothyreus tarsatus, chamada formiga-cadáver pelo odor nauseabundo que exala, e várias espécies das subfamílias dos dorilíneos, com colónias formadas por vezes por mais de dois milhões de indivíduos (formigas legionárias).

Cachalote, Cetáceos Odontocetos Fiseterídeos

Cachalote macho com 12 metros de comprimento, arrojado na praia em Forte dei Marmi (Lucca) a 17 de junho de 1988. O esqueleto está montado em posição de mergulho.

Cabra-das-montanhas no parque nacional Waterton/Glacier (Montanhas Rochosas, Canadá e EUA)

A cabra-das-neves (Oreamnos americanus), dos artiodáctilos bovídeos, é um animal típico das montanhas norte-americanas, aparentado com a camurça. A cabra-das-neves, que tem patas curtas e uma musculatura dos ombros particularmente poderosa, a qual forma a característica bossa, é uma ótima trepadora e, graças a uma almofada elástica situada sob os cascos, consegue escalar paredes muito íngremes, mesmo com inclinações de 80 graus, portanto quase verticais.

Aberdare National Park, Quénia

Parque Nacional de Aberdare, Quénia

A subida dos salmões na Reserva McNeil River (EUA)

Todos os anos, entre julho e agosto o rio McNeil, na península do Alasca, enche-se de salmões-cão que sobem a corrente desde o mar até às zonas de reprodução. A abundância de peixe atrai até mais de 80 ursos-grizzly num só dia ao longo dos rápidos.

Alce-americano na floresta boreal (Canadá)

Está aqui representado um alce-americano (Alces), animal tipicamente solitário que pertence à família dos artiodáctilos cervídeos. Os machos desta espécie, durante a época de reprodução (ou seja, entre o final de setembro e o final de outubro), servem-se das enormes hastes não permanentes para se defrontarem em combates destinados à conquista da fêmea. O parque nacional de La Mauricie estende-se por uma superfície de 544 quilómetros quadrados no Quebeque.

Tigre na floresta siberiana

O diorama reproduz um pequeno bosque da reserva natural Kedrovaya Pad’ (uma pequena reserva criada em 1916, situada na floresta temperada do sudeste da Sibéria). Na reserva vive o tigre-siberiano (Panthera tigris altaica), dos carnívoros felídeos, o maior felino vivo, que tem um comprimento médio de 2,80 metros e um peso de cerca de 300 quilogramas. Este enorme felino caça de emboscada presas médias e pequenas, que são em geral capturadas depois de uma breve perseguição. As presas mais pequenas são mortas com uma dentada no pescoço, ao passo que as maiores morrem por sufocação. A sobrevivência do tigre-siberiano foi posta a dura prova pela caça furtiva: hoje sobrevivem na Sibéria, na Coreia e no nordeste da China entre 150 e 300 exemplares.

Iaque na bacia do Aru, reserva natural de Chang Tang (Tibete)

O iaque (Bos grunniensis) é um mamífero ruminante, da ordem dos artiodáctilos e da família dos bovídeos, que, em vez de mugir, emite uma espécie de grunhido. O diorama reproduz o planalto tibetano noroeste, a uma altitude de cerca de 5000 metros, onde o macho de iaque vive em manadas com numerosas fêmeas e alguns machos. Em geral os iaques têm pelo negro e apresentam um ligeiro matiz de cinzento no focinho, mas cerca de um milhar de exemplares da região do monte Aru (como o aqui fotografado) têm a pelagem castanho-dourada. Os iaques foram domesticados pelos tibetanos há cerca de três mil anos para o transporte, mas também para aproveitar a carne, o leite e a pele.

Gelada no parque do Simyen (Planalto Etíope)

O diorama está ambientado numa pradaria de alta altitude situada no planalto da Etiópia setentrional. Junto a um barranco, dois pequenos grupos de geladas (Theropitecus gelada) defrontam-se, enquanto, de uma rocha, dois saltadores-das-rochas assistem à cena. Para assustar, os geladas machos levantam o lábio superior até cobrir o nariz.

Época de acasalamento no parque de Bialowieza (Polónia)

Estamos num recanto da floresta original europeia que sobreviveu. É setembro, auge da época de acasalamento do bisonte-europeu. Num velho bosque de tílias e carpinos-brancos, um macho está a farejar o ar à procura de fêmeas prontas para o acasalamento.

Urso-negro (baribal) no parque de Yellowstone (EUA)

O diorama reproduz um recanto da floresta de coníferas norte-americana, e precisamente a zona de transição entre a pradaria temperada e a floresta de abetos-de-douglas; aqui um jovem urso-negro-americano (Ursus americanus), com o focinho trespassado por espinhos, enfrenta um grande urso adulto, enquanto a mãe assiste à cena. O urso-negro-americano é um carnívoro dos ursídeos que, apesar do nome, pode apresentar a pelagem de várias cores: o seu pelo pode ser, de facto, negro, castanho-chocolate ou castanho-canela, raramente também branco ou azulado. Na mesma ninhada podem nascer ursinhos de pelagens de cores diferentes; a coloração não muda durante toda a vida.

Boi-almiscarado e caribu na reserva natural de Telon (Canadá)

O diorama reproduz uma vista da tundra ártica canadiana dos Territórios do Noroeste. O boi-almiscarado (Ovibos moschatus) é um artiodáctilo ruminante que vive em estado selvagem na Gronelândia e na América setentrional. Chama-se almiscarado porque a sua carne adquire o odor do musgo, que constitui a sua principal fonte de sustento. O boi-almiscarado pode atingir 2 metros de comprimento e 1 metro de altura, tem cornos laterais virados para baixo, cauda curta, pelo espesso e lanoso. Dotado de vista e ouvido apurados, o boi-almiscarado, embora seja lento nos movimentos, sabe correr. Em geral vive em manadas de cerca de 15 indivíduos, mas os machos adultos vivem isolados. O caribu (Rangifer tarandus) e a rena da Europa e da Ásia setentrional são subespécies de uma única espécie, a mais setentrional da família dos cervídeos. Os caribus vivem em manadas homogéneas formadas por fêmeas com as crias e jovens machos de um ano; as manadas são muito numerosas, contando até muitos milhares de exemplares.

O urso-branco (ursus maritimus), Parque Nacional da Gronelândia

O urso-branco ou urso-polar detém, com o urso-de-kodiak do Alasca, o recorde de maior carnívoro terrestre vivo. As dimensões variam constantemente com o sexo. Os machos têm 2-2,50 metros de comprimento, 1,20-1,60 metros de altura ao garrote e pesam 300-800 kg. As fêmeas têm 1,60-2 metros de comprimento, 1 metro de altura e pesam 300 kg. Vive nas desoladas extensões glaciais árticas, permanecendo mais frequentemente entre os gelos. É um ótimo nadador. As suas presas habituais são as focas, em primeiro lugar a foca-anelada, adultos e jovens, que captura na primavera. A foca-anelada (Phoca hispida) é uma das mais típicas focas árticas. Os adultos caracterizam-se por um dorso de cor cinzento-escura, sobre o qual sobressaem anéis cinzento-esbranquiçados; o ventre é prateado e sem manchas escuras. Mede cerca de 1,30 metros de comprimento, sendo os machos ligeiramente maiores do que as fêmeas.

Aves nidificantes nas ilhas Lofoten

O diorama apresenta uma vista de uma falésia ártica nas ilhas Lofoten (Noruega), onde nidificam, num grande ajuntamento, numerosas espécies de aves marinhas, entre as quais alcídeos, larídeos e alcatrazes. Nestas condições as várias espécies competem entre si pela ocupação dos espaços de nidificação.

Elefante-marinho-do-sul com exemplares de pinguim-rei

O elefante-marinho (Mirounga leonina) é o maior carnívoro vivo, pois pode atingir um comprimento de 5 - 6 metros. O peso dos machos adultos pode atingir os 3700 quilogramas, ao passo que as fêmeas pesam no máximo 900 quilos. Ao nascer, as crias pesam cerca de 45 quilogramas, mas ao fim de cerca de três semanas já pesam cerca de 130 quilos. O elefante-marinho, animal ativo de noite, pode aguentar debaixo de água até meia hora; a sua cabeça tem forma diferente conforme o sexo e a idade: os machos apresentam a típica tromba. A duração média da vida do elefante-marinho ronda os 20 anos; o acasalamento ocorre a partir do décimo ano de idade. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonica) mede, em média, cerca de 90 centímetros de altura e o seu peso oscila entre os 15 e os 20 quilos. Vive em enormes comunidades, formadas por dezenas e centenas de milhares de indivíduos. O pinguim-rei não faz ninho, mas choca o ovo mantendo-o quente entre as patas.

Elefante-africano (Loxodonta Africana) Rinoceronte-branco (Ceratotherium simum cottoni)

O elefante-africano na savana da Tanzânia setentrional

Lince-vermelho no parque nacional Saguaro (deserto de Sonora, América do Norte)

O diorama mostra um momento particular da vida do deserto de Sonora: aquele em que, depois de uma chuva abundante, aparecem as flores num grande exemplar de cato saguaro (Carnegiea gigantea), planta típica da zona, de cujo tronco um lince-ruivo (Lynx rufus) se lança sobre uma lebre-da-califórnia (Lepus californicus). O lince-ruivo tem uma distribuição muito vasta no continente norte-americano, estando presente desde os bosques canadianos até ao deserto mexicano; a sua dieta é muito variada: alimenta-se de pequenos roedores e lebres, mas também de aves ou répteis. Animal solitário, o lince-ruivo costuma caçar de noite ou ao romper do dia.

Predação no parque nacional do Serengeti (Tanzânia)

Na família dos leões, animais habitualmente gregários e territoriais, são as fêmeas que obtêm o alimento, agindo muitas vezes em grupo. As presas das leoas variam dos grandes mamíferos aos pequenos roedores, dos répteis às aves: tudo o que povoa a savana herbácea africana. Na reconstituição, o ambiente da savana da Tanzânia está representado no início da estação seca, que no parque do Serengeti vai habitualmente de julho a outubro. A presença de uma notável extensão de erva, ainda que ressequida, permite a vida de numerosos ungulados e dos seus predadores. Duas leoas acabam de caçar e um leão (Panthera leo) aproxima-se para se alimentar, enquanto chegam alguns abutres. Para poder caçar grandes mamíferos, como os búfalos, a leoa lança-se primeiro sobre o dorso do animal e depois, uma vez derrubado, atira-se-lhe ao pescoço ou ao focinho, sufocando-o; deste modo evita que a presa se possa defender atingindo-a com coices ou cornadas.

Antílopes no parque nacional Kruger (África do Sul)

O diorama reproduz uma poça lamacenta da savana sul-africana junto da qual, no mês de maio, no início da estação seca, se reuniram para beber alguns antílopes e outros animais típicos da zona, que se caracteriza por alguns arbustos e por árvores de mopane. O elande (Taurotragus oryx) pertence à família dos artiodáctilos bovídeos e é o maior antílope vivo; o macho desta espécie pode atingir os 900 quilogramas de peso, mas, apesar da sua corpulência, por vezes dá notáveis saltos na vertical, provavelmente com o objetivo de se exibir diante dos companheiros. No diorama estão presentes também um cudo-grande (Tragelaphus strepsiceros), uma palanca-vermelha (Hippotragus equinus) e, ao fundo, o impala (Aepyceros melampus), cujos machos adultos, durante a época de acasalamento, são territoriais: um macho adulto controla um harém composto por algumas dezenas de fêmeas e afugenta os machos jovens quando estes se aproximam.

Antílopes a pastar na savana montana da África Austral (parque Golden Gate Highlands)

O diorama, ambientado a cerca de 2000 metros de altitude, mostra a savana de altitude, que fornece boas pastagens para os herbívoros, embora nela se encontre uma vegetação mais pobre do que nas pastagens de planície. Observam-se dois exemplares de blesbok (Damaliscus dorcas Phillipsi) e um gnu-de-cauda-branca (Connochaetes gnou), pertencente aos artiodáctilos bovídeos, espécie típica das montanhas, equivalente do gnu comum presente nas savanas de planície. Reduzidos no passado, por causa da caça, a poucas centenas de exemplares, ainda hoje os gnus-de-cauda-branca continuam a ser bastante raros.

Nandu na Pampa (Argentina)

Pampa, na antiga língua inca, significa «planície», e o termo é hoje usado para designar a típica pradaria sul-americana. As ervas, muito altas, escondem quase por completo até os grandes nandus (Rhea americana), aves corredoras típicas deste ambiente. No diorama veem-se um macho, uma fêmea e três crias. Tal como as avestruzes das savanas africanas e os emus australianos, os nandus podem correr até atingir uma velocidade de cerca de sessenta quilómetros por hora. Os nandus, que se alimentam sobretudo de raízes, folhas e insetos, são aves gregárias, ou seja, vivem em grupos mistos de machos, fêmeas e crias, grupos formados por um mínimo de quatro e um máximo de trinta exemplares. Durante o período reprodutivo, os machos defendem o seu território, onde acasalam com numerosas fêmeas. A incubação dos ovos é tarefa exclusiva do macho. Poucos dias depois do nascimento, as crias seguem o macho, com o qual se mantêm em contacto por meio de assobios contínuos.

Hipopótamo num canavial nas margens de um lago africano (Parque Queen Elizabeth, Uganda)

O hipopótamo (Hippopotamus amphibius) passa na água a maior parte das horas do dia e sai da água de preferência ao pôr do sol e de noite. O seu grande corpo cilíndrico permite-lhe flutuar mesmo nas águas lamacentas, ao passo que a posição das orelhas, dos olhos e das narinas lhe permite respirar e vigiar o ambiente circundante expondo fora de água apenas uma pequena parte da cabeça. Debaixo de água o hipopótamo move-se com agilidade, pode caminhar no fundo de uma poça e permanecer totalmente submerso durante alguns minutos; embora dotado de um corpo maciço (que nos machos pode pesar cerca de 2.500 quilogramas e nas fêmeas 1.400), é no entanto capaz de correr também em terra firme com notável agilidade, atingindo uma velocidade de cerca de 30 quilómetros por hora. O hipopótamo alimenta-se de ervas e rebentos. O sitatunga (Tragelafus spechei), dos artiodáctilos bovídeos, é o antílope mais adaptado à vida nos canaviais e nos pântanos, porque os seus cascos têm as pontas divergentes, de modo a impedir que o animal se afunde no terreno lamacento, ao passo que o pelo, particularmente longo e espesso, é capaz de o proteger da humidade.

Avestruzes na savana espinhosa africana

Estamos na savana espinhosa africana, caracterizada por arbustos e árvores adaptados a um terreno árido. A cena representa uma pequena zona da reserva nacional de Samburu, situada no Quénia, onde um casal de avestruzes, formado pelo macho e pela fêmea dominante, se reveza no cuidado do ninho onde várias fêmeas puseram os seus ovos, enquanto um pequeno dik-dik passa por entre a vegetação. A fêmea da avestruz (Struthio camelus) emite chamamentos que estimulam as crias a partir a casca, de modo que os ovos eclodem ao mesmo tempo. O número total de ovos que podem ser chocados é de 25; os ovos postos pela fêmea dominante ficam no centro do ninho. As savanas desenvolvem-se nas regiões tropicais, onde o clima se caracteriza por períodos de seca intercalados com períodos de chuva.

Antílopes e macacos entelos no parque nacional Sariska (savana arborizada indiana)

Encontramo-nos na zona aberta da savana arborizada indiana, ambiente em grande parte destruído pelo homem para obter madeira e terras de cultivo, e mais precisamente na zona situada na fronteira com um ambiente mais árido. No diorama podem observar-se dois típicos antílopes indianos juntamente com alguns langures-entelo (Presbytis entellus), que são habilíssimos a mover-se nas árvores, por entre os ramos. O antílope maior é um nilgó (Boselaphus tragocamelus) e, como sugere o seu nome científico, lembra, por algumas características, o touro (bos), o veado (elaphus), a cabra (tragos) e o camelo (camelus). O exemplar de antílope-indiano (Antilope cervicapra) aqui observável é um subadulto; estes antílopes são agilíssimos: dão saltos com até 6 metros de comprimento e até 3 metros de altura. O macho adulto é mais escuro; as fêmeas são mais claras e sem cornos.

Órix e antílope no deserto da Namíbia (parque Namib-Naukluft)

Neste diorama são apresentadas algumas espécies particularmente adaptadas à vida no duro e inóspito ambiente do deserto: o animal em primeiro plano é um órix-do-sul (Oryx gazela), ao passo que em segundo plano é visível um antílope-saltador (Antidorcas marsupialis). Este último, quando está em alerta, dá um salto e ao mesmo tempo eriça uma faixa de pelo branco no dorso, faixa de pelo que, em situação de repouso, permanece oculta numa prega da pele.

Emu no parque nacional Currawinya (savana árida australiana)

O diorama mostra um emu em corrida que faz levantar do solo, onde tinham pousado para comer, alguns papagaios típicos das terras vermelhas da Austrália. Estamos no ambiente chamado «mulga», uma savana árida onde a acácia (Acacia aneura) está difundida e onde conseguem, no entanto, sobreviver muitas outras espécies, por exemplo (nas zonas menos áridas) os eucaliptos. O emu (Dromaius novaehollandiae) é um ótimo corredor, tal como a avestruz e o nandu. Machos e fêmeas têm aspeto semelhante, mas na época do acasalamento as fêmeas têm a cabeça e o pescoço cobertos por uma espessa plumagem negra. As crias têm uma coloração às riscas, o que lhes permite camuflar-se mais facilmente na vegetação.

Grafitos na reserva nacional Air Ténéré (deserto do Sara)

Estas gravuras, difíceis de situar com precisão no tempo, mas talvez datáveis de 4.000- 3000 a.C., encontram-se nas rochas de um maciço rochoso que interrompe a imensa extensão de dunas do Saara, e mostram como, num passado remoto, o ambiente tinha as características climáticas e a fauna típicas da savana. No diorama estão presentes nas rochas exemplares de carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia), uma espécie em vias de extinção por ser vítima de uma caça impiedosa. O carneiro-da-barbária tem cascos largos e achatados, ideais para se mover facilmente na areia. Por trás da rocha onde estão gravados os grafitos avistam-se dois antílopes (Addax nasomaculatus).

Antilocapra e cão-da-pradaria na pradaria norte-americana (parque nacional de Badlands)

Está aqui reconstituída uma vista da vasta pradaria norte-americana: o corte do terreno torna visível uma das muitas galerias da rede de tocas de alguns exemplares de cão-da-pradaria (Cynomis ludovicianus). O cão-da-pradaria, roedor dos ciurídeos, deve o seu nome ao grito, semelhante a um latido, que emite em caso de perigo. Quando estão ao ar livre, os cães-da-pradaria, que vivem em colónias formadas por centenas de indivíduos, passam a maior parte do tempo à procura de alimento: alimentam-se de ervas, flores, sementes, raízes e também insetos. A antilocapra (Antilocapra americana), um ungulado dos artiodáctilos bovídeos, é o mamífero mais rápido do continente americano: pode, de facto, atingir os 80 quilómetros por hora. Quando uma antilocapra se sente em perigo, avisa os seus semelhantes eriçando os pelos brancos da garupa: pelos que formam assim um «espelho» visível a grande distância. No inverno a antilocapra forma manadas numerosas, ao passo que no verão os machos são territoriais e os grupos são compostos por poucos indivíduos.

Deserto de Gobi, na Ásia Central, único deserto onde ainda vivem camelos selvagens

A cena mostra um camelo selvagem no parque nacional Great Gobi Desert. Só aqui vivem ainda populações de camelos selvagens, bem como o burro-selvagem e o raríssimo urso-pardo do Gobi. O camelo (Camelus bactrianus) é um ruminante caracterizado por duas bossas de gordura no dorso, que constituem uma reserva alimentar. A forma selvagem do camelo, como a visível no diorama, tem pelo castanho mais curto e bossas e patas mais pequenas do que a forma doméstica. Para sobreviver em condições extremas, nas zonas desérticas, o camelo desenvolveu adaptações particulares: adquiriu a capacidade de regular o consumo de água (que não pode armazenar em grande quantidade no estômago, como se julgava no passado), limitando a transpiração e utilizando, em caso de necessidade, toda a água contida no corpo, sem todavia alterar nunca a composição do sangue. Para se proteger durante as tempestades de areia, o camelo tem músculos particulares que lhe permitem abrir e fechar as narinas.

Urso-pardo no parque nacional de Abruzzo

O diorama está ambientado nos Abruzos, no mês de junho, no maciço da Camosciara, território rico em matas e em águas, portanto habitat ideal para os ursos, típicos animais silvícolas, que encontram no sub-bosque a fonte da sua alimentação. Guloso também de mel, o urso é além disso um hábil caçador e abate até animais de porte médio, por vezes até corços ou camurças. O urso-pardo (Ursus arctos) é o maior carnívoro europeu, tem uma constituição robusta e é dotado de uma força extraordinária; a sua pelagem, espessa e de pelo comprido, é de cor variável entre o castanho-claro e o castanho-escuro acastanhado. O urso é um plantígrado que nada bem, ao passo que raramente trepa; é dotado de sentidos apurados, exceto a vista; e é por natureza errante, capaz de efetuar até deslocações consideráveis, mas na maior parte das vezes é sedentário. Geralmente silencioso, se for incomodado o urso emite uma espécie de grunhido, que pode ser prolongado se o animal estiver particularmente irritado. Durante os meses de inverno os ursos ficam sem comer nem beber por um longo período, mas não se trata de uma verdadeira hibernação: é de facto neste período que ocorrem os partos e são amamentadas as crias.

Veado no parque nacional do Stelvio

O diorama está ambientado no Val di Trafoi, no Alto Ádige. O veado-vermelho, também chamado cervo-elafo ou veado-europeu (Cervus elaphus), distingue-se dos outros habitantes das nossas montanhas pelo porte, pelas hastes, grandes e ramificadas, chamadas «armações», e pela pelagem áspera, de cor castanho-fulva tendente para o avermelhado no verão, que assume uma cor acinzentada mais ou menos escura no inverno. Os jovens têm a pelagem malhada de branco até à muda do primeiro outono. As hastes, muito desenvolvidas e imponentes, existem apenas nos machos e são constituídas por uma substância óssea compacta. Até uma certa idade as armações crescem todos os anos; depois, com o desenvolvimento completo, atingida a maturidade, deixam de crescer. O veado é um animal silvícola, ativo do crepúsculo à alvorada, que se move com agilidade apesar do seu porte considerável. Gosta das florestas de montanha e da proximidade da água; nas horas de luz o veado fica escondido no mais denso da floresta. As fêmeas com os jovens formam manadas guiadas por uma fêmea adulta, ao passo que os machos adultos vivem à parte. A duração média da vida de um veado é de cerca de vinte anos.

Íbices no parque do Gran Paradiso

O íbex, ruminante da família dos bovídeos, é uma cabra selvagem típica da alta montanha. De formas pesadas e robustas, o íbex é inconfundível pelos cornos em forma de cimitarra, que são muito desenvolvidos nos machos e muito mais curtos nas fêmeas. O tronco do íbex é atarracado, os membros robustos, a pelagem é espessa sobretudo no inverno; as fêmeas têm cores mais claras e menos contrastadas. É impossível confundir o íbex com a camurça, que tem formas mais esbeltas e cornos em gancho. O íbex vive normalmente acima da vegetação arbórea, entre os 2000 e os 3500 metros, e enfrenta o inverno na alta montanha; desce em direção ao fundo do vale na primavera, quando a neve abandona os prados, deixando a descoberto a erva tenra que oferece alento aos animais exaustos. Habilíssimo trepador, dotado de cascos largos que lhe dão um apoio estável, o íbex encontra nos penhascos o seu habitat ideal. As fêmeas e os machos jovens vivem em manadas (até de uma centena de cabeças) distintas das dos machos adultos, ao passo que os machos velhos vivem muitas vezes isolados.

Javali no parque natural da Maremma

O diorama mostra as encostas ocidentais de Poggio Lecci, situado no parque natural da Maremma. Uma javalina, com as suas crias, é surpreendida em atitude de defesa, por ter encontrado um macho adulto (um varrasco) à procura de alimento. O javali (Sus scrofa) é um ungulado não ruminante da família dos suídeos, dotado de um corpo possante, em forma de cunha, característica que lhe permite introduzir-se no mato mais cerrado. Tem pelo hirsuto com subpelo espesso e lanoso; é omnívoro, mas a sua alimentação é em 90% vegetal; tem dentes caninos de crescimento contínuo que nos machos formam robustas presas. O javali adapta-se a viver em ambientes muito variados, mas o seu habitat ideal é um bosque com sub-bosque rico e o mato cerrado; é um animal que gosta da água e da lama. Os javalis vivem em varas por vezes numerosas, reproduzem-se entre outubro e o final de janeiro e, após uma gestação de cerca de quatro meses, dão à luz no verão cinco ou seis crias. A duração máxima da vida de um javali é de cerca de vinte anos.

Camurça no parque natural Adamello-Brenta (Trentino)

No parque natural Adamello Brenta, um macho adulto, captado em atitude de ameaça, ou seja, com os pelos do dorso eriçados, impõe, na época do cio, o seu domínio a um macho jovem em pose de submissão; em segundo plano é visível uma fêmea. A camurça (Rupicapra), da família dos bovídeos, é o ruminante mais difundido nos Alpes; distingue-se do íbex pela constituição mais esbelta e pelos característicos cornos cor de ébano, em forma de gancho, que estão presentes em ambos os sexos. No verão a camurça vive a altitudes muito elevadas, ao passo que no inverno desce ao nível dos bosques; dotada de um excelente olfato, alimenta-se de cerca de trezentas variedades diferentes de plantas, conforme as estações. Tem hábitos diurnos e geralmente pasta nas primeiras horas do dia e ao pôr do sol. As fêmeas com as crias vivem em manadas, ao passo que os machos adultos são solitários. A camurça tem uma vida média de cerca de quinze anos e uma vida máxima de vinte e dois.

Corço na reserva natural do Carso

Numa extensão de antiga charneca cársica arborizada situada no município de Duino, vê-se um corço (Capreolus), animal que vive bem na planície, na colina e na montanha. Ativo sobretudo ao crepúsculo, alimenta-se de gomos, folhas, plantas herbáceas, ervas e frutos silvestres. O corço tem ótimo olfato e ouvido, ao passo que a vista é menos desenvolvida. Quando tem de lançar o grito de alarme, o corço ladra ou, no caso das fêmeas e das crias, assobia. O diorama apresenta um bosque de carpinos-negros e freixos-do-maná na estação outonal: um corço macho adulto, acompanhado por duas fêmeas, voltou-se em atitude de desconfiança. No verão os corços tendem a viver isolados e marcam a sua área com a secreção das glândulas faciais, esfregando a cabeça nos troncos e nos ramos dos arbustos. Só os machos têm armações curtas, com três ramificações, de conformação inconfundível. A pelagem estival dos corços é fulvo-avermelhada, ao passo que a invernal é castanho-acinzentada, com um vistoso espelho branco em redor da região anal. A vida média dos corços é de 12 - 14 anos.

Muflão na floresta estatal de Montarbu (Nuoro)

Ruminante da família dos bovídeos e progenitor da ovelha doméstica, o muflão (Ovis musimon), cujas terras de origem são a Sardenha e a Córsega, apresenta uma pelagem de pelo curto e áspero que, no macho adulto, se caracteriza pela chamada «sela», ou seja, uma zona do dorso onde a pelagem assume uma cor clara. Animal diurno, dotado de ótima vista, o muflão adapta-se a viver nos bosques e nos prados, tal como em zonas rochosas, e alimenta-se de folhas ou ervas dos prados. Vive em rebanhos numerosos formados pelas fêmeas e pelas crias, aos quais se juntam os machos adultos no outono/inverno, épocas da reprodução. Para avisar de um perigo os membros do rebanho, o muflão bale ou assobia. No diorama pode ver-se o ambiente da Sardenha no mês de outubro, e precisamente o monte Tonneri, situado na floresta estatal de Montarbu.

Gamo no parque natural da Maremma

O gamo é um cervídeo originário do Mediterrâneo oriental que tem um aspeto inconfundível pela pelagem malhada de branco e pelas armações alargadas em pá. As armações, que existem apenas nos machos, são renovadas todos os anos: caem no mês de abril e voltam a estar crescidas em agosto ou setembro. Dotado de ótima vista, o gamo, que tem hábitos mais diurnos do que os outros cervídeos italianos, animal decididamente gregário, vive em manadas de composição variada e alimenta-se de gomos, folhas e frutos. No diorama, sob um pinheiro-manso (Pinus picea), no sub-bosque ralo de aroeira (Pistacia lentiscus), além do casal de gamos é visível também um réptil não venenoso: a cobra-de-quatro-riscas (Elaphe quatorlineata). O parque natural da Maremma tem sede na província de Grosseto.

Cabra selvagem na reserva natural de Montecristo

A cabra (Aegagrus hircus) é semelhante ao íbex, mas tem uma constituição mais esbelta e cornos mais leves; prefere um ambiente árido, rochoso, com vegetação de arbustos e moitas. O diorama está ambientado na ilha de Montecristo (no arquipélago toscano). Em Montecristo vive a única população italiana de cabras selvagens. Estamos em junho, ao fim da tarde, e no interior de um «tafone», ou seja, de uma cavidade escavada pelo vento na rocha granítica, um macho e uma fêmea jovem de cabra selvagem preparam-se para ir pastar no mato mediterrânico, entre moitas de alecrim e esteva. No diorama podem avistar-se também a gaivota-de-patas-amarelas, a gaivota-de-audouin e a víbora de Montecristo, forma local mais semelhante à víbora presente na Itália meridional.

Lobo na reserva natural do Orfento (Abruzzo)

O diorama está ambientado numa clareira situada no vale do rio Orfento, nas encostas da Maiella. Uma alcateia de lobos, terminada a caça, regressa aos covis: em primeiro plano vê-se um jovem lobo macho com cerca de um ano e meio em atitude de submissão perante uma fêmea de categoria superior, que está em posição de domínio, como demonstram a atitude do seu focinho e a cauda levantada; mais além vê-se o macho chefe da alcateia a soltar um uivo. O lobo (Canis lupus) é o canídeo de maior porte e o progenitor do cão doméstico; é um carnívoro que vive habitualmente em alcateias constituídas por um casal e pela sua descendência. As crias abrem os olhos ao fim de duas semanas. Nesta fase os outros membros da alcateia obtêm o alimento tanto para a mãe como para a prole. A alimentação baseia-se em presas selvagens e eventualmente domésticas, mas também em detritos. O lobo está hoje em vias de extinção; a vida média de um lobo em liberdade não ultrapassa, em média, os dez anos.

Gato-bravo no parque natural dos montes Sibillini

O gato-bravo (Felis silvestris) é o maior dos gatos domésticos: pode atingir um comprimento de um metro e 20 centímetros. Tem corpo robusto e esguio, agilíssimo, cabeça curta, arredondada, patas fortes e compridas, olhos amarelos. O seu pelo é espesso, de cor cinzento-fulva, mais clara no ventre. O gato-bravo tem hábitos noturnos e arborícolas, salta agilmente de ramo em ramo à procura de aves e pequenos mamíferos.

Linces nos montes do Lagorai

O Lince (Lynx) é um felino carnívoro de cabeça arredondada e orelhas pontiagudas, dotadas no topo de característicos tufos de pelos. Tem corpo ágil e robusto, que termina numa cauda bastante curta (com cerca de 15 centímetros num exemplar com cerca de um metro e 10 centímetros de comprimento); a pelagem dos linces é muito macia. Outrora muito difundido nas regiões temperadas e frias, o lince é hoje bastante raro. O diorama está ambientado no monumento natural de Perda ‘e Liana, geossítio costeiro situado numa área protegida pelo seu valor paisagístico e hidrogeológico.

Marmota no parque natural piemontês de Orsiera, Rocciavrè (Turim)

Sugestivo quadro da vida de alta montanha, com um animado grupo de Marmotas surpreendidas em diferentes comportamentos junto à entrada de uma toca. No alto volteiam algumas Gralhas, aves alpinas típicas.

Bufo-real na reserva integral de Sasso Fratino (Forlì)

Ao cair da tarde, na secular floresta de Faia desta célebre Reserva Natural dos Apeninos tosco-emilianos, surpreende-nos um magnífico Bufo-real que, de asas abertas, está a pousar no ato de agarrar um ouriço-cacheiro.

Tetraz na floresta estatal de Tarvisio (Udine)

Ambientado no coração da grande Floresta de Tarvisio, com um macho adulto de Tetraz, surpreendido na sua típica parada nupcial.

Lebre-variável e lagópode-alpino no parque natural de Argentera (Cuneo)

Ambientação invernal tendo como fundo o M. Gelas, nos Alpes Marítimos, com duas espécies alpinas típicas por excelência, que mostram, com a sua libré branca, a extraordinária adaptação ao manto de neve.

Coelho-bravo no parque natural do Etna

Tendo como fundo um dos cumes do Etna, o diorama apresenta um animadíssimo grupo de Coelhos-bravos junto a uma das suas tocas, escavada no terreno formado por uma antiga escoada de lava. Note-se a Giesta-do-etna em flor.

No garçal da ilha fluvial de Oldenico (Vercelli)

No Parque das Lame del Sesia observamos, do alto de uma árvore, uma típica cena de nidificação de Ardeídeos numa colónia de garças.

Comunidade ornitológica dos lagos costeiros do parque nacional do Circeo (Latina)

Ambientação invernal nas margens dos lagos costeiros do conhecido parque do Lácio, com várias Limícolas em migração. Estes lagos constituem uma zona estratégica para a conservação na Europa de algumas destas espécies de aves.

Colónia de nidificação de larídeos nas Valli di Comacchio (Ferrara)

É apresentada uma colónia de Larídeos a nidificar na praia de um charco salobro nas Valli di Comacchio. A cena está ambientada no fim da primavera e estão presentes o Garajau-comum, a Andorinha-do-mar-comum, a Chilreta, a Gaivota-de-cabeça-preta, a Tadorna e o Borrelho-pequeno-de-coleira.

A comunidade de micromamíferos no parque regional do Val Masino (Sondrio)

Biologia dos necrófagos (Nuoro)

Quadro ambientado o mais tardar em 1950 na floresta estatal de Montes, na província de Nuoro, sob o majestoso torreão do Novu San Giovanni, na Sardenha. Vemos uma cena de interação entre Abutre-preto, Grifo e Quebra-ossos, empenhados em consumir a carcaça de um Muflão. Ao lado, uma Raposa-sarda e várias aves. Nas últimas décadas, o Quebra-ossos e o Abutre-preto desapareceram da Sardenha.

A lebre no parque regional lombardo do Valle del Ticino (Milão)

Junto às margens do Ticino, num pequeno bosque de Carvalho-pubescente, observamos uma Lebre-europeia, surpreendida no momento da fuga. Observar, entre outras coisas, um grupo de Pintassilgos e, no tronco, o Torcicolo. Em baixo, camuflado na manta morta, um Noitibó.

A comunidade palustre de vertebrados na reserva natural do Lago de Mântua

Num recanto inconfundível do caniçal são visíveis algumas aves palustres características, entre as quais, da direita para a esquerda,, um Rouxinol-dos-caniços, surpreendido no ato de alimentar um jovem Cuco, alguns Chapins-de-bigodes e dois Rouxinóis-grandes-dos-caniços. Note-se na água, entre as folhas de Nenúfar, uma Cobra-de-água-de-colar e duas Rãs-verdes-comuns.

Cobra-rateira e sardão no parque regional do Finalese (Savona)

Sobre uma rocha do parque lígure do Finalese, em Capo Noli, assistimos a uma aproximação predatória de uma grande Cobra-rateira ao Sardão, o maior Lacertídeo europeu. A cena desenrola-se na primavera num ambiente de maquis mediterrânico.

A fuinha e o ouriço-cacheiro no parque regional do Promontório de Portofino (Génova)

Num local de transição, entre o bosque de folhosas (vertente norte) e o maquis mediterrânico (vertente sul) do Promontório de Portofino, vê-se uma Fuinha e o Ouriço-cacheiro num pequeno bosque de Aveleira e Freixo-do-maná. Nas árvores, o Arganaz e o Muscardino.

Graffiti & Street Art — Fotografia de rua

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Via Torino > Carrobbio

Piazzale Cordusio, Via Orefici

Piazzale Cordusio, Via Orefici

Piazzale Cordusio, Via Orefici

Piazzale Cordusio, Via Orefici

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Viale Monza > Precotto > Villa San Giovanni

Via Spoleto

Via Spoleto

Precotto, Via Val Gardena

Precotto, Via Val Gardena

Precotto, Via Val Gardena

Precotto, Via Val Gardena

Precotto, Via Val Gardena

Precotto, Via Val Gardena

Viale Zara

Viale Zara

Viale Zara

Viale Zara

Via Farini

Via Farini

Via Farini

Via Farini

Via Ugo Bassi

Via Ugo Bassi

Precotto - Viale Monza

Precotto - Viale Monza

Precotto - Viale Monza

Precotto - Viale Monza

Precotto - Viale Monza

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Via Domodossola

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Piazza Archinto

Via Pollaiuolo

Via Pollaiuolo

Piazza Baiamonti

Piazza Baiamonti

Piazza Baiamonti

Piazza Baiamonti

Piazza Baiamonti

Viale Zara

Viale Zara

Viale Zara

Viale Zara

Viale Zara

Graffiti & Street Art — Piazza Monte Titano

Piazza Monte Titano

O PAC da via Palestro

Via Conchetta

Graffiti & Street Art — KayOne

KAYONE no muro do Museu (trabalho por acabar)

KAYONE no muro do Museu (trabalho acabado)

Graffiti & Street Art — Performance (Museo della Scienza)

Performance A

Performance B

Graffiti & Street Art — Viale Sarca / Casa Loca

Viale Sarca

Casa Loca

Graffiti & Street Art — As tampas de esgoto de Montenapoleone

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 2

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 3

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 4

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 5

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 6

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 7

FLYING FORTRESS

Tampa de esgoto n. 8

FLYING FORTRESS

Tampa de esgoto n. 9

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 10

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 11

SHEPARD FAIREY

Tampa de esgoto n. 12

SHEPARD FAIREY

Tampa de esgoto n. 13

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 14

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 15

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 16

SPACE INVADER

Tampa de esgoto n. 17

RENDO

Tampa de esgoto n. 18

RENDO

Tampa de esgoto n. 19

RENDO

Tampa de esgoto n. 20

RENDO

Tampa de esgoto n. 21

THE LONDON POLICE

Tampa de esgoto n. 22

THE LONDON POLICE

Tampa de esgoto n. 23

THE LONDON POLICE

Tampa de esgoto n. 24

THE LONDON POLICE

Tampa de esgoto n. 25

THE LONDON POLICE

Tampa de esgoto n. 26

THE LONDON POLICE

Tampa de esgoto n. 27

Graffiti & Street Art — Quadros (Street Art Museum)

AIRONE — Burner

GATTO NERO — Snatch

GATTO NERO — Que dentro de mim ruge

SENSO — Eco insustentável

ATOMO — Phone

SCHIAVON — Alessio FB Untho

MAX GATTO — Redes neuronais

MAX GATTO — Distância entre A e B

MAX GATTO — A insustentável pesadez...

VIRE — Sem título (16)

LEO — Berbere

FLYCAT — Towers of glory

KAYONE — A origem da rede

MAMBO — Xamã no mundo de ....

RENDO — Conexões

EL GATO CHIMNEY — Silky

EL GATO CHIMNEY — Construção

EL GATO CHIMNEY — Em todo o lado

ERICSONE — Meucci's telephone checkup

ERICSONE — Busy

RAPTUS — Detroit St, ,,,,,,,,

MR. WANY — Dr, Spok e o teletransporte

MR. WANY — Strange Universe

MR. WANY — Space from funk

TAWA — Ouro negro

TAWA — Braille

SEA CREATIVE — Untitled

SEA CREATIVE — Oportunidade

Graffiti & Street Art — Os artistas

Airone

«Ao rever as últimas coisas que pintei fiquei surpreendido, mas não espantado, ao constatar que a elaboração de uma linguagem expressiva cada vez mais pessoal me reconduziu pouco a pouco àquilo que sei fazer com mais naturalidade: o uso de palavras e frases, ora diretas, ora irónicas e alusivas, no interior de composições criativas de natureza variada. Lembro-me de quando, nos muros de Milão no início dos anos 90, costumava inserir aforismos em latim ou provérbios em dialeto milanês no contexto de clássicas peças de writer puro, suscitando uma certa curiosidade tanto nos outros artistas de rua como no público comum: procurava sempre atenuar a minha caligrafia de “escritor urbano”, transformando-a numa que também o público mais vasto pudesse compreender com facilidade. Hoje, dizia eu, parece-me ter recuperado pelo menos em parte esse processo comunicativo. A força das palavras parece agora a única capaz de opor uma barreira, ainda que frágil, à cada vez mais rápida deterioração da oferta de estímulos cognitivos, comprimidos num circo visual sustentado e dopado pelo marketing da criatividade a todos os níveis. Criatividade por vezes genuína, mas muitas vezes tornada estéril por uma repetição forçada com fins lucrativos, que acaba por esvaziá-la de qualquer resíduo de significado. As palavras, pelo contrário, continuam a incomodar, a criar dissidência, a gerar opinião pública independente».

Atomo

Davide Tinelli dedica-se há vários anos à urban art e, ao longo da sua atividade, recebeu diversos prémios. Expôs em várias ocasiões em Itália e em Espanha. Participou também em diversas exposições coletivas, entre as mais significativas: Street Art Sweet Art no PAC de Milão, a mostra Nuova Figurazione Italiana em Bollate e a exposição intitulada Scala Mercalli no auditório de Roma. Participou ainda recentemente no Encontro internacional da cultura do Mediterrâneo, em Argel.

El Gato Chimney

El Gato Chimney nasce em Milão em 1981, onde vive e trabalha. Paralelamente aos estudos de design gráfico editorial, inicia a sua carreira artística como autodidata, desenvolvendo um interesse precoce pelos graffiti, que o levam a produzir com sucesso no âmbito da street art, que ainda cita entre as suas maiores influências estilísticas, juntamente com a cultura steampunk e o surrealismo. Quem «mergulha» nas obras de El Gato Chimney dificilmente esquece o seu mundo, no qual muitas vezes campos cobertos por uma doce cobertura cor-de-rosa dão lugar a ambientes que lembram parques de diversões abandonados, a escorrer desolação e ferrugem – um mundo aparentemente desabitado por seres humanos, que serve de casa a bules voadores e a criaturas de metal flutuantes. Mas atenção, porque nas suas obras nada é o que parece e nada é deixado ao acaso: o objetivo do artista é tornar ativo o papel do observador, colocando-o perante uma pintura de múltiplos significados. No fim, números e símbolos disseminados pela pintura poderão talvez oferecer a solução do enigma. Seguramente convidam a mergulhar em cada pequeno pormenor destas paisagens oníricas, cheias de cores brilhantes e de criaturas incrivelmente vivas, que só estão à espera de vos contar a sua versão da história.

Ericsone

«Movido por uma sensação mais do que por uma ideia sensata», Maurizio Ricucci, cujo nome artístico é Ericsone, nasce em Milão em agosto de 1983. Linhas enormes e expressões para lá do grotesco são já a sua imagem de marca: corpos elásticos encaixados em blocos de letras e línguas enormes atravessados por onomatopeias típicas da Marvel Comics; tintas ultraplanas enterram o universo de nuances das gamas cromáticas. «Peguem num ambiente de desenho animado e fechem-no dentro de uma caixa com personagens que parecem saídas de um filme pulp de Quentin Tarantino, depois metam lá dentro um êxito como “Ring My Bell” de Anita Ward, agitem tudo muito bem e obterão o ingrediente XXX para aceder ao mundo de Ericsone (banda sonora incluída)». Em agosto de 2009 colabora num projeto de música experimental com o pseudónimo de BoogieVandal; entre produções artísticas e musicais, consegue fundir o funk com a ilustração, alcançando finalmente um bom ponto de partida para aquela que será a sua futura evolução estilística.

Flycat

Flycat, de nome civil Luca Massironi, nasce em Milão em 1970. Descobre a cultura Hip Hop e a arte Spray no início dos anos 80; no mesmo período conhece em Milão o mestre nova-iorquino «A-One» (conhecido expoente, com Basquiat, Cutrone e Rammelzee, da Vanguarda nova-iorquina dos anos 80, falecido em 2001), com quem aprende os fundamentos sobre os quais desenvolverá o seu estilo pictórico. Flycat é reconhecido como figura de destaque do panorama Hip Hop/Spray Art a nível internacional. No início dos anos 90 decide dar um nome ao estilo de pintura que ia desenvolvendo: Pzyco Futurizm, uma referência devida também a uma tradição importante como o ‘Futurismo’ e a ‘poesia visual’, cuja energia ainda é percetível na nossa cidade. Pzyco Futurizm não é só pintura, cor e formas, mas é também som, poesia rap. «No meu percurso tive o prazer e a honra de conhecer e aprender com aqueles que considerava e ainda hoje considero os maiores ‘Mestres’ deste maravilhoso Movimento artístico/cultural, num tempo em que ainda não havia Web e em que um aperto de mão ainda encerrava toda uma série de valores. Esta arte é a minha vida, sem a qual eu não existiria, e é por isso que Lhe estou grato todos os dias».

Gatto Nero

Alias Alessandro Gatti, nascido em Milão em 1973. «Uma rede é um conjunto de transportes, condutas e cabos que nos permite fazer chegar as coisas mais variadas ao ponto onde são necessárias. Dou-me conta de que o planeta Terra precisa de uma enorme quantidade de coisas nos pontos mais variados, e de que não só todos estes objetos têm de chegar ao local e a horas, como, antes de chegarem, tem de partir um pedido do ponto de necessidade e chegar a tempo ao destino. E dou-me também conta de que construir uma rede tem um custo e de que, por isso, quem a constrói cobra uma portagem que normalmente deveria limitar-se ao custo de construção e de gestão da estrutura. E dou-me ainda conta de que a tendência geral é entregar a gestão das redes a sociedades que garantem o perfeito funcionamento do mecanismo. Mas infelizmente dou-me conta de que quase sempre as coisas não são assim tão simples. O nosso planeta está envolto num novelo tão denso e complexo que se torna impossível geri-lo. O resultado é uma gigantesca e pegajosa camada viscosa que cobre o planeta de forma quase aleatória e que, em vez de distribuir os recursos, os dispersa, criando desperdícios e perdas que deixam zonas imensas completamente a seco. Como artista, tenho a tarefa de descrever este sistema caótico e sei que não consigo ver muitas das peças; estão vazias, e assim deixo-as nos meus quadros com um branco liso e brilhante que contrasta com a camada matérica de realidade sobre a qual emerge a figura de uma mulher, tornada ainda mais fascinante por ser vista apenas aos pedaços».

KayOne

KayOne, de nome civil Marco Mantovani, é ao mesmo tempo um malabarista, um artista e um mago, que no seu laboratório visual mistura sem solução de continuidade colas, terras, areias, pigmentos, lacas, esmaltes, spray, vernizes, e depois metais, madeira, tela, papel, segundo uma receita que parece ao mesmo tempo antiquíssima e absolutamente nova e original, inteiramente lógica e coerente e, no entanto, sempre diferente das anteriores; uma receita de manipulação da matéria e da forma que só ele conhece e sabe reproduzir magicamente de cada vez, e graças à qual manipula, mistura, amassa e transforma o próprio sentido, o mais profundo, da forma. Pintor ao mesmo tempo instintivo e extremamente controlado, KayOne sabe de facto construir o quadro com uma camada mista de calor e, ao mesmo tempo, de frieza: é o calor de uma pintura que vive de um gesto rápido, imediato, vibrante, e de uma matéria encorpada, estratificada, magmática, sumamente viva e pulsante. Através de uma mistura de dinamismo estudado e de gestualidade calculada, de calor e de frieza, de cálculo quase matemático e de fortíssima emotividade, deste cruzamento de transbordante energia visual e de perfeito domínio da imagem final nascem a originalidade e a força da pintura de KayOne

Leo

Leonardo Montemanni nasce em Asmara, na Eritreia, a 8 de junho de 1971. Em 1988 dá-se o encontro decisivo com o Graffiti ou «Writing». O graffitismo, acabado de desembarcar na Europa, representava aos olhos dos primeiros pioneiros, como Leonardo, uma cultura fascinante e misteriosa. Leonardo utiliza aquilo que aprendeu para estruturar projetos sociais, culturais e educativos em bairros de alto risco da sua cidade e província. Leonardo Montemanni tem uma orientação estilística figurativa que, no graffitismo, dá os primeiros passos na chamada corrente «aerosol-art», o uso aerográfico da lata de spray. O seu forte são os puppets, as personagens que animam as grandes composições murais chamadas «Hall of fame». A par dos figurativos, Leo prossegue um estudo estilístico da letra, experimentando as mais variadas técnicas e indo dos históricos «throw-ups bubble style» até às formas evoluídas de «wildstyle» e às primeiras experiências de «3D» e hiper-realismo em Itália. Os temas tratados por Leonardo são sobretudo as crianças, retratadas durante o sono ou em momentos de brincadeira; é a tentativa de procurar um canal comunicativo que, através da pintura, crie um contacto direto com uma parte íntima presente em cada um de nós: o sonho como elemento de ligação entre o racional e o espiritual.

Mambo

Elvis Pregnolato, cujo nome artístico é Mambo, nasce em Cles (TN) em 1974, mudando-se poucos anos depois para as colinas da província de Bolonha, onde vive com a mãe, também ela pintora, que desde logo o incentiva a desenvolver o seu precoce talento artístico. Os principais elementos que distinguem o percurso artístico de Mambo e lhe determinam o fascínio e a singularidade no seio da cena street art italiana residem na habilidade e no interesse pelas contínuas descontextualizações, com um estilo peculiar, irónico e dessacralizador, que conjuga Dada e Pop art. Outra característica é o gosto acentuado pela execução pictórica, em busca daquela perfeição e cuidado com os mínimos pormenores que é bem evidente em cada uma das suas obras, quer se destinem à reprodução realista, quer à abstração. Todas estas características são frequentemente postas ao serviço da mensagem autoafirmativa típica do writing, perante o qual Mambo se posiciona de forma invulgar, realizando surpreendentes «ready made», que deixam transparecer uma sombra de ironia, e dando vida a um jogo de remissões em que a figura, o lettering e o objeto encontrado são muitas vezes integrados uns nos outros, acabando por se fundir na aquisição de um novo e poderoso código expressivo.

Max Gatto

Alias Massimiliano Gatti, nasce em 1973 em Milão, onde vive e trabalha. Inicia a sua atividade artística trabalhando no campo da ilustração e da banda desenhada. Ao longo dos anos, juntou à atividade de ilustrador um trabalho de pesquisa pessoal, realizando telas, esculturas e instalações com as quais participou em inúmeras exposições, entre as mais significativas e recentes: em 2006 participa, realizando uma série de wall paintings, na manifestação My name is na Triennale Bovisa de Milão; em 2007 participa na mostra Street Art sweet art, com curadoria de Alessandro Riva, no PAC, Padiglione di Arte Contemporanea, de Milão, e no mesmo ano participa na etapa milanesa da digressão mundial da Cowparade do escultor suíço Pascal Knapp. Nos últimos anos o artista dedicou-se principalmente ao wall painting, realizando trabalhos para a Universidade Bocconi de Milão, a Mediaset e outros. Depois de conhecer Raptuz, passa a fazer parte da famosa TDK Crew de Milão, com a qual organiza iniciativas como L.A. Goldrush, em Los Angeles, e nelas participa.

Mr. Wany

Andrea Sergio nasce em Brindisi em 1978. A sua pintura nasce da experiência metropolitana do writing, da paixão – e antiga profissão – pelos desenhos animados japoneses e pelas mais recentes técnicas gráficas, e da sua vulcânica personalidade criativa. Salta logo à vista a originalidade da sua pesquisa e experimentação cromática; utiliza modos e técnicas variados, criando sínteses insuspeitadas e fluidas entre escorridos de cor, tags, pensamentos escritos estilizados ou criptografados e desenhos fantásticos, surreais, oníricos. Inventa um mundo onde vivem novos símbolos e personagens, um mundo enfatizado, deformado, desconstruído, no qual o artista «descola» os seus temas do suporte mural, arrastando-os para a tela ou transformando-os em toys e instalações. É assim que chega, portanto, a fazer «ressuscitar» também objetos sem vida, fragmentos de rua como colchões, frigoríficos, máquinas de lavar, televisores, recuperando-os nas lixeiras e transformando-os em anjos, bonecas fellinianas, animaizinhos um pouco ternos e um pouco cínicos, apelos sensuais e sexuais. Tudo é executado com grande ironia, com o jogo dos pensamentos que redimensiona a realidade e experimenta novos horizontes; e é assim que a sua arte flutua no universo das mais dinâmicas linguagens contemporâneas.

Raptuz

Raptuz, de nome civil Luigi Muratore, nasce em 1968 nos arredores de Milão e desde pequeno entra em contacto com as realidades de uma periferia desfavorecida e não propriamente «tranquila». Em 1990 funda com um grupo de artistas a TDK Crew, que em pouco tempo se torna um verdadeiro mito no meio do writing italiano. A Crew, conhecida tanto pelos inúmeros trabalhos por encomenda como, e sobretudo, pela sua «parte obscura», como o artista gosta de definir a atividade «não propriamente autorizada» em comboios e metropolitanos, continua ainda hoje a ser um ponto de referência no panorama italiano. A pintura de Raptuz reflete uma existência cada vez mais sofrida, própria da época moderna, estabelecendo relações estreitas com a linguagem informal e com o cromatismo de Pollock. O informal não está tanto no traço quanto na matéria, que evoca a rugosidade do muro em bruto, resolvendo-se no gesto forte e em cores que se acendem de uma carga simbólica. Elementos gráficos, elementos figurativos, inscrições quase propagandísticas, sinais, gestos, matizes, sobreposições e salpicos coexistem como elementos em diferente relação entre si, parte de um mundo pessoal, infinitamente variável, interpretável segundo infinitas perspetivas, apesar da aparente continuidade da orientação de base.

Rendo

Renato Di Lorenzo, cujo nome artístico é Rendo, inicia a sua aventura no mundo da cultura hip hop aos 15 anos, fulminado pela energia do break dance e dos graffiti vistos no filme Beat Street e na exposição Arte di Frontiera. Depois de ter praticado durante quase dez anos a tradicional atividade de writer, Rendo empreende um novo ciclo da sua formação pessoal, aproximando-se do mundo do design, primeiro como estudante, até chegar ao ensino. Esta experiência muda inevitavelmente a sua visão original do mundo dos graffiti, desencadeando um longo período de reflexão e de repensamento dos cânones estéticos utilizados no passado e levando-o à escultura, primeiro das letras e depois de elementos abstratos. Neste último ano explorou as potencialidades das pintoesculturas, que lhe permitem representar de modo semibidimensional, e com maior liberdade expressiva, as suas estruturas espaciais, que por vezes se tornam complexos sistemas de narração.

Schiavon

Alessio Schiavon nasce em Madonna di Campiglio em 1975. A cultura DIY (Do it yourself) aplicada aos estudos de design gráfico transforma autocolantes e cartazes no seu meio natural de expressão criativa. «Quando cheguei à cidade, o que mais me impressionou foram os rostos e as expressões das pessoas, marcados pela vida na metrópole e em parte mascarados... todos pareciam querer aparentar aquilo que não eram. Comecei assim a pintar estas pessoas usando suportes apanhados na rua, como cartões, portas de armários, pedaços de madeira, etc...» Nasce assim o projeto de propaganda «Untho». A palavra «Untho» nasce do conjunto destas ideias e serve para definir os primeiros trabalhos de Alessio. Untho é de facto um falso acrónimo das palavras: UrbaN TrasH Optimized. A palavra «Urban» representa a cidade, pois o tema principal dos trabalhos de Alessio são precisamente as pessoas que nela vivem. «Trash», ou seja, lixo, refere-se aos elementos que recolhe da rua. «Optimized» refere-se, por sua vez, às fotografias dos quadros preparadas para serem publicadas no seu site, untho.net, otimizadas. Começou assim a simplificar as linhas dos seus trabalhos até obter a silhueta de Untho, juntando-lhe depois uma mensagem: «Untho is never tired». É uma mensagem clara, provocatória, que exprime a tensão que Alessio vê nos rostos das pessoas. Começa a imprimir cartazes e autocolantes em casa para depois os colar na rua. Entretanto viaja para fazer snowboard (dez anos como profissional, ainda hoje apoiado por algumas das mais importantes empresas do mercado) e em cada lugar visitado deixa um cartaz/autocolante Untho. Hoje Untho não é apenas um projeto artístico, mas também uma linha de vestuário em que quem compra uma t-shirt se torna porta-estandarte de uma mensagem: Untho is Never Tired.

Sea Creative

Fabrizio Sarti, cujo nome artístico é Sea, nasce em Varese em 1977. Em 2000 decide transpor todas as experiências amadurecidas na rua para suportes mais tradicionais, como telas, painéis de madeira e vestuário, dando assim início, inconscientemente, ao projeto SeaCreative. Nesta nova dimensão artística, Sea dá cada vez mais espaço ao estudo das suas personagens, que pouco a pouco se tornam as protagonistas indiscutíveis dos seus trabalhos. Sea retrata quase sempre personagens que afloram na sua mente, fruto dos estímulos metropolitanos que uma cidade como Milão pode dar, mas vistas e revisitadas em registo de banda desenhada. São personagens vagamente desajeitadas e decadentes, imortalizadas para sempre na tela no momento do seu encontro com a mente de Seacreative; figuras que emergem de grandes fundos planos com vistosos escorridos de cor e que muitas vezes conservam o branco da tela; homens para sempre prestes a dizer alguma coisa, com a atitude um tanto arrogante e fanfarrona de quem, ao encontrar-te, te diz: «what's up dude?». O trabalho de SeaCreative responde fundamentalmente à urgência irrenunciável de pintar. Não há superfície, material ou espaço que não possa ser saturado com as suas personagens de ar distante. Rostos escarninhos que lembram a quem passa que todo o espaço que não preenchemos com a arte é inevitavelmente oferecido ao nada.

Senso

Alessandra Odoni, cujo nome artístico é Senso, nasce em Bérgamo em 1977. «Fazer street art é sobretudo um tipo de abordagem, é a cultura de trabalhar “fora”, muitas vezes longe das clássicas folhas, quadros e suportes que criam “molduras” bem definidas, tanto físicas como concetuais. A rua não tem molduras e, se as tem, são momentos de um olhar que passa distraído e inconstante como o humor. O fora é algo de “vivo”, é um organismo que se modifica a cada instante, independentemente de eu decidir intervir nele ou não; é uma vida que não para, ao contrário de um quadro quando a obra está terminada, mas continua a migrar e a evoluir. Procuro um diálogo com os espaços, dilato a moldura para a fazer desaparecer, prefiro os lugares abandonados, porque aí são o ambiente e o correr do tempo que mandam, e não a cidade com as suas paredes verticais mais ou menos belas, mais ou menos decorativas. Mais do que uma artista, sinto-me uma arqueóloga ou uma cirurgiã que disseca cadáveres (neste caso tecidos urbanos); uso uma linguagem surreal, ilustrativa e de banda desenhada para contar a fanta-realidade em que vivo». Ritratti collettivi immaginari, Eco insostenibile e Slow Connection são os três trabalhos apresentados para a exposição no museu. Utilizei uma mistura de técnicas artesanais e digitais, tal como de suportes (papel, cartão, madeira e película de PVC). Neste caso aprofundei em chave simbólica a realização de alguns nós. Os três trabalhos retomam a minha paixão pelos livros técnicos, pelos esquemas e pelas ilustrações médicas e científicas. O meu olhar sobre tudo isto é de leiga; observo estas ilustrações de maneira muito desencantada, mas, apesar disso, considero-as muito poéticas e ricas em pistas interpretativas.

Tawa

Nascido em Milão em 1973, onde vive e trabalha. O artista aproxima-se da Aerosol Art a partir de 1990, iniciando o seu percurso artístico com práticas quotidianas de writing, pintando letras em carruagens de comboios e muros com o seu estilo original e inovador: o Anatomic Style. O nome deste estilo nasce do entrelaçar de ossos e partes orgânicas que formam letras dispostas de forma simétrica. É assim que se dá a conhecer no panorama artístico italiano e não só. A partir de meados dos anos 90 participa em várias convenções e, ao mesmo tempo, realiza diversos trabalhos por encomenda para a IBM, a Perugina, a Timberland e outros. Em 1999 e em 2001 é convidado a expor os seus quadros no Airbrush de Milão e a partir desse momento começa a pintar intensamente sobre tela.

Vire

Raffaele Collu, nascido em 1976, vive e trabalha em Milão. Inicia a sua carreira artística como writer, pintando letras e dinâmicas nas mais variadas superfícies da sua cidade. Daí o interesse pela matéria e pelos sinais. Um período de completo isolamento leva-o a desenvolver um interesse pela natureza, que se torna o foco da poética do artista. O ponto de partida é um gesto pictórico muito forte que remete para a caligrafia do Extremo Oriente. Segue-se um trabalho estratificado, uma série de «limpezas», destinado a definir pormenores e, ao mesmo tempo, a deixar transparecer parte do trabalho inicial, recomeçando com um traço simples, rápido, e colorações desmaiadas. As últimas produções do artista apresentam na parte inferior zonas de sombra cada vez mais marcadas, uma espécie de alma da qual nasce a composição e em nítido contraste com esta. Fundamental é a influência da estética tradicional oriental e da teoria das cores de J.W. Goethe.

Exposições — Marco Rotelli

Marco Rotelli na Besana

Marco Rotelli no Palazzo Reale

Marco Rotelli - Orbita Teatrale

Fonte
Site thais.it de Bruno Balestrini
Este texto foi traduzido do original italiano com a ajuda da inteligência artificial (Claude). Ler a versão italiana.