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Bruno Balestrini/ Cidades italianas/ Roma
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Roma

Roma

fotografias de B. Balestrini

ROMA, Roma, nome famoso e único com o qual foi em todos os tempos e junto de todas as nações chamada a CIDADE que sempre foi, sob os seus vários aspetos, rainha do universo, e que, entre a imensa multidão dos seus louvadores, Ateneu não hesitou em qualificar, com bela perífrase, de Orbis compendium; e vão se revelou, para algum soberbo imperador, o desígnio de lhe renovar o título, pois ou prevaleceu o antigo ou bastou a palavra genérica Urbs, sem outro acrescento, para a designar por excelência. Ergue-se Roma, cidade metrópole do culto católico, capital dos Estados da Igreja e cabeça da comarca do seu nome, à lat. N. (no Collegio Romano) de 41° 53’ 54” e à long. E. (no mesmo ponto) de 10° 9’ 32”. Encontra-se no S. do Estado Eclesiástico, nas duas margens do Tibre, a 5 léguas da foz deste rio no mar Tirreno, a 40 léguas a N.O. de Nápoles e a 250 léguas a S.E. de Paris. Residência do Papa e sede do Sacro Colégio dos cardeais, tem um tribunal supremo de cassação, chamado da Segnatura, e dois tribunais de apelação, chamado um tribunal da Câmara Apostólica e o outro tribunal da Rota. – O Tibre, correndo de N. para S., divide Roma desigualmente, sendo a parte oriental, ou situada à esquerda do rio, a mais considerável. O circuito da cidade, marcado por uma muralha, é de pouco mais de 5 l., e o comprimento do recinto mede 1 légua e 1/3, de N.O. a S.E., e a largura máxima menos de 1 légua, de N.E. a S.O. Dois terços deste espaço, a E. e a S., são ocupados por vinhas, por campos de trigo, por casas de veraneio com os seus jardins. Das sete colinas à esquerda do Tibre sobre as quais fora edificada a antiga Roma, só o monte Capitolino está coberto de casas; os montes Quirinal, Viminal e Esquilino só o estão em parte, e os montes Palatino, Aventino e Célio permanecem quase nus. A massa das habitações está hoje encerrada entre o Tibre a O., o monte Quirinal a E., o monte Palatino a S. e o monte Pincio a N.E. A parte à direita do Tibre, apoiada sobre duas colinas, o Janículo a S. e o Vaticano a N., não oferece senão dois grupos principais de casas, um a N.O., o outro a S.E.; há muitas terras cultivadas nas partes superiores das colinas. – As porções mais bem construídas da cidade são a extremidade N. da divisão situada à esquerda do rio e o bairro do Borgo, no N.O. da divisão da margem direita. Há em geral em Roma muitas casas soberbas honradas com o título de palácios; mas o olhar fica por vezes desagradavelmente ofendido pelo contraste que elas formam com as mesquinhas casinhas que as rodeiam; por outro lado, todos ficam tomados de maravilha e de uma espécie de respeito à vista dos numerosos monumentos antigos e modernos tão pitorescamente disseminados por aquelas colinas e pelos vales, que, segundo a observação de um artista judicioso, parecem dispostos para dar à arquitetura ocasião de ostentar o que tem de mais belo. Esta antiga rainha do mundo tem um aspeto grave, triste e quase fúnebre, e não ressoa com o movimento e o estrépito de uma grande capital. – O Tibre, de curso rápido e de águas turvas, tem em Roma uma largura média de 300 pés e forma nela 2 curvas, a mais setentrional voltada a O. e a mais meridional a E.; encerra a ilha de San Bartolomeo e atravessa-se por 4 pontes: a N., a ponte Sant’Angelo ou Élia, de construção moderna e elegante e encimada por estátuas de mármore, defronte do castelo de Sant’Angelo; ao meio, a ponte Sisto; a S., as pontes Quattro Capi ou Fabrício e Céstia ou de San Bartolomeo, que unem a ilha deste nome à terra firme. Veem-se os restos de 3 pontes arruinadas: a ponte Vaticana a N., e as pontes Palatina ou Rotta e Sublícia a S. Há poucos cais propriamente ditos. Na margem direita, para S., encontra-se um porto bastante comprido a que chamam porto de Ripa Grande, e notam-se na margem esquerda, a N., os portos da Legna e de Ripetta. – As ruas de Roma são em geral bastante largas, e nos bairros em que as há estreitas e irregulares o ar não é de modo nenhum viciado, graças à pouca altura das habitações; muitas são longas e retas, e frequentemente rematadas por um obelisco, por uma fonte ou por uma igreja. As três mais notáveis partem, divergindo, da piazza del Popolo, situada na extremidade N. da parte oriental da cidade: a strada di Ripetta dirige-se para S.O., a strada del Babuino, continuada pela piazza di Spagna e pela via de’ Due Macelli, para S.E., e a strada del Corso para S.: é este o principal passeio de Roma e o teatro dos folguedos carnavalescos, e mede cerca de ¼ de l. de comprimento. Entre as outras ruas da mesma parte distinguem-se a via Maggiore, continuada pela via San Lorenzo Pane e Perna; a strada de’ Condotti, que vai da strada del Corso à piazza di Spagna; a via Giulia, que ladeia a margem esquerda do Tibre; finalmente a longa rua que corre de N.O. para S.E. sob os nomes de Sistina, via Felice, via delle Quattro Fontane, e se prolonga, entre campos e vinhas, até à extremidade S.E. de Roma. Na parte à direita do Tibre observa-se a via della Lungara, paralela ao rio, com o Borgo Pio e o Borgo Vittorio, que vão de E. para O. no N. do bairro do Borgo. As casas de Roma são parte de pedra, parte de tijolo, e frequentemente revestidas de estuque; o mármore é nelas menos comum do que nas cidades do N. de Itália. (...) – E, começando por falar, com o já louvado Castellano, da Roma antiga e profana, a colina do Palatino aponta-nos o seu berço. À volta desta, onde se diz que existiu primeiro um aglomerado de casebres chamado Pallantia, o fundador, fosse ele Rómulo ou outro chefe de gente de várias proveniências, traçou o humilde fosso que lhe constituía o recinto, pouco a pouco alargado quando, depois da paz com os Sabinos, Tito Tácio partilhou o reino, até nele incluir a próxima colina Satúrnia; duplo outeiro assim chamado da cidade preexistente, um dos quais foi depois dito Tarpeio (hoje Caprino) por causa da virgem dele precipitada, e ambos tornados depois imortais pelo fausto presságio tirado da cabeça humana ali desenterrada, donde se chama Campidoglio, capitolium, e uma parte do Aventino, ainda coberto pelo bosque sagrado onde o voo das aves dava matéria aos prodígios augurais. Tendo a destruição de Alba Longa duplicado a nascente população, Túlio Hostílio decidiu-se a encerrar a colina chamada Querquetulana, pelos espessos carvalhos, e depois Célio, de um poderoso chefe etrusco que a escolheu para sua morada. Em seguida Anco Márcio, depois de ter povoado com os vizinhos vencidos o resto do Aventino, não por falta de espaço, mas para tirar aos inimigos uma posição vantajosa, a partir da qual os Romanos eram frequentemente perturbados, ocupou uma parte do Janículo, onde se crê que, noutra cidade chamada Antípolis, em tempos remotos um Jano teria reinado. Assim teve início, transposto o Tibre por meio da primeira ponte, formada de traves unidas, chamada Sublícia e tornada memorável por feitos bélicos, o bairro do Trastevere em solo etrusco, e viram-se erguer nas alturas os mais antigos baluartes romanos. Bem maior aumento, porém, exigiam a progressiva prosperidade e a crescente multidão romana. Por isso Sérvio Túlio compreendeu no perímetro ampliado as duas colinas do Quirinal e do Viminal, cuja divisão, já não aparente, era traçada pela antiga porta Collina, e dali partiu esse rei a encerrar as bifurcadas Esquílias, o primeiro ramo das quais ia do foro de Trajano até à porta Esquilina, e o outro se estendia da moderna basílica Liberiana até à célebre via Labicana, que separava a dupla colina do Esquilino do Célio; e no vão entre os dois ramos erguia-se a eminência da Suburra. Tal foi a cidade então chamada das sete colinas, porque sete precisamente compreendiam por inteiro as novas muralhas torreadas, não se incluindo nelas a parte murada do Janículo situada para lá do rio. (...) A antiga Roma dividia-se em catorze regiões, que tomavam o nome da porta Capena, da Celimontana, do templo de Ísis e Serápis Moneta, da via Sacra, da Esquilina, da Alta Semita, da via Lata, do foro Romano, do circo Flamínio, da colina do Palatino, do circo Máximo, da Piscina Pública, da colina do Aventino e do Trastevere. Uma das mais faustosas magnificências de Roma era o Palatium, isto é, a habitação de Augusto, à qual estavam unidos o templo de Apolo e a rica biblioteca palatina. Os Césares que se seguiram embelezaram e ampliaram à porfia este seu paço, mas quem nele desdobrou o maior fausto foi o imperador Nero, de quem recebeu o título de Casa Dourada. A sua estátua colossal de mármore decorava-lhe o vestíbulo: três mil colunas sustentavam o grande pórtico, e nas inúmeras salas viam-se largamente profusas as esculturas, os metais, as gemas. Os jardins, os banhos e um lago, todo cercado de belos edifícios, variavam-lhe o aprazível aspeto; nem o Palatino sozinho bastou a tão grande mole, que, entrando-se nela pela via Sacra, se percorria toda a planície intermédia entre o Célio e o Esquilino, com parte ainda desta última colina, tendo-lhe sido unidos os jardins de Mecenas. Os imperadores seguintes circunscreveram-na de novo ao Palatino, e dos edifícios destruídos fora desse limite serviram-se Vespasiano e Tito para erigir as Termas, o Coliseu e outros monumentos públicos. De tamanha grandeza resta apenas a lembrança, pois a hera e o musgo cobrem aquelas ruínas abandonadas, e muitas delas encerram-nas os vizinhos jardins Farnesianos, a villa Spada, hoje possuída pelo inglês Mills, e o contíguo jardim do colégio inglês, de modo que se pode dizer que a área primitiva da cidade está agora totalmente deserta. Contavam-se em Roma 17 foros, e entre eles distinguiam-se pela amplidão e pela concorrência o foro Romano, o Boário e o de Trajano; 29 eram as vias principais, cuja comodidade e solidez ainda se admiram em muitos restos, e especialmente notáveis foram a Ápia, a Flamínia, a Cássia, a Aurélia, a Tiburtina, a Prenestina, a Ostiense, a Nomentana; 36 os arcos de triunfo, na maior parte construídos em mármore, com apreciáveis trabalhos de cinzel; 11 as basílicas onde se administrava a justiça, e famosa entre todas era a Úlpia, também pela sua copiosa biblioteca; 133 os templos consagrados à fantasiosa e inumerável multidão dos deuses trazida da Grécia, e os principais erguidos a Júpiter, entre os quais o admirável Panteão de Agripa, a Vénus, a Marte, a Jano e a Juno sob várias denominações, e dois à Fortuna, além de muitas aras e de um grande número daqueles a que se chamava Aedes sacrae e Aediculae; 9 circos, a saber, o circo Máximo entre o Palatino e o Aventino, o circo Flamínio a N.O. do Capitólio, o famoso circo Agonal ou de Alexandre, o circo Pinciano de Salústio, o de Flora na atual piazza Barberina, o de Heliogábalo junto às muralhas do Célio, o outro de Caracala na via Ápia exterior, e, fora da cidade, para lá do Tibre, os circos de Adriano e de Nero; 3 anfiteatros, a saber, o incomparável de Flávio Vespasiano, sobre o antigo lago e os jardins neronianos, que, pelo transporte para ali feito do colosso daquele imperador tirado da sua Casa Dourada, se chamou Coliseu, o Castrense, próximo dos jardins Varianos, e o de Estatílio Tauro, cujas ruínas formaram a eminência hoje chamada Monte Citorio; 6 obeliscos, além das duas famosas colunas cócleas e de outras menores; diversas naumaquias para os combates navais, apontando-se como principais as de Augusto, de Nero, de Domiciano; os teatros de Pompeu e de Marcelo; os mausoléus de Adriano e de Augusto, construídos com incrível magnificência nas duas margens do Tibre, na extremidade setentrional da cidade; os sepulcros de Rómulo, de Numa, de Caio Céstio, dos Cipiões; os muitíssimos e grandiosos aquedutos e os amplos reservatórios (Castellum) das águas Márcia, Júlia e Tépula. (...)

E primeiramente falaremos das termas, das quais tamanha era a vastidão, tão grandes o luxo e o esplendor, que Amiano Marcelino, atónito, as definiu: Lavacra in modum provinciarum extructa (Banhos construídos à maneira de províncias). Chegaram a contar-se doze: (...) edifícios imensos destinados ao banho e aos exercícios ginásticos. A primeira parte continha no seu recinto os locais para o banho quente, tépido ou frio, e até 3,200 pessoas podiam banhar-se ao mesmo tempo nas de Diocleciano. Havia depois salas para se expor às várias temperaturas do ar, desde o céu aberto, gradualmente, até ao sudatório, laconicum; depois os locais para depor as vestes e, finalmente, celas unguentárias. Preciosas eram as decorações da segunda parte, onde se encontrava tudo quanto pudesse recrear o espírito: alamedas ornadas de árvores para delicioso passeio, estádios para os espetáculos e os jogos, bibliotecas, museus, salas de declamação. Para se ter uma ideia da abundância de colunas, esculturas, mármores e outros requintados ornamentos ali profusos, basta dizer que, com os restos desenterrados de uma só destas termas, ou antes paços, se embelezam exuberantemente muitíssimos edifícios modernos; e, quanto à grandeza, as termas de Caracala e de Diocleciano ultrapassam, na circunferência, os 4,200 pés. (...)

À esquerda do Tibre encontra-se Roma propriamente dita, e confinam com esse rio, a N., os seus bastiões, havendo desse lado três portas, a primeira chamada del Popolo, correspondente à Flamínia, a segunda Salara, a terceira Pia; a E., dão acesso as três de San Lorenzo, Maggiore e San Giovanni; a S., as duas de San Sebastiano e San Paolo, e não longe desta última a muralha alcança a margem do Tibre na falda meridional do Testaccio. A parte direita do rio compreende o bairro do Trastevere, prolongado até ao princípio da cidade Leonina por meio da via Lungara, que do arco aberto da porta Settimiana conduz ao da porta Santo Spirito. No lado S.O. começa a muralha que lhe fecha o circuito, interrompida pelas duas portas, a saber, a Portese e a de San Pancrazio; prossegue depois alargando-se muito para O. e termina com as fortificações do castelo de Sant’Angelo, situadas a N.O. sobre o mesmo Tibre; deste lado, quem percorre o pomério vê o vestígio das outras duas portas intermédias, emparedadas em diversas épocas. O perímetro é, como dissemos, de cerca de 5 léguas; mas a parte habitada, que fica toda a N.O., na planície adjacente ao rio, não excede as 2 léguas, encontrando-se no restante grandiosas villas, elegantes jardins e muito terreno destinado à horticultura e às vinhas. O gradual e insensível abatimento das colinas, as frequentes ruínas dos edifícios e outras causas semelhantes surgidas no longo decurso dos séculos elevaram o nível da Roma moderna (que se encontra agora à altura média de sessenta pés de Paris acima do nível do mar), como se observa nas contínuas escavações feitas para encontrar, a alguma profundidade, as ruas, os pavimentos e as bases das colunas. (...)

A Roma moderna conserva a mesma divisão em catorze partes que o imperador Augusto efetuou, não tendo mudado senão os nomes e os limites. Chamam-se Rioni e denominam-se pela ordem seguinte: Monti, Trevi, Colonna, Campo Marzo, Ponte, Parione, Regola, Sant’Eustachio, Pigna, Campitelli, Sant’Angelo, todos à esquerda do rio, encontrando-se à direita os outros três, Ripa, Trastevere e Borgo, no último dos quais está compreendida toda a cidade Leonina. (...)

Abre-se em círculo uma vastíssima praça, e ao lado da porta, à esquerda de quem entra, ergue-se a igreja de Santa Maria del Popolo, que deu nome a todo o bairro e que encerra no seu interior, entre mil ricos ornamentos, as capelas Ghigi e Cibo, ricas de mármores, metais, esculturas e pinturas, com o contíguo convento de Eremitas de Santo Agostinho, vendo-se nela também belos sepulcros do século XI. A este edifício faz graciosa simetria, do lado oposto, um amplo e decoroso quartel há pouco construído, a que está anexa a sala destinada à exposição pública das obras louvadas de jovens artistas. Dois hemiciclos, ornados de esfinges de mármore, descrevem a periferia deste foro, e erguem-se nas extremidades deles as quatro estações, esculpidas com perícia de arte por engenhosos discípulos. Eleva-se no centro o obelisco egípcio de 108 palmos de altura, apreciável não menos pela matéria de granito vermelho do que pelos hieróglifos de que está coberto; traz as marcas, já não duvidosas, da primeira época dos Faraós e, depois de ter embelezado Heliópolis, onde se erguia consagrado ao Sol, e em seguida o circo Máximo no tempo de Augusto, foi desenterrado daquelas ruínas no reinado de Sisto V e aqui posto de novo a brilhar; serve-lhe de base um pedestal de 37 palmos, e sobrepujam-no quatro leões que lançam copiosa água em bacias colocadas por baixo, novos e esplêndidos ornamentos que nestes dias foram concluídos. Em frente abrem-se as três principais vias retilíneas: a do Corso ao meio, a de Ripetta à direita e à esquerda a do Babuino. Dois majestosos templos com frontispícios iguais e ornados de cúpula elevada, dedicados à Bem-Aventurada Virgem sob os títulos de Monte Santo e dos Milagres, ao dividirem as três vias, servem para lhes engrandecer a perspetiva. (...)

Praça primacial é a que hoje se chama Navona, e que foi outrora um circo próximo das antigas termas Alexandrinas, chamado depois Agonal, tendo-se construído sobre as bancadas os edifícios que a rodeiam. Distingue-se ela pela sua extraordinária amplidão, que serve ao belo espetáculo dos mercados semanais, e pelas quatro fontes que encerra. Acima das duas que também têm o mérito de bacias de mármore e acima da terceira, chamada do Mouro e restaurada em 1819, que se ufana da figura do Tritão esculpida por Bernini, admira-se incomparavelmente a grande fonte situada no meio, sob os auspícios de Inocêncio X. Está no meio de uma ampla bacia um alpestre penedo, com 60 palmos de altura, que por aberturas laterais verte as águas em abundância. Sobre ele, numa base de granito, com 23 palmos de altura e decorada com as gigantescas estátuas do Danúbio, do Ganges, do Nilo e do Prata, ergue-se um obelisco egípcio vermelho da época dos Ptolomeus, com 72 palmos de altura e todo coberto de hieróglifos. Com a água desta fonte enche-se até certo ponto a praça, propositadamente feita côncava no meio, para dar nas horas da tarde do estio alívio aos grandes calores e o espetáculo de numerosos coches que nela chapinham. – Mas de fontes e de agulhas não tem Roma carência por toda a parte, pois o pontífice Paulo V, émulo das colossais empresas dos imperadores romanos, conduziu de Bracciano, a 14 léguas de distância, as águas do lago Sabatino até ao cimo do Janículo, restaurando os aquedutos de Trajano e acrescentando-lhes outros novos onde era preciso; e bela é a frontaria, ornada de cinco colunas de granito vermelho, com uma inscrição apropriada, e onde de três vastíssimas bocas e de duas menores desce precipitada a água para a bacia inferior, com a qual não só se alimentam todas as fontes do Trastevere e da cidade Leonina, como se movem fábricas anexas de papel e de ferro, bem como diversos moinhos. Da celebrada Acqua Vergine, trazida para Roma de cerca de 6 léguas de distância por condutas subterrâneas, por obra de Marco Agripa, Nicolau V tirou o ramo maior para o Trivio, onde está agora a grande fonte chamada por isso de Trevi, e não por alguma terra deste nome, como o vulgo erradamente supõe. Aos dois Clementes, XII e XIII, se deve o ornato da estátua colossal do Oceano sobre um grande carro de conchas que os Tritões guiam sentados em cavalos-marinhos, e rodeada de esculturas e baixos-relevos menores, entre os quais se nota Agripa de um lado e do outro a Virgem que, indicando a nascente a um soldado, deu indelevelmente o seu nome às copiosas águas que se veem jorrar, entre rochedos e penhascos, de forma bela e bizarra. O nome primitivo de Sisto V foi igualmente eternizado pela fonte que, não longe das termas de Diocleciano, lança a Acqua Felice, para ali trazida das nascentes alexandrinas por novas condutas construídas em grande parte sobre as velhas da Márcia e da Cláudia, e se chama vulgarmente de Moisés, por uma estátua daquele condutor que domina os baixos-relevos laterais de Aarão e de Gedeão. Nem, entre as outras fontes, se deve omitir aquela que Paulo V abriu à cabeça da bela rua chamada Giulia, do pontífice Júlio II, a qual, junto à margem esquerda do rio, conduz em linha reta da ponte Sisto até à ponte Sant’Angelo; nem a outra, chamada do Tritão pela figura que nela está esculpida, que se ergue na piazza Barberini. Cada uma das praças, porém, mesmo das menores, e cada rua abunda em graciosas fontes, que por si sós bastariam para adornar qualquer cidade ilustre, sendo tal a abundância das águas que na maior parte das casas e das oficinas são conduzidas para os usos quotidianos sem necessidade de as ir buscar. – A piazza Colonna é a mais central, e aquela em que o povo mais frequentemente se reúne, porque se abre quase a meio do Corso. É também a mais regular, visto que, à exceção de uma pequeníssima parte do ângulo S.O., apenas quatro palácios lhe fecham o quadrado. E bem convém semelhante ornato à coluna que se diz Antonina, por ter sido erguida em honra de Marco Aurélio Antonino no foro de Antonino Pio, de que a atual praça fazia parte. O embasamento do pedestal penetra dezasseis palmos debaixo da terra e, incluindo este, a altura total mede 217 pés. Compõem-na 28 peças de mármore branco, e está toda à volta historiada de baixos-relevos, onde estão representadas as vitórias de Marco Aurélio, a cuja estátua, colocada no cimo, Sisto V substituiu a do Apóstolo dos gentios. Uma escada interior de 190 degraus, iluminada por 41 frestas e escavada em caracol no próprio mármore, serve para subir sem esforço. Também a praça da Coluna Trajana, pouco depois do fim do Corso, aberta junto à falda do Quirinal, o qual teve de ser cortado por aquele imperador a considerável altura na formação do seu magnífico Foro, que encerrava a grande basílica Úlpia e as bibliotecas Úlpias grega e latina, se encontra modernamente ornada por duas igrejas com cúpulas não muito dissemelhantes, que lhe fazem fachada a N.O.

A grande Coluna compõe-se de 34 peças de mármore branco, 23 das quais para a coluna propriamente dita, e eleva-se a 193 palmos e meio, correspondentes a 132 pés de Paris, com o diâmetro inferior de 11 pés e 2 polegadas e, junto ao capitel, de 10 pés. As vitórias de Trajano, que se diz ali sepultado, estão esculpidas magistralmente em baixo-relevo numa espiral que dá 23 voltas em redor, contendo mais de 2,500 figuras humanas e muitíssimos outros objetos relativos. A escada interior em caracol, de 185 degraus, iluminada por 43 frestas, conduz a um varandim de ferro onde Sisto V colocou a estátua do príncipe dos apóstolos em substituição da de Trajano, que outrora ali se erguia em bronze dourado. Também a praça de Monte Citorio recebeu do pontífice Pio VI o preclaro embelezamento do obelisco solar, com 130 palmos e 1/2 de altura, encimado pelo globo de bronze, da primeira época dos Faraós, erguido por Sesóstris em Heliópolis e depois pelo imperador Augusto, que o transportou e o erigiu no Campo de Marte, onde serviu de gnómon; mas, tendo-se depois partido, foi em 1748, por diligência de Bento XIV, escavado das ruínas. Entre as mais notáveis assinala-se também a praça que, da residência do embaixador de S.M. Católica, toma o nome de piazza di Spagna. A elegância dos palácios e dos muitos sumptuosos hotéis que a rodeiam, a bizarra fonte de Urbano VIII, construída em forma de barca e por isso chamada a Barcaccia, e sobretudo a grandiosa escadaria que conduz ao templo da Trinità de’ Monti, erguido no Pincio, de onde se goza de bela vista sobre quase toda a cidade, e a rua reta chamada de’ Condotti, que dali leva até ao Tibre, com a outra do Babuino, lateral, até à piazza del Popolo, dão-lhe um aspeto tão alegre que nada o iguala, especialmente quando, nos dias invernais, é dourada e amornada pelos raios do sol nascente. Outras duas agulhas egípcias tiradas do antigo templo de Ísis e Serápis e ornadas de hieróglifos, mas de pouca altura, passaram a embelezar, a primeira, a fonte situada na remodelada piazza della Rotonda, e a outra, sobre o dorso de um elefante de mármore, a piazza della Minerva. – Mas é da veneranda majestade dos seus numerosos templos que a Roma moderna adquire a sua maior glória, e tal que não encontra paralelo em nenhuma outra cidade do mundo. E aqui, lançando um olhar aos belos restauros com que os pontífices Nicolau V e os dois Clementes, VII e IX, adornaram de esculturas a ponte Élia, hoje chamada ponte Sant’Angelo, somos forçados a ir admirar o milagre da arquitetura moderna, a surpreendente basílica Vaticana. Tudo quanto nela se descobre atesta o mais magnífico esplendor, e faltam termos para lhe pintar, ainda que em esboço, as belezas. Três grandes praças precedem a escadaria do templo, as quais se estendem, no conjunto, a 1561 palmos romanos de comprimento. É quase quadrada a primeira, que tem o nome de Rusticucci, e adornaram-na há pouco modernos edifícios elegantes, como convinha ao primeiro limiar da augusta mole. E dali pode o olhar fixar-se a contemplar a segunda, de figura oval e cingida de soberbíssima colunata dividida em dois hemiciclos, onde se contam 284 grossas colunas de travertino dispostas em quatro ordens tão bem que, olhadas de um ponto da praça, apresentam uma só ordem, ficando as três posteriores de todo invisíveis. Encima o pórtico uma balaustrada, e nela estão graciosamente colocadas 192 estátuas de 14 palmos de altura. Tamanha obra honra igualmente o pontífice Alexandre VII, que a encomendou, e o cav. Bernini, que tão cabalmente a soube executar. O obelisco que Sisto V ergueu no meio, por volta de 1586, embora seja da terceira época, isto é, feito no Egito pelos Romanos à imitação dos antigos, tem o mérito de ser a única admirável peça de granito vermelho que permaneceu intacta depois do decurso de tantos séculos: com 113 palmos de altura, sem o pedestal e a cruz que o encima, Calígula transportou-o para Roma e ergueu-o no seu circo, no meio do Campo Vaccino, donde Sisto o removeu. Duas fontes perenes e uniformes lançam à altura de 14 palmos copiosos jorros da água de Bracciano descida do Janículo, que cai primeiro em bacias redondas de granito oriental de uma só peça e depois noutras maiores de travertino. Dois corredores cobertos ao lado da terceira praça, decorados exteriormente por pilastras e estátuas colossais, conduzem ao vestíbulo da basílica, enquanto ao meio as duas estátuas dos príncipes dos Apóstolos indicam o início dos degraus de mármore, em três patamares, que levam ao pé da fachada, último trabalho que, segundo desenho próprio não feliz, ali fez o arquiteto Maderno sob o pontificado de Paulo V. Depois do vasto pórtico interior, de onde se veem nos vestíbulos laterais as estátuas de Constantino e de Carlos Magno, cinco grandes portas dão entrada ao santuário, e uma delas, que se vê fechada, é a que o pontífice abre solenemente em cada vigésimo quinto ano destinado ao Jubileu universal e se chama Porta Santa. (...)

A sua forma é de cruz latina com três naves. Os mármores, as esculturas, as pinturas, os mosaicos e os dourados abundam por todos os lados, e cada capela reúne tal cópia de decorações que bastaria a qualquer outra formosa igreja. No fundo da tribuna ergue-se, sobre um altar de mármore, a cátedra de São Pedro, majestosamente ornada na parte superior e sustentada por quatro doutores, dois latinos, Ambrósio e Agostinho, e dois gregos, Atanásio e João Crisóstomo, em figuras colossais; e toda esta enorme massa de bronze dourado, matéria da qual se empregaram 219,000 libras tiradas do Panteão, é obra clássica de Bernini e encerra a cadeira de São Pedro, usada depois longamente pelos humildes sucessores dos primeiros séculos. No meio do cruzeiro ergue-se o altar-mor, reservado à celebração dos pontificais solenes e coberto por um grande baldaquino, que quatro colunas espirais sustentam, obra toda em bronze de que se honra o mesmo Bernini. E diante dele fica a descida ao túmulo, que se chama Confissão de São Pedro, e às grutas Vaticanas, onde as ossadas dos mártires ali reunidas são tidas em tanta veneração que, para melhor as conservar, se elevou o pavimento 16 palmos. Aqui concebeu o famoso Bramante erguer a maior cúpula do universo e, para tal fim, construiu os quatro enormes pilares; mas não pôde ir mais além, porque a morte o atalhou, sem que todavia viesse a faltar depois dele a ousadia do imortal Miguel Ângelo. (...)

No cimo do Célio está a basílica Lateranense, constantiniana, dedicada aos dois Joões, o Precursor e o Evangelista, primeira igreja do mundo católico, por isso chamada Urbis et Orbis Mater et Caput, onde o pontífice costuma tomar posse solene da dignidade suprema. O antigo templo, com o palácio anexo, foi destruído por um incêndio no princípio do século XIV, enquanto Clemente V residia em Avinhão; mas as esmolas dos fiéis foram por ele recolhidas no mesmo instante para o reedificar, e os pontífices seguintes rivalizaram em prodigalizar-lhe ornamentos, aos quais Pio IV e Clemente XII deram o maior realce: o primeiro com a fachada lateral, encimada por dois campanários, e com o pórtico inferior, onde se ergue a estátua de metal do rei de França Henrique IV; o outro com a fachada principal, no alto da qual, sobre uma ampla balaustrada, se elevam dez grandes estátuas de bem-aventurados, com a do Salvador ao meio. A grande porta de bronze, que é a do meio das cinco, foi para ali trazida da basílica Emília, e junto dela vê-se ainda emparedada a Porta Santa. Divide-se a igreja em cinco naves, e entre os pilares, com que foram revestidas as antigas colunas, encontram-se em outros tantos nichos as estátuas dos doze apóstolos. Admiram-se pela raridade as duas colunas de giallo antico que sustentam o órgão, e a preciosidade das pedras torna muito apreciável o tabernáculo da capela do Sacramento. A outra, ao meio, é veneranda por nela se conservarem as sagradas cabeças dos príncipes dos Apóstolos; e a do Salvador, no fundo da tribuna, é rica de estupendos mosaicos. A capela da principesca família Corsini distingue-se pela abundância de mármores escolhidos e pelas esculturas magistrais, tendo por titular Santo André Corsini e encerrando os túmulos do papa Clemente XII e do cardeal Neri Corsini, seu parente, no primeiro dos quais a estátua em bronze do pontífice recebe realce da urna, cuja base se vê sustentada por duas colunas de finíssimo pórfiro. Também o túmulo de Martinho V, no meio da grande nave do templo, é um belo trabalho de bronze. Contígua fica a igreja de San Giovanni in Fonte, que serve de sumptuoso batistério e tem uma pia de basalto com ornatos de bronze dourado, havendo nela também excelentes frescos, colunas de mármore e de pórfiro e duas formosíssimas capelas. Nas proximidades da basílica, onde se estendia lateralmente o antigo palácio lateranense, puderam salvar-se do grande incêndio a capela e o cenáculo de Leão III, que se chama Sancta Sanctorum pela quantidade de relíquias que aquele papa ali depôs. Sisto V decorou-a com um nobre pórtico e, no meio das quatro escadas abertas para lá subir, colocou a escada do Pretório de Pilatos, transportada de Jerusalém para Roma, que se venera com o nome de Scala Santa. – A basílica Liberiana, no cimo Císpio do Esquilino, teve origem na neve prodigiosa que, caindo ali no dia 5 de agosto de 352, lhe traçou o perímetro, e hoje chama-se de Santa Maria Maggiore, por ser a maior das 26 igrejas de Roma consagradas à mãe do Salvador. A estátua de Filipe IV, rei de Espanha, que é saudado como seu benfeitor, erguida em bronze, adorna com bela feição a sua loggia. Está ainda aqui, entre as cinco portas, a porta santa, ordinariamente fechada. As três naves encontram-se divididas por trinta e seis belas colunas de mármore branco, e há quatro de granito junto do altar-mor, o qual é formado por uma urna de pórfiro, como de pórfiro são também as quatro colunas que sustentam o baldaquino. Também na capela do Crucifixo, rica de insignes relíquias, entre as quais o berço do Redentor, são profusas as colunas e as pilastras daquela pedra preciosa. Ao pontífice São Sisto III é principalmente devida a esplêndida forma do templo, e Sisto V ornou a capela do Sacramento, onde tem à direita o seu magnífico túmulo, enquanto à esquerda se ergue o venerando de São Pio V. Defronte fica a sumptuosa capela da família Borghese, onde jaspes orientais, ágatas, lápis-lazúlis e outras pedras preciosas concorrem para adornar a imagem de Maria. Encontram-se ali os túmulos de Paulo V e de Clemente VIII, ficando os de Clemente IX e de Nicolau IV nos dois lados da entrada principal. Pode igualmente chamar-se obra-prima a pia batismal que Leão XII mandou remodelar, sobre a qual várias estátuas de metal dourado explicam o santo mistério, e uma enorme taça de pórfiro recebe as águas. Há defronte uma praça, onde se ergue a coluna canelada de mármore, tirada em grande parte da basílica romana que hoje se chama de Constantino, vulgarmente templo da Paz, e encimada por uma imagem esculpida da Virgem Maria. Também a fachada lateral tem o seu grande mérito, e ali se eleva um obelisco egípcio que o pontífice Sisto V fez transportar do mausoléu de Augusto.(...)

– Seria longo apenas mencionar uma a uma as muitíssimas igrejas de Roma, a nenhuma das quais falta ornamento singular. As principais, porém, cujo nome seria injúria omitir, são as seguintes: Sant’Agostino, onde se veem várias pinturas e uma prodigiosa imagem da Virgem, subtraída de Constantinopla na ocupação muçulmana: numa capela desta igreja jaz o corpo de Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, trasladado de Óstia, onde foi encontrado sob Martinho V: o templo é coberto pela mais antiga cúpula que se construiu em Roma e é servido pelos Eremitas. Sant’Andrea della Valle, provida de uma das melhores fachadas em travertino e de uma belíssima cúpula, e construída com três naves, com apreciáveis quadros nas capelas principais e vários frescos de Domenichino: é oficiada pelos Clérigos Regulares Teatinos: aqui perto ficavam a Cúria e o teatro de Pompeu Magno, diante de cuja estátua foi apunhalado César a 15 de março do ano 44 antes da era vulgar. Santi Apostoli, belo templo de três naves que encerra o túmulo do último condestável Colonna, obra de Pozzi, e dois insignes trabalhos de Canova, a saber, o mausoléu de Clemente XIV, por cima da porta da sacristia, e no átrio o do celebérrimo gravador Giovanni Volpato: ali residem os Menores Conventuais, e foi decorada pelo duque Giovanni Torlonia com uma fachada moderna que diversas estátuas encimam. A Aracoeli, primeiro chamada Santa Maria de Capitolio, dividida em três naves por 22 colunas de granito, com belos quadros e muitos túmulos da família Savelli: está à guarda dos Menores Observantes: o templo de Júpiter Capitolino, o mais sumptuoso da Roma antiga, ficava neste mesmo cimo, ao qual se sobe por uma espaçosa escadaria de 124 degraus. Santa Bibiana, onde Bernini trabalhou para embelezar a fachada e esculpir a estátua da santa colocada no altar-mor, e na qual há bons frescos e 8 apreciadas colunas. A Santissima Concezione, templo erguido pelo cardeal Francesco Barberini, capuchinho, em proveito dos seus irmãos de hábito que ali estão estabelecidos; simples de ornato, os seus quadros são obra de pincéis habilíssimos. San Carlo al Corso, igreja da nação lombarda, na qual a cúpula, a fachada e a capela da Conceição são magníficas. – San Carlo ai Catinari, edificada no princípio do século XVII pelo cardeal Leni, ostenta uma prodigiosa cúpula, bela fachada e vários quadros: pertence aos Clérigos Regulares de São Paulo, chamados Barnabitas, e veem-se ali os monumentos dos cardeais Gedil e Fontana, honra daquela congregação. Santa Cecilia, possuída pelas monjas beneditinas, edificada no lugar onde estava a sua casa, no princípio do século III, e restaurada no IX por Pascoal I: o baldaquino de mármore do altar principal, o rico túmulo do corpo da santa ornado de pedras preciosas e de escultura análoga, os antigos mosaicos e o Lacónico, ou câmara sudatória, venerado por ali ter ela sofrido o martírio, constituem a sua maior glória. San Clemente, antiquíssimo templo, no qual repousam os corpos do sucessor de São Pedro e de Inácio, mártir antioqueno, e onde, junto do altar do meio, se vê o belo túmulo em mármore do cardeal Roverella. Santa Croce in Gerusalemme, uma das 7 basílicas, chamada Sessoriana, construída nos Hortos Varianos de Heliogábalo e remodelada por Bento XIV: aqui uma urna colocada ao pé do altar principal contém os corpos dos santos mártires Cesário e Anastácio: descendo alguns degraus entra-se na capela de Santa Helena, que, depondo ali grande parte da Cruz, lhe impôs o nome atual: ali residem os monges da ordem cisterciense. O Gesù, que é a casa professa, Sant’Ignazio ou Colégio Romano e Sant’Andrea a Monte Cavallo, para o noviciado, são as três magníficas igrejas da Companhia de Jesus: a primeira foi erguida pelo cardeal Alessandro Farnese com arquitetura de Vignola, e sobremaneira esplêndida é a capela direita do cruzeiro, consagrada a São Francisco Xavier; mas superior a toda a comparação é a outra, defronte, dedicada ao santo fundador, de quem guarda numa urna de bronze cravejada de gemas os preciosos despojos; construída pelo célebre artista Pozzi, membro da Companhia, adornam-na os mais finos mármores e as pedras mais raras, entre as quais se vê um globo, figura do mundo, feito de uma só peça de lápis-lazúli, maior do que a qual não se conhece outra; observa-se também neste templo o célebre túmulo do cardeal Belarmino: a segunda foi edificada pelo cardeal Ludovico Ludovisi com os desenhos de Domenichino refundidos pelo jesuíta Grossi e com fachada de Algardi; as duas capelas do cruzeiro são soberbas e uniformes, e na da direita vê-se o excelente baixo-relevo que representa São Luís Gonzaga, cujo corpo ali se venera; grandioso é o mausoléu de Gregório XV, colocado junto da porta lateral: a terceira, finalmente, foi erguida pelo príncipe D. Camillo Pamfili, sobrinho de Inocêncio X, com desenho de Bernini, e é toda revestida no interior de bons mármores, em figura oval: sobressai sobremaneira a capela dedicada a Santo Estanislau Kostka, de quem o famoso Maratta pintou o quadro, e cujos despojos mortais uma preciosa urna de lápis-lazúli guarda. San Gregorio, igreja erguida sobre as ruínas da casa Anícia, a que pertencia aquele Magno pontífice, e servida pelos monges camaldulenses. San Lorenzo in Damaso, célebre pela antiguidade do seu cabido e pelo mausoléu de Annibal Caro. San Luigi, templo da nação francesa, decorado com belas pinturas de artistas valentíssimos. Santa Maria dell’Anima, erguida pela nação alemã, rica de mármores e pinturas, com os túmulos de Adriano VI, do cardeal André de Áustria, do duque de Cleves e de Lucas Holstenius. Santa Maria degli Angeli, que é a sala das termas de Diocleciano transformada em majestoso templo por Miguel Ângelo e restaurada por Vanvitelli; admiráveis são as suas 8 colunas de granito, altas de 62 palmos, com 23 de perímetro: no vestíbulo redondo, que serve de entrada, estão os túmulos dos cardeais Paolo Parisio e Francesco Alciati e dos artistas Carlo Maratta e Salvator Rosa; ali residem os monges cartuxos, que têm a seu cuidado a meridiana traçada no pavimento de mármore por monsenhor Bianchini no princípio do século XVIII. Santa Maria in Cosmedin, chamada Bocca della Verità por causa de um mascarão esculpido no pórtico, foi outrora um templo pagão de Ceres e Prosérpina, desde 772 convertido em igreja por obra de Santo Adriano I; admiram-se ali as belas colunas de mármore, o pavimento de pedras duras e o altar-mor de granito vermelho, com colunas iguais que sustentam o baldaquino; a imagem que com grande devoção se venera foi trazida da Grécia. Em igreja de Santa Maria del Sole foi também mudado o vizinho templo regionário de Vesta, revestido de bons mármores, e à bem-aventurada Virgem foi igualmente dedicado o antiquíssimo templo outrora erguido por Sérvio Túlio à Fortuna Viril. Santa Maria sopra Minerva, que se pode chamar um museu de excelentes pinturas: as melhores capelas são as dos Aldobrandini, dos Caraffa e dos Altieri; observam-se ali os mausoléus dos pontífices Leão X, Clemente VII, Paulo IV e Bento XIII, bem como de Pirro Ligorio, do pintor Beato Giannangelo da Fiesole, do arqueólogo Raffaele Fabretti, de Paolo Manuzio, filho de Aldo, e as inscrições em louvor dos cardeais Casanti e Mamachi, muito beneméritos daquele templo e das letras: das monjas de Campo Marzio passou esta igreja, sob Gregório XI, para a ordem dos Pregadores. Santa Maria in Domnica, ou della Navicella, construída sobre a casa da matrona Ciríaca, encerra 18 colunas de granito e 2 de pórfiro, com pinturas dignas de nota. Santa Maria della Pace, erguida desde os alicerces por cuidado de Sisto IV depois de obtida a concórdia da cristandade: a fachada tem um pórtico semicircular de muito bom gosto, e também o é a cúpula octogonal; tem muitos belos quadros, um baixo-relevo em bronze e alguns incomparáveis frescos de Rafael: depois de ter sido servida pelos cónegos regulares lateranenses e em seguida pelos dominicanos irlandeses, é-o agora por uma congregação de padres seculares, que ali praticam com muita exemplaridade devotos exercícios. Santa Maria della Vittoria, doada por Paulo V aos Carmelitas Descalços, encerra no altar-mor uma imagem da B. V. cravejada de gemas, a cuja intercessão se atribuíram várias vitórias alcançadas pelos católicos contra os otomanos: obra-prima de Bernini é o grupo de Santa Teresa no ato de ser trespassada por um anjo, e entre as muitas pinturas há dois quadros de Guercino e de Guido. San Martino, igreja construída pelo papa São Símaco e depois adornada com profusão de mármores e dividida em três naves por 24 colunas antigas, com elegantes paisagens de Gaspard Poussin: num altar subterrâneo estão os corpos dos santos papas Silvestre e Martinho, e daí passa-se a um vetusto templo situado por baixo, que se pretende erguido por São Silvestre: é oficiada pelos Carmelitas Calçados. Santa Maria in Vallicella, chamada a Chiesa Nuova, construída por São Filipe Néri sob os auspícios de Gregório XIII e do cardeal Cesi: magnífica a fachada; os frescos adornam a abóbada, a cúpula e a tribuna; os mármores, as pinturas, os estuques dourados decoram-lhe todas as partes, enquanto pedras preciosas acrescentam ornamento à capela do santo apóstolo de Roma e fundador da Congregação do Oratório ali estabelecida, cujos sagrados despojos ali se veneram, e o quadro em mosaico é tirado do original de Guido conservado nos aposentos outrora habitados pelo santo: anexo fica o Oratório, que não carece de ornamentos peculiares, e é singular a sua abóbada plana, longa de 83 e larga de 53 palmos. Sant’Onofrio, igreja no Janículo, servida pelos Eremitas da congregação de São Jerónimo, gloria-se de ter conservado as cinzas de Torquato Tasso, às quais os italianos estão para fazer honrosa reparação do descuido dos antepassados, erguendo-lhes um esplêndido monumento: ali está também sepultado o poeta lírico Alessandro Guidi. Venerando pela cadeia que prendeu o príncipe dos Apóstolos é o templo de San Pietro in Vincoli, sustentado por majestosas colunas antigas de mármore: no túmulo de Júlio II está a famosa estátua do Moisés de Miguel Ângelo, e numa capela vê-se a Santa Margarida de Guercino; ali têm também sepultura os irmãos Pollaiuolo, célebres gravadores em bronze do século XV, e Clovio, famoso entre os miniaturistas de uma época algo posterior: oficiam a igreja os Cónegos Regulares Lateranenses. Santa Prassede, bela igreja de três naves, com 26 colunas de granito e 4 de pórfiro que sustentam o baldaquino: os degraus da escada que conduz à tribuna são as maiores peças que se conhecem de finíssimo rosso antico: um grande fragmento de coluna para ali transportado de Jerusalém crê-se santificado pela flagelação do Redentor, e na peça escavada ao meio pretende-se que a santa mulher conservasse o sangue dos heróis cristãos mortos pela fé. San Lorenzo in Lucina e Santi Vincenzo ed Anastasio, servidas ambas pelos Clérigos Menores: soberba a primeira pelo famoso Crucifixo de Guido, conserva o túmulo de Nicolas Poussin, ao qual se verá em breve construído um mausoléu condigno, e na outra guardam-se os precórdios de todos os pontífices de Sisto V em diante, exceto os de Pio VI, cedidos à cidade de Valence. Já falámos da igreja de Santa Maria ad Martyres, que é o antigo Panteão, modelo acabado de arquitetura antiga, e onde se veem os bustos de Dante, de Petrarca, de Poussin, de Metastasio, etc. Santo Stefano Rotondo, que substitui um templo erguido em honra do imperador Cláudio, e que 56 colunas antigas adornam. Santa Maria del Popolo, onde se encontram belos túmulos do século XI. San Pietro in Montorio, que contém o famoso quadro da Transfiguração de Rafael. Entre os muitos conventos de Roma, não assinalaremos senão o dos Cartuxos, junto da igreja de Santa Maria degli Angeli, notável pelo seu grande pórtico quadrado formado por cem colunas de travertino. – Roma possui a N.O., na margem direita do Tibre, uma fortaleza chamada Castel Sant’Angelo, Moles Hadriana. Para emular a magnificência de que dera prova Octaviano Augusto com a ereção do grandioso mausoléu na margem esquerda do Tibre, destinado aos túmulos imperiais, do lado oposto o imperador Públio Élio Adriano, por volta do princípio do século II, ergueu um soberbo monumento que foi chamado Mausoléu de Adriano. (...)

Passando aos palácios, não se pode negar o primeiro lugar, em sumptuosidade e amplitude, aos pontifícios do Vaticano e do Quirinal, visto que o lateranense, se bem que reconstruído por Sisto V depois do incêndio, já não é habitado pelos soberanos. Antes coleção de nobilíssimos edifícios do que grandioso palácio se deve chamar o Vaticano. A escada régia principal conduz à grande sala, onde se encontram as duas grandes capelas papais: a Sistina, assim denominada por Sisto IV, que contém a obra-prima da pintura a fresco, isto é, o Juízo de Miguel Ângelo, e diversos outros assuntos que enchem a vastíssima abóbada; e a Paulina, assim chamada por Paulo III, também ornada de pinturas e com um belo tabernáculo de cristal guarnecido de ouro. Do primeiro piso das célebres loggias de Rafael vai-se ao apartamento Borgia, onde se reúnem pinturas e monumentos antigos em abundância, e passa-se depois ao grande museu Vaticano, que se divide em Pio, Clementino e Chiaramonti. Começa-se por percorrer o Corredor das Lápides, a coleção mais copiosa que se possa imaginar de vetustas inscrições, dispostas em bela ordem pelo doutíssimo monsenhor Marini; próxima fica a Biblioteca Vaticana, riquíssima de códices manuscritos, papiros, medalhas e estampas, e ornada com os feitos de Sisto V ali pintados a fresco. Pio VII ofereceu-lhe os dois soberbos candelabros de Paris, da fábrica de Sèvres. Passa-se depois ao Museo Chiaramonti, cujo primeiro corredor se segue ao das inscrições, e por volta do meio entra-se no que se chama Braccio Nuovo, aberto em 1822, e depois no Museu Egípcio e Ático, que formam o hemiciclo do Belvedere. Vem em seguida o Museu que se diz Pio-Clementino, por terem sido seus fundadores Clemente XIII e Clemente XIV, e Pio VI aquele que o elevou à fama atual. As suas partes consistem no vestíbulo Quadrado, no vestíbulo Redondo, na sala de Meleagro, no pórtico que rodeia o pátio do Belvedere, na sala dos Animais, na galeria das Estátuas, nas salas dos Bustos, no Gabinete, na sala das Musas, que tem o belo pavimento de mosaico antigo, na sala Redonda, onde está a concha de pórfiro com 62 palmos de perímetro e o pavimento de mosaico antigo encontrado em Otricoli, na sala da Cruz Grega, na escada principal do Museu sustentada por 22 colunas de granito, com a sala redonda da Biga, de onde se passa à galeria dos Mapas Geográficos e dali à sala das Tapeçarias feitas sobre os cartões de Rafael, e às quatro salas pintadas inteiramente pelo mesmo Rafael, que tomam o nome dos assuntos nelas tratados, a saber, a sala do Incêndio do Borgo, a da Disputa do Santíssimo Sacramento, a de Heliodoro e a sala de Constantino. Sobe-se depois ao segundo piso das loggias ditas de Rafael, porque ele dirigiu todas as suas pinturas, e depois ao terceiro, embelezado também pelos mapas geográficos do dominicano Ignazio Danti, de onde se tem acesso à coleção dos quadros clássicos regressados de Paris e dispostos em seis grandes salas pelo famoso Camuccini. Numerosos e todos vastíssimos são os apartamentos situados aqui e ali, e encantador o amplo jardim, a que dá acesso um vestíbulo correspondente à sala da Biga do Museu; a primeira divisão chama-se Jardim da Pinha, por ali estar aquela de bronze que esteve primeiro no alto do Mausoléu de Adriano. A segunda é embelezada por um casino e pelo pedestal da coluna de Antonino Pio, para ali transportado. - (...)

Também o palácio chamado da Cancelleria, por nele residir o cardeal vice-chanceler da Santa Igreja, e que forma um só edifício com a igreja de San Lorenzo in Damaso, exige menção especial entre os edifícios públicos, e é inteiramente de travertino e mármore, executado com belo desenho de Bramante no final do século décimo quinto, mas com dano dos monumentos antigos, e especialmente do Coliseu, dos quais foram tirados os materiais. (...)

Chama-se ele também anfiteatro Flávio ou de Vespasiano e jaz entre os montes Palatino, Célio e Esquilino: é um imenso edifício oval, construído de blocos de travertino, e ainda todo inteiro no exterior do lado do setentrião, mas arruinado para o meio-dia; podia conter 107.000 espectadores: o seu circuito exterior é de 1,641 pés de Paris e a altura de 157 pés; a arena, sobre a qual combatiam os gladiadores, mede 285 pés de comprimento por 182 de largura; as duas ordens superiores são formadas por meias colunas e pilastras coríntias; a ordem inferior é dórica, e a que lhe fica por cima jónica; o imperador Vespasiano começou este anfiteatro no seu regresso da Judeia, Tito terminou-o e fez a sua dedicação no ano 80 depois de J.C.; em 526, os bárbaros que Tótila conduzia arruinaram-lhe diversas partes para se apoderarem do bronze que mantinha ligadas as pedras; depois os Romanos ricos, durante bem dez séculos, mandaram tirar dele materiais para construírem as suas casas. (...) – Os elegantes edifícios que compõem o moderno Capitólio dão àquela colina, cuja nomeada ressoa ainda famosa de uma ponta à outra do mundo, um aspeto de particular formosura. (...) – A única das inumeráveis estátuas equestres de bronze que adornavam a Roma antiga ergue-se no meio da praça e representa-nos o imperador filósofo Marco Aurélio, distinguindo-se ainda o seu dourado. Defronte fica o Palazzo Senatorio, ao qual conduzem dois lanços de uma grandiosa escadaria, ornados no centro por uma bela fonte, onde entre as estátuas de dois rios está a de Minerva, escavada outrora no feudo senatorial de Cora. Uma elevada torre domina o edifício e serve de campanário com relógio. Subindo-lhe ao alto, a vista espraia-se de um lado sobre todas as velhas ruínas, do outro sobre toda a Roma hoje habitada. Outros dois palácios erguem-se aos lados, e no da direita encerra-se o famoso Museo Capitolino, que teve começo com Clemente XII e, acrescido pelos sucessores, se viu, pelos cuidados do imortal Consalvi, levado sob o pontificado de Pio VII à perfeição atual. Apresenta-se no pátio de entrada a célebre estátua colossal do Oceano, que o vulgo conhece pelo nome de Marforio por ter sido tirada e martis foro, e de outras esculturas e inscrições abunda também o resto do átrio, que dá entrada a três salas térreas, a primeira das quais se chama do Canopo e encerra estátuas de imitação egípcia; na segunda há uma apreciada coleção de 122 inscrições imperiais em pedra ou terracota; a terceira, além de alguns monumentos, tem uma bela urna sepulcral, coberta em três lados de excelentes baixos-relevos, que se crê ter encerrado as cinzas de Alexandre Severo no vaso de vidro chamado agora de Portland, conservado no Museu Britânico, e chama-se por isso Sala da Urna. A escada é ornada com os restos da antiga planta de Roma escavados na via Sacra, junto do templo de Remo. Repleta de estátuas está também a longa galeria, e à direita dela entra-se na sala a que dá o nome um belíssimo vaso de mármore pentélico escavado junto do túmulo de Cecília Metela. Há ali outro, de bronze, de proveniência grega, e alguns sarcófagos e bustos, com os singulares monumentos arqueológicos da tábua ilíaca, que representa os feitos da guerra de Troia, e das pombas em mosaico encontradas na Villa Adriana. Duas salas à esquerda chamam-se uma dos Imperadores, a outra dos Filósofos, porque encerram os seus bustos, e vêm depois as três salas repletas de estátuas admiráveis, entre as quais se deve notar o Fauno de rosso antico na segunda e, na terceira, ornada com as peças mais raras, o famoso Gladiador Moribundo, que os críticos mais rigorosos julgam ser antes um guerreiro da Gália, a Vénus saindo do banho, êmula da de Médicis, o Antínoo e a cabeça de Marco Bruto. – O outro palácio, que ocupa o lado esquerdo, chama-se dos Conservatori, e entre as muitas esculturas e monumentos espalhados pelo pátio, são as primeiras a admirar à entrada as estátuas de Júlio César, retratado ao natural, e de Augusto. (...)

A tão grandiosos edifícios públicos fazem digna coroa, a cada passo, os principescos palácios da nobreza romana, que longo seria apenas enumerar. Não se podem, porém, omitir o dos Farnese, construído com travertinos tirados na maior parte do Coliseu, decorado com as três ordens, dórica, jónica e coríntia, sobrepostas umas às outras, e adornado com doze colunas de granito egípcio que lhe sustentam o vestíbulo: na sua arquitetura tiveram parte Sangallo, Buonarroti e Della Porta, e o interior, que bem se pode chamar um museu completo, atesta o génio e a magnificência de Paulo III, de quem os atuais monarcas de Nápoles o herdaram, mantendo nele depois a real Embaixada e abrindo ali largo campo à engenhosa aplicação dos artistas pensionados do seu reino. O dos Barberini, não menos magnífico que vasto, edificado por Urbano VIII, onde são de notar os belos frescos do grande salão e a copiosa coleção de preciosas pinturas com que estão decorados os aposentos: erguia-se no jardim anexo a Edícula consagrada a Júpiter, Juno e Minerva, a qual, renovada depois no templo de Júpiter Capitolino, fez dar ao local desta, mais antiga, o nome de velho Capitólio. O dos Chigi, construído para os sobrinhos de Alexandre VII, é notável não só porque orna um lado da piazza Colonna, mas também pelas esculturas, pinturas e desenhos originais que conserva. O dos Sciarra, de mui bela arquitetura e enriquecido por uma das mais soberbas e completas galerias romanas. O dos Doria, composto de três grandiosos edifícios unidos entre si e erguidos pelos príncipes Pamfili, de quem os presentes senhores os herdaram: o interior corresponde no ornato à aparência, e dão fé do esplendor patrício os preciosos objetos da ampla e escolhida galeria. O dos Rospigliosi, erguido sobre os restos das Termas Constantinianas no Quirinal pelo cardeal Scipione Borghese, e depois passado por compra aos Bentivoglio, aos Mazzarini e por fim aos atuais possuidores: além da coleção de soberbos quadros, tem na abóbada do salão inferior a célebre Aurora, incomparável obra-prima do imortal Guido Reni. O dos Colonna, que Martinho V e os príncipes seguintes da sua casa ergueram na extrema encosta do Quirinal, distingue-se pela vastidão, pela galeria e pelo jardim. O dos Borghese, chamado o Cembalo pela sua figura exterior, que Paulo V levou à atual magnificência: as 96 colunas de granito que sustentam os arcos do vasto pátio dão-lhe uma ideia de sublimidade singular, e a profusão das pinturas faz sobressair ainda mais a sumptuosidade dos aposentos. O dos Braschi, que vimos erguer-se em nossos dias, êmulo das mais admiráveis construções romanas pela estupenda arquitetura e pelos ornatos interiores, tem o particular mérito da escadaria de mármore, que adornam belas colunas e pilastras de finíssimo granito vermelho: a antiga estátua de Menelau sustentando o corpo de Pátroclo, a qual, do primeiro que se lembrou de nela afixar escritos satíricos, se chamou Pasquino e a estes deu o nome de pasquinadas, assenta sobre um ângulo exterior. O dos Massimo, digno de nota pelo elegante pórtico felizmente concebido por Peruzzi, sustentado por seis colunas e que dá acesso aos pátios interiores; nem lhe faltam ornatos pictóricos, além da estátua do Discóbolo, e tem na fachada posterior, voltada para o circo Agonal, os famosos claro-escuros de Daniele da Volterra. (...)

As vilas e os jardins formam também um dos melhores ornamentos da Roma atual e dos arredores próximos. Têm o principal renome no interior da cidade: a villa Medici, no Píncio, que pertence hoje à Academia real de França, e tomou o nome do cardeal Alessandro de’ Medici, que foi depois Leão XI, o qual a adquirira do cardeal Ricci, que fora o seu fundador. O seu perímetro excede ½ légua, magnífico é o palácio, e o soberbo jardim acaba de contentar quantos, do próximo passeio do Píncio, para ele volvem o olhar. A Villa Ludovisi, que ocupa uma parte dos Jardins de Salústio e abunda, nos seus três casinos, em apreciáveis esculturas e pinturas, entre as quais está a Aurora, famosa obra-prima de Guercino. (...)

Duas basílicas se erguem fora das muralhas romanas. Uma é a de San Sebastiano, na via Ápia, reedificada pelo cardeal Scipione Borghese, cujo pórtico é sustentado por colunas de granito, e 4 de verde antigo sustentam o altar-mor. A outra é a de San Lorenzo, na via Colatina ou Tiburtina, no local do Campo Verano. De antigo mosaico de pedras duras é o pavimento da tribuna, e numerosas colunas de pavonazzetto, com 6 de pórfiro, duas das quais de cor verde, formam o seu peculiar ornamento, juntamente com dois antigos púlpitos de mármore (Ambões) situados lateralmente e com a confissão subterrânea onde se veneram os corpos de Santo Estêvão e São Lourenço. (...)

Correspondem a estas igrejas exteriores outros tantos antigos cemitérios, que, estendendo-se muito debaixo da terra, se chamaram Catacumbas, não sendo na origem senão pedreiras de pozolana escolhidas pelos primitivos cristãos para se esconderem das perseguições e ali praticarem os ritos sagrados e darem sepultura aos mortos. O maior cemitério é o de Calisto, ao qual se tem acesso pela capela de San Sebastiano, e que se estende por 2 léguas 215, tornado venerando por nele ter sido depositado o corpo daquele santo Mártir, de muitos pontífices e de muitos milhares de atletas católicos. De uma capela subterrânea de San Lorenzo desce-se ao cemitério da matrona romana Santa Ciríaca. De Santa Inês toma o nome o outro cemitério situado por baixo do seu templo, e de São Cleopódio o antiquíssimo de San Pancrazio. – O porto principal de Roma no Tibre é o de Ripa Grande, junto à Porta Portese, e um farol, ali erguido por Pio VII, indica-o aos que do Mediterrâneo sobem o rio. Memorável é aquele sítio porque ali se diz terem acontecido as maravilhas de Cocles, de Cévola e de Clélia. (...)

No outro porto, o de Ripetta, não longe da porta Flamínia, fundado por Clemente XI, faz-se principalmente o comércio do carvão e de outros combustíveis, bem como de vinho e de azeite que ali desembarcam os Úmbrios e os Sabinos, e ali está também estabelecida uma alfândega com o seu Governador. (...)

Entre os lugares destinados aos espetáculos públicos ocupam o primeiro lugar os teatros. Pela vastidão distingue-se o chamado de Aribert, do nome de quem o construiu, que serve principalmente para as danças populares e se encontra não longe da piazza di Spagna. Vêm depois os de Argentina e Tordinona, e o outro, Valle, embora mais pequeno e mais alegre. O recinto do mausoléu de Augusto, cuja cúpula ruiu e cujos ornamentos pereceram ou foram removidos, serve agora de anfiteatro, com galerias e bancadas construídas posteriormente, para as corridas de touros, jogos de cavalos, exibições de feras e divertimentos pirotécnicos, que na estação estival se tornam muito aprazíveis. Junto ao palácio Barberini fica o lugar destinado ao jogo do pallone, pelo qual os Romanos mostram particular afeição. (...)

A história dos acontecimentos de que Roma foi teatro é tão geralmente conhecida, e seria ao mesmo tempo tão longa, que não podemos aqui empreender um resumo dela. Contentar-nos-emos, pois, com uma simples indicação cronológica dos factos mais salientes e mais ligados à geografia, não sem acrescentar que, acerca da história romana, muito foi derrubado e muito se tentou edificar, em confronto com as narrativas mais aceites, por Niebuhr, cuja obra merece ser estudada.

752 antes de J.C. Fundação da Cidade.

509. Formação da república.

388. Tomada e destruição de Roma pelos Gauleses.

64 depois de J.C. Incêndio de Nero.

307. Roma é em vão sitiada por Galério.

330. É abandonada por Constantino, que estabelece em Bizâncio a sede do Império.

364. Torna-se a capital do império do Ocidente.

387. é saqueada por Alarico, rei dos Visigodos.

455. É tomada por Genserico, rei dos Vândalos.

472. Ricímero, rei dos Godos, toma-a e saqueia-a.

476. Odoacro, rei dos Hérulos, torna-se senhor dela; tendo-se Ravena tornado a sede do poder imperial em Itália.

527. Cerco de Vitiges, rei dos Godos.

536. Entrada de Belisário, general de Justiniano.

546 e 549. Roma é tomada por Tótila, rei dos Ostrogodos.

533. É-o por Narses, general de Justiniano.

568. Instituição do ducado de Roma, que se estendia entre Óstia, Orte e a foz do Marta.

578. Os Lombardos devastam o território.

593. A cidade é sitiada por Agilulfo, que lhe devasta os arredores.

755. Astolfo, rei dos Lombardos, levanta, perante o avanço de Pepino, rei de França, o cerco. Início do poder temporal dos Papas.

800. Carlos Magno coroado imperador.

846. Saque do Vaticano pelos Sarracenos.

1081. Cerco inútil do imperador Henrique IV.

1084. Tomada de Roma pelo dito imperador, que sitia no castelo de Sant’Angelo o papa Gregório VII, libertado por Roberto, duque da Apúlia.

1036. Passagem de um corpo de exército conduzido por Hugo de França e destinado à primeira cruzada.

1305. Clemente V transfere a sede pontifícia para Avinhão.

1375. Gregório XI, trá-la de volta a Roma.

1494. Entrada de Carlos VIII, rei de França.

1527. Saque de Roma pelas tropas do condestável de Bourbon, general de Carlos V.

1703. Terramoto; a grande cheia do Tibre.

1798. Roma ocupada pelos Franceses.

1809 e 1810. É incorporada no império francês, do qual é declarada a segunda cidade; torna-se capital do departamento do mesmo nome; levado o papa Pio VII para França, o filho primogénito de Napoleão recebe o título de rei de Roma.

1831. Muitas insurreições prontamente reprimidas.

Fontes das ruas

Fonte do Babuino

Via del Babuino Fonte do Babuino Foi o pontífice Pio IV Medici (1558-1565) quem instaurou o costume das fontes ditas «semipúblicas»: quando o pontífice concedia água a um particular, este comprometia-se a construir, à sua custa, uma fonte pública encostada à sua propriedade. O nome de via del Babuino foi atribuído à via Paulina no final do século XVI, quando um rico comerciante de Ferrara, Patrizio Grandi, obtida a água para a sua habitação e as suas hortas, construiu para a população do bairro uma fonte pública. A estátua do Sátiro que encima a tina termal romana retangular de granito cinzento, oferecida por Grandi, não agradou nada ao povo, que nela reconheceu as feições de «um babuíno»: assim, a partir de 1581, a antiga strada Paulina mudou de nome, tornando-se via del Babuino. O Babuino é uma das famosas «estátuas falantes» de Roma.

Fonte da Pipa da via della Cisterna

Via della Cisterna Fonte da Pipa No bairro de Trastevere, na esquina entre a via della Cisterna e a via San Francesco a Ripa foi realizada, em 1927, a fonte da Pipa, obra do arquiteto Pietro Lombardi, concebida para evidenciar a tradicional presença nesta zona de tabernas e casas de vinho.

A pipa, colocada na vertical sobre uma base, é o típico «caratello» (usado no passado para transportar o vinho dos Castelli Romani), de um orifício que tem ao centro sai a água, que é recolhida numa meia dorna situada por baixo. Aos lados da pipa encontram lugar duas medidas de vinho, do tipo ainda em uso nas tabernas romanas, das quais brota também água que se recolhe no chão em bacias próprias.

Fonte do Prisioneiro

Via Goffredo Mameli Fonte do Prisioneiro A villa Montalto, propriedade de Sisto V Peretti (1585-1590), situada na colina do Esquilino, era a mais extensa propriedade privada existente dentro das muralhas da cidade, mas no final do século XIX, precisamente em 1877, toda a área foi loteada para construir a estação Termini, a piazza dei Cinquecento e outros bairros modernos.

A única fonte que sobreviveu à destruição da villa, também ela obra de Domenico Fontana, foi reconstruída em 1938 nas encostas do Janículo, servindo de fundo à via Manara.

A fonte apresenta hoje um grande nicho (delimitado por duas lesenas e encimado por um frontão ricamente decorado), no centro do qual a água brota de uma cabeça de leão para se recolher no chão numa bacia protegida por seis pequenas colunas. A estátua do prisioneiro que deu nome a esta fonte perdeu-se com o tempo.

Fonte da Navicella

Via della Navicella Fonte da Navicella Na colina do Célio, diante da igreja de Santa Maria in Domnica, dita também in navicula, restaurada pelo cardeal Medici (que foi depois papa com o nome de Leão X) e em cujo teto aparecem várias pequenas embarcações errantes entre as ondas, encontra-se a fonte chamada da Navicella, concebida provavelmente por Sansovino e que remonta aos primeiros anos do século XVI (1518-19).

O barquinho de mármore, que representa uma galera romana, teria sido inspirado, segundo a lenda, num ex-voto oferecido pelos marinheiros a Ísis, protetora dos navegantes; do centro da ponte do pequeno navio, que está colocado sobre uma base ornada com os brasões de Leão X, eleva-se um jato de água que se recolhe na tina oval de travertino situada por baixo.

Fonte da Bala de Canhão

Viale della Trinità dei Monti Fonte da Bala de Canhão A fonte da Bala de Canhão no viale della Trinità dei Monti.

Simples mas decididamente elegante pela perfeição das suas proporções é a pequena fonte situada no limite do largo que se abre diante da majestosa villa Medici.

Mandada fazer pelo cardeal Ferdinando Medici em 1589 e realizada por Annibale Lippi, a fonte entrou na lenda, pois conta-se que a esfera de mármore branco colocada no centro da taça circular de granito, de onde se eleva o repuxo de água, foi disparada contra a porta da villa Medici por Cristina, rainha da Suécia. Esta, chegada a Roma em 1655 para uma visita e aí ficando durante 34 anos, isto é, todo o resto da sua vida, foi mulher muito culta e de temperamento audaz.

A fonte, formada com antigos achados, apresenta uma tina octogonal, no centro da qual um robusto pilar sustenta a bela taça circular de bordos arredondados, no centro da qual está precisamente a «bala de canhão».

Fonte do Facchino da via Lata

Uma das mais conhecidas «estátuas falantes» (sendo seu interlocutor o famoso e mordaz Pasquino), chamada o Facchino, representa um aguadeiro com o traje característico. Segundo outros, porém, seria dedicada aos carregadores de vinho e reproduziria as feições de um certo Abbondio Rizzio, célebre pela sua força e pela capacidade de beber grandes quantidades do vinho que transportava. A obra, de origem incerta, foi atribuída a Jacopo Del Conte, que a teria realizado entre 1587 e 1598.

via margutta — Fonte dos Artistas da via Margutta

Segundo projeto do arquiteto Pietro Lombardi, foi realizada em 1927 e representa um conjunto dos símbolos dos artistas. De uma original base triangular erguem-se dois cavaletes de pintor, em cujas mísulas assentam as duas carrancas, uma triste, a outra alegre, a sublinhar as alternadas fortunas da classe.

via margutta — Fonte do Pátio da via Margutta

A ânfora de terracota inclinada, verte água numa tina quadrada de mármore branco da época romana.

Fonte dos Livros da via Straderari

A pequena Fonte dos Livros foi executada em 1927 em travertino, segundo projeto de Pietro Lombardi, para o bairro (rione) de Sant’Eustachio, e é por isso que o símbolo do bairro, a cabeça de um veado, aparece no nicho, rodeado por quatro livros antigos, talvez para recordar a vizinha Universidade da Sapienza. No interior da tina, a inscrição com o nome do bairro apresenta uma referência numérica errada: IV em vez de VIII.

Fontanário das Abelhas da via Vittorio Veneto

Logo depois da execução da fonte do Tritão, foi confiada a Bernini, em 1644, a realização de um pequeno fontanário para dar de beber aos cavalos, como era costume construir junto às fontes monumentais. A obra, genial exemplo do barroco romano, foi em 1867 desmontada e levada para um dos depósitos municipais no Testaccio. Em janeiro de 1916, por pressão de estudiosos, foi recomposta com as poucas peças originais encontradas e com uma execução pouco fiel (basta comparar com o desenho do holandês Lievin Cruyl de 1665).

Fonte das Vitórias Aladas na Villa Borghese

É constituída por um sarcófago da época romana, no qual estão representadas, entre festões de frutos e máscaras, Vitórias aladas, e por dois golfinhos colocados aos lados de uma carranca que verte a água na tina situada por baixo. A carranca (de Della Porta) é uma das quatro da fonte da piazza della Rotonda, transferida para aqui no final do século XIX. As outras três estão provavelmente guardadas nalgum armazém municipal.

Fontes das praças

Acea, Fonte da Acea

Piazzale Ostiense Fonte da Acea Diante da sede da Acea (Azienda comunale energia e ambiente), pode admirar-se, inserida num amplo espaço verde, uma fonte moderna, realizada em 1962 segundo desenhos dos arquitetos Ugo Macrì, Giorgio Quaroni e Americo Romitelli, vencedores do concurso expressamente aberto para o efeito. Sobre uma grande bacia oblonga erguem-se estruturas verticais, decoradas com baixos-relevos, de cujo topo brota a água que cai em cascata. A fonte ganha particular realce nas horas noturnas, quando está sabiamente iluminada.

Fonte da Acqua Acetosa

Piazzale dell'Acqua Acetosa Fonte da Acqua Acetosa No início do século XVII (1613), o papa Paulo V Borghese (1605-1621) mandou construir uma fonte simples em pleno campo, ao longo da margem direita do Tibre, junto a Tor di Quinto, no lugar onde brotava uma nascente de água acídulo-ferruginosa considerada «salutar para os rins, o estômago, o fígado, o baço e mil outros males». Foi, porém, o papa «urbanista» Alexandre VII Chigi (1655-1667) quem mandou projetar e erguer a bela fonte-ninfeu de linhas envolventes que chegou até nós. O projeto desta obra deliciosa, digna do mais belo parque privado, foi durante muito tempo atribuído a Bernini; parece, pelo contrário, ser obra de um pintor, Andrea Sacchi, que se valeu, para os desenhos, da colaboração do arquiteto Marcantonio de Rossi. Depois de a nascente da Acqua Acetosa ter ficado poluída (no final dos anos cinquenta), a fonte permaneceu muito tempo abandonada; hoje, finalmente, a apreciável e elegante fonte barroca foi restaurada, mas já não verte Acqua Acetosa, e sim água potável normal.

Fonte da Piazza Sant'Andrea della Valle

Piazza Sant'Andrea della Valle Fonte da Praça Mandada fazer pelo papa Paulo V Borghese (1605-1621) para a praça da igreja de Santa Maria in Traspontina, a fonte, realizada segundo projeto do arquiteto Carlo Maderno, retoma motivos clássicos: é constituída por uma elegante tina mistilínea, assente sobre uma base que lhe retoma a forma. No centro da tina, sustentada por uma base decorada com dragões e águias (símbolo dos Borghese), está uma taça circular, hoje em cimento, que reproduz a original de mármore, infelizmente perdida. Um jato de água eleva-se sobre a taça para recair na tina inferior, onde, à flor da água, se erguem quatro jatos de água.

Fonte da Piazza Aracoeli

Por volta do final do século XVI, em 1589, durante o pontificado de Sisto V Peretti (1585-1590), Giacomo della Porta realizou a harmoniosa fonte da piazza d'Aracoeli, no topo da qual quatro putti, voltando-se as costas, vertem água de outras tantas ânforas que seguram nas mãos. No decurso de um restauro oitocentista da fonte, situada ao pé do Campidoglio, a grande bacia original de forma ovalada foi substituída pela atual bacia circular; foram então removidos também os dois degraus, modelados segundo as linhas da tina superior, que o projetista quisera não para quem pretendesse tirar água, mas como pedestal para a fonte, que parecia emergir das águas da ampla bacia ovalada.

Fonte dos Tritões

Piazza della Bocca della Verità Fonte dos Tritões É chamada também «dos tritões» esta fonte setecentista, construída em 1717 segundo desenho do arquiteto Carlo Bizzaccheri, que concebeu a tina em forma de estrela em honra do pontífice Clemente XI Albani (1700-1721), em cujo brasão, sobre um símbolo que representa três montes, se vê precisamente uma estrela de oito pontas. No centro da tina, sobre alguns rochedos, dois tritões, de costas voltadas e com as caudas entrelaçadas, sustentam uma taça em forma de concha que tem gravados os brasões papais. A fonte, que se encontra num contexto sugestivo, sempre sofreu, infelizmente, de escassez de água. Clemente XI deve ser recordado como um pontífice que fez muito pelo urbanismo romano.

Piazza del Campidoglio — Fonte da Deusa Roma

Fonte da Deusa Roma A fonte do Campidoglio, chamada também «da escadaria Senatória» e «da Palas raptada», foi concebida por Miguel Ângelo por volta de 1536 não como fonte (a água chegou ao Campidoglio uns cinquenta anos mais tarde), mas como soberbo ornamento da praça. No nicho ao centro da escadaria, Miguel Ângelo previu a colocação de uma colossal estátua de Minerva (hoje no pátio do Museo Capitolino), que foi instalada em 1583, mas ali permaneceu apenas uma década; foi depois substituída pela atual estátua, de dimensões mais modestas, da deusa Roma triumphans. A estátua da deusa Roma, erguida sobre nada menos de três bases, tem o rosto e as extremidades em mármore branco, enquanto o panejamento é de pórfiro. Aos lados do grande nicho, nos painéis da escadaria, Miguel Ângelo inseriu duas enormes estátuas representando os rios Nilo e Tigre, que originalmente ornavam as termas de Constantino, na colina do Quirinal. Os Romanos quiseram transformar o Tigre em Tibre e, por isso, mudaram o tigre em loba e puseram-lhe ao lado Rómulo e Remo. Para adaptar a fonte todo o conjunto da escadaria Senatória, ideia a que o arquiteto Giacomo della Porta se opunha com vigor, foi aberto (caso único entre as tantas fontes romanas do século XVI) um concurso, que foi ganho, entre mil polémicas, em janeiro de 1588, por Matteo Bartolani de Città di Castello.

Piazza del Campidoglio — Fonte dos Leões

Fonte dos Leões Na base da escadaria que conduz à praça do Campidoglio foram colocados em 1562, sobre bases desenhadas por Della Porta, dois leões egípcios de basalto negro da Numídia que anteriormente ornavam a entrada da igreja de Santo Stefano del Cacco. Em 1587, quando a Acqua Felice foi levada à colina capitolina, que ficara sem água corrente depois da interrupção do aqueduto Márcio, os dois leões foram modificados e adaptados a fontes: em 1588 o canteiro Francesco Scardua, segundo desenho de Camillo Rusconi, executou duas conchas para recolher a água lançada pelas bicas inseridas nas bocas dos leões. Pelo menos em duas ocasiões, para a eleição do papa Inocêncio X Pamphili (1644-1655) e do papa Clemente X Altieri (1670-1676), das bicas destas fontes fez-se brotar, em vez de água, vinho branco e vinho tinto.

Fonte chamada «Terrina»

Piazza della Chiesa Nuova Fonte chamada a «Terrina» Por vontade do papa Gregório XIII Boncompagni (1572-1585), por volta de 1581 o arquiteto Giacomo della Porta projetou uma fonte para o Campo de'Fiori, que, situada no centro da popular praça (abaixo do nível da rua, devido à fraca pressão da Acqua Vergine), foi removida no final do século XIX, quando foi erguido o monumento a Giordano Bruno. A grande concha oval de mármore branco, ornada com quatro golfinhos de bronze (mais tarde removidos e perdidos), inserida numa grande tina à qual se acedia descendo duas rampas de quatro degraus, foi fechada em 1622 pelo papa Gregório XV Ludovisi (1621-1623) com uma tampa de travertino. Na sequência da cobertura decretada por motivos de higiene (o lixo sujava perenemente a água, pois a praça foi desde sempre lugar de mercado), os romanos chamaram a esta fonte «la Terrina», isto é, a terrina de sopa. Em 1924, depois de ter ficado mais de trinta anos em depósito nos armazéns municipais, esta fonte foi reconstruída na piazza della Chiesa Nuova.

Fonte da Piazza delle Cinque Scole

Piazza delle Cinque Scole Fonte da Praça É considerada uma das mais felizes conceções do arquiteto Giacomo della Porta esta fonte, chamada também da piazza Giudia (ou Giudea) por provir da praça do antigo gueto, demolido em 1888. O canteiro foi Pietro Gucci. Sobre uma base constituída por dois degraus encontra lugar uma tina de mármore branco de forma alongada, de planta mistilínea, no centro da qual um balaústre sustenta uma taça circular com repuxo central, da qual a água é vertida na tina inferior através de quatro máscaras, inspiradas nas Górgonas, portanto com serpentes entre os cabelos, que lançam água pelas bocas escancaradas.

Fonte das Ânforas

Piazza dell'Emporio Fonte das Ânforas Nos anos vinte, o arquiteto Pietro Lombardi venceu um concurso aberto pelo Município de Roma para o projeto de algumas fontes de bairro. A sua obra mais majestosa é a fonte das Ânforas, pensada para o bairro de Testaccio, onde, ao longo dos séculos, com as ânforas partidas provenientes do vizinho porto fluvial de Ripa Grande, se formou uma pequena colina. A fonte de Lombardi, realizada em travertino, tem planta circular e está dividida em quatro raios por outras tantas rampas de escadas; em cada raio, escavado em forma de tina, verte água uma ânfora, enquanto volutas e pequenos pilares ligam as escadas ao maciço grupo central de ânforas que as domina.

Fonte da Acqua Paola

A majestosa fonte-mostra da Acqua Paola, conhecida também como «fontanone del Gianicolo», foi mandada fazer pelo papa Paulo V Borghese (1605-1621), projetada por Giovanni Fontana e Flaminio Ponzio e completada por Carlo Fontana com a enorme bacia de mármore branco. A monumental fonte apresenta três amplos nichos (ladeados por dois nichos menores), de cada um dos quais brota muita água proveniente do lago de Bracciano. Na grande inscrição colocada por cima dos nichos há uma inexatidão: diz-se que foram restaurados os condutos da fonte Alsietina, em vez da Traiana. O brasão pontifício, tal como as figuras que o ladeiam, é obra cuidada de Ippolito Buzio; só em 1690 o papa Alexandre VIII Ottoboni (1689-91), segundo projeto de Carlo Fontana, mandou substituir as cinco conchas colocadas na base das bocas de água pela grande e magnífica bacia, abrir para o jardim botânico situado atrás o vão da arcada central e construir o largo de onde se admira um admirável panorama sobre a capital.

Fonte das Rãs

Piazza Mincio Fonte das Rãs

Entre as fontes mais recentes, mas nem por isso menos interessantes, merece ser conhecida a fonte das Rãs, realizada na piazza Mincio em 1924 segundo desenho do arquiteto Gino Coppedè. Sobre uma bacia circular baixa, pouco mais alta do que o nível da rua, quatro pares de figuras sustentam cada um uma concha que acolhe uma rã que verte água na própria concha. No centro da bacia, entre as quatro conchas, ergue-se uma taça também circular, em cujo bordo se dispõem ordenadamente outras oito rãs prestes a saltar em direção ao repuxo central.

Fonte da Piazza Nicosia

Piazza Nicosia Fonte da Praça A primeira fonte pública da Roma moderna foi construída (a primeira das dezoito mandadas fazer depois da reativação do aqueduto Vergine) em 1572, na piazza del Popolo, segundo desenho do arquiteto Giacomo della Porta, mas não teve vida fácil: deslocada várias vezes e removida em 1823, quando Valadier, ao redesenhar a praça, colocou quatro fontes ao pé do obelisco, ficou também nos armazéns municipais. A meio do século XX a fonte foi reconstruída na piazza Nicosia, mas de original conserva apenas a grande taça octogonal de mármore, enquanto o balaústre e a taça superior são recentes. Os quatro tritões agachados que ornam a fonte do Mouro, na piazza Navona, foram originalmente esculpidos para esta fonte, mas, tendo resultado desproporcionados em relação às dimensões da tina e da taça, foram felizmente recolocados na posição atual.

Fonte das Tartarugas

Piazza Mattei Fonte das Tartarugas A esplêndida fonte chamada «das Tartarugas» é uma criação mágica de Giacomo della Porta, que funde admiravelmente água, arquitetura e escultura; além disso, está felizmente inserida num recanto de Roma que permaneceu bastante semelhante ao que era no momento da sua construção. Em 1570 uma fonte devia encontrar lugar no vizinho gueto, na piazza Giudia, mas a intervenção da poderosa família Mattei fez com que fosse construída aqui (1581), ao passo que o gueto só teve a sua fonte em 1591 (ver fonte da piazza delle Cinque Scole). No centro de uma ampla tina quadrangular, sobre uma alta base quadrada de lados côncavos, encontram lugar quatro grandes conchas de mármore, acima das quais quatro efebos de bronze imobilizam, pondo-lhes um pé sobre a cabeça, outros tantos golfinhos de bronze. Os efebos, todos na mesma postura, erguem um braço para a taça de mármore que os encima. No projeto original, outros quatro golfinhos de bronze (talvez os mesmos que decoraram num primeiro tempo a fonte do Campo de' Fiori) deviam encontrar-se onde hoje estão as tartarugas, que foram inseridas a meio do século XVII, na sequência de um primeiro restauro.

Fontanário da Pinha da Piazza San Marco

Piazza San Marco Fonte da Pinha Projetada em 1927 pelo arquiteto Pietro Lombardi para o bairro da Pigna, que antigamente tomou o nome de uma colossal pinha hoje guardada no Vaticano, esta pequena fonte caracteriza-se por uma pinha sustentada por uma base estilizada; a água recolhe-se no chão em pequenas tinas protegidas por quatro pequenas colunas.

Fonte dos Navegadores

Piazza del Porto di Ripetta Fonte dos Navegadores Em 1704, o papa Clemente XI Albani mandou construir na margem do Tibre, junto ao pequeno porto de Ripetta, uma fonte onde pudessem matar a sede os carregadores encarregados da descarga de lenha e de vinho. O projetista, Alessandro Specchi, imagina uma tina oval, numa das extremidades da qual insere um rochedo sobre o qual assenta uma concha ladeada por dois golfinhos. A água que brota do alto do rochedo (em cujo cimo está o brasão dos Albani) e das bocas dos golfinhos recolhe-se na bacia inferior. A meio do século XVIII foi colocada no cimo do rochedo uma lanterna, com o fim de facilitar a atracagem noturna das embarcações.

Piazza San Bernardo

Piazza San Bernardo Fonte de Moisés Esta fonte-mostra da água Felice (água assim chamada em honra do papa Sisto V, de seu nome civil Felice Peretti, que restabeleceu o aqueduto da água Alessandrina) é obra de 1587 dos irmãos Giovanni e Domenico Fontana. Construída em travertino, apresenta três grandes nichos ritmados por quatro colunas jónicas dispostas em simetria com quatro leões egípcios, dois de mármore branco e dois de mármore escuro.

No momento da inauguração, em junho de 1587, a maciça estátua de Moisés, com mais de quatro metros de altura, ainda não tinha sido colocada no nicho central da fonte. Nos nichos laterais encontram-se as estátuas que representam Aarão e Gedeão.

No frontispício está presente o brasão papal, enquanto a proteger os tanques se encontra uma imponente balaustrada proveniente, como demonstra a inscrição nela presente, de um edifício erguido por Pio IV.

Piazza Santa Maria in Trastevere

Piazza Santa Maria in Trastevere Fonte da Praça Segundo a tradição, esta seria a mais antiga das fontes monumentais de Roma; aparece, com efeito, numa planta da cidade de 1471 devida a Pietro del Massaio. A igreja de Santa Maria in Trastevere foi chamada antigamente Sancta Maria in fontibus, e pode-se portanto pensar que a fonte de 1471, na qual, ao centro de um tanque poligonal assente sobre um embasamento, se erguem sobre balaústres duas taças sobrepostas, fosse a reconstrução de uma muito mais antiga. A um restauro efetuado no final do século XV pelo cardeal Lopez (lupus) deve-se o epigrama em dísticos gravado na lápide aposta a um canto da fonte.

A vida desta fonte, a única situada num bairro pobre, foi marcada pela falta de um abastecimento de água contínuo e abundante. Foi Alexandre VII Chigi (1655-1667) quem finalmente lhe forneceu 36 onças de água (em vez de 5) e a fez deslocar para o centro da praça; os trabalhos foram confiados a Bernini (1659): a parte superior do monumento não foi modificada, ao passo que a inferior, isto é, o tanque octogonal, foi elevada sobre alguns degraus, foram acrescentadas as quatro conchas duplas (então voltadas para o exterior), os brasões dos Chigi e inscrições em memória do restauro. Mas já uns trinta anos mais tarde (1692) o pontífice Inocêncio XII teve de proceder a trabalhos extraordinários de limpeza, no decurso dos quais foi provavelmente ampliada a capacidade do tanque e as conchas duplas foram voltadas para o tanque, como que para o proteger. Por fim, em 1873, a Câmara Municipal de Roma reconstruiu totalmente a fonte em mármore bardiglio em vez de travertino, mas segundo o modelo exato de 1692.

Piazza Trilussa

Piazza Trilussa Fonte da Praça O «fontanone» de ponte Sisto (fonte-mostra da Acqua Paola), realizado em travertino por Giovanni Vasanzio (o flamengo Van Zanten) em 1613, por vontade de Paulo V Borghese (1605-1621), e originalmente situado ao fundo da elegante via Giulia, encostado ao Ospizio dei Mendicanti, encontra-se hoje na piazza Trilussa, como edifício autónomo alinhado com o ponte Sisto.

Duas colunas jónicas dispostas aos lados de um amplo nicho com abóbada de berço sustentam uma arquitrave, acima da qual se encontra uma epígrafe comemorativa. O brasão dos Borghese domina o conjunto. De uma abertura recortada na parte alta do nicho jorra água abundante, que cai numa primeira concha, da qual se precipita com fragor no tanque situado ao nível da rua. Também dois dragões esculpidos nas bases das colunas lançam água no tanque, como o fazem duas cabeças de leão. Seis pequenas colunas de granito vermelho ligadas por uma estrutura de ferro protegem a fonte que, deslocada em 1879 quando se decidiu alargar o leito do Tibre e construir o lungotevere da margem esquerda, foi reconstruída no final do século XIX. Foi então elevada uns quinze degraus acima do nível da rua, para a tornar mais visível a partir do ponte Sisto.

Fonte da Piazza Quiriti

Quiriti Fonte da Praça Em 1927, no bairro de Prati, era realizada, segundo projeto do escultor Attilio Selva, uma fonte inspirada na forma nas do século XVII, cujos nus femininos causaram então escândalo. Ao centro de uma grande bacia circular ergue-se uma taça de cujas bordas desce um véu de água; quatro figuras femininas, de costas umas para as outras, estão no centro da taça e sustentam com a cabeça e os braços uma taça quadrilobada mais pequena, no centro da qual se eleva um repuxo a partir de uma grande pinha.

Fonte dos Dioscuros na Piazza del Quirinale

Piazza del Quirinale Fonte dos Dioscuros A fonte da piazza del Quirinale é chamada dos Dioscuros porque duas gigantescas estátuas dos Dioscuros com os cavalos se encontram aqui desde 1588, quando Domenico Fontana, por vontade do papa Sisto V Peretti (1585-1590), projetou a sua única fonte pública, colocando diante das estátuas um tanque octogonal, no centro do qual um balaústre sustentava uma taça.

Foi o papa Pio VI Braschi (1775-1799) quem mandou transportar para a piazza del Quirinale o obelisco encontrado no Campo de Marte: o transporte foi uma obra complexa, levada a cabo em 1786. A atual fonte da piazza del Quirinale remonta, porém, a 1818, quando Pio VII Chiaramonti (1800-1823) mandou substituir a fonte anterior, da qual se perdeu o rasto, pela esplêndida taça de granito sustentada por um balaústre e erguida sobre uma grande bacia circular.

Fonte do Tritão na Piazza Barberini

Considerada uma das fontes mais belas de Roma, foi realizada em travertino por Gian Lorenzo Bernini em 1643. Entre as caudas dos golfinhos que sustentam a concha sobre a qual se agacha o tritão, Bernini colocou dois brasões dos Barberini. O tritão, que sopra com ímpeto numa concha, faz sair o jato de água que, caindo nas valvas e depois, pelas caneluras destas, no tanque inferior, cria uma coreografia de grande efeito. Restaurada em 1932 e em 1990.

Fonte da Piazza Campitelli

A elegante pequena fonte da piazza Campitelli foi concebida pelo talentoso arquiteto Giacomo della Porta em 1589 (e realizada pelo canteiro Pompilio de Benedetti). Originalmente a fonte estava situada no centro da praça, mas em 1679, na sequência da ampliação da igreja de Santa Maria in Campitelli, foi deslocada para a posição atual. O monumento, de travertino, é formado por um embasamento octogonal cujos lados retilíneos (mais longos) alternam com outros côncavos, sobre o qual se ergue um tanque também octogonal, decorado com os brasões das quatro famílias preeminentes na zona (Albertoni, Capizucchi, Muti e Ricci, que assumiram o encargo dos trabalhos) e com duas carrancas que vertem água. Por cima do tanque, sustentada por um balaústre de mármore em forma de cálice, encontra-se uma taça circular, no centro da qual se eleva um jato de água.

Fonte da Piazza Colonna

O papa Gregório XIII Boncompagni (1572-1585) encarregou Giacomo Della Porta de realizar o projeto, e a elegante fonte, executada pelo escultor de Fiesole Rocco De Rossi, foi colocada em 1577 no lugar que ainda hoje ocupa. Durante o restauro de 1830 foram acrescentados os dois grupos de golfinhos com as caudas entrelaçadas, obra do escultor Alessandro Stocchi. Nessa ocasião foi substituída a taça superior, desgastada, por uma mais pequena e modesta que, com um repuxo central, faz descer no tanque inferior um elegante véu de água.

Piazza Navona — Fonte dos Quatro Rios

Para dar uma digna colocação na piazza Navona ao obelisco proveniente do Circo de Maxêncio e ao projeto de Bernini, o pontífice Inocêncio X Pamphilj autorizou os trabalhos, e a estupenda obra foi inaugurada a 12 de junho de 1651. Em torno do monólito foram colocadas quatro estátuas de mármore branco com cinco metros de altura, que representam os rios. A primeira, realizada por Claude Poussin, é dedicada ao Ganges e simboliza a Ásia; o Nilo, pela África, é de Giacomo Antonio Fancelli e tem a cabeça velada porque na época não se conheciam as suas nascentes; Antonio Raggi esculpiu o Danúbio, pela Europa, e por fim o Rio da Prata, símbolo da América, é de Francesco Baratta.

Piazza Navona — Fonte do Mouro

Executada em 1574 segundo projeto de Giacomo Della Porta durante o pontificado de Gregório XIII Boncompagni, foi completamente renovada em 1653, tendo o papa Inocêncio X Pamphilj confiado o encargo a Bernini. No restauro de 1874 os quatro tritões e as quatro máscaras foram substituídos por cópias executadas por Luigi Amici (os originais encontram-se talvez nalgum depósito municipal). A escultura central, desenhada por Bernini e executada por Giannantonio Mari em 1655, é erradamente chamada o Mouro devido aos seus traços fisionómicos, mas trata-se na realidade de um tritão musculoso que subjuga um golfinho.

Piazza Navona — Fonte de Neptuno

Também esta fonte, situada na parte setentrional da praça, foi renovada por Bernini, mas durante trezentos anos ficou desprovida de estátuas e ornamentos. Em 1873 foi aberto um concurso, ganho pelo escultor Antonio Della Bitta, a quem foi confiada a execução do Neptuno, enquanto o escultor Gregorio Zappalà executou os grupos em torno da bacia: cavalos-marinhos, sereias e putti que brincam com os golfinhos. Os trabalhos terminaram em 1878.

Piazza del Popolo — Fonte do Obelisco

A primeira fonte, construída por Giacomo Della Porta por encomenda do papa Gregório XIII Boncompagni, foi considerada, embora bela, inadequada às dimensões da praça por Leão XII Della Genga, que encarregou da sua reconstrução Giuseppe Valadier, chefe de escola do classicismo romano. Este colocou em torno do obelisco quatro leões de estilo egípcio em mármore branco que vertem água em leque em outros tantos tanques redondos de travertino, assentes numa base quadrada de cinco degraus. Valadier projetou ainda outras duas fontes para completar os hemiciclos laterais.

Piazza del Popolo — Fonte da Deusa Roma

É a fonte situada no hemiciclo direito, do lado do Pincio, desenhada por Valadier em 1823, e o grupo escultórico em mármore, executado por Giovanni Ceccarini, representa a deusa Roma armada de lança e com elmo, ladeada pelas estátuas jacentes do Tibre e do Aniene e pela loba que amamenta os dois gémeos. O tanque de travertino, em forma de ampla concha, recolhe a água proveniente de uma pequena taça situada na base do monumento.

Piazza del Popolo — Fonte de Neptuno

No hemiciclo esquerdo, Valadier contrapôs uma fonte com um grupo monumental, também esculpido por Ceccarini, representando um Neptuno com o tridente sobre dois golfinhos guiados por dois tritões. A água jorra e é recolhida de modo semelhante à da outra fonte.

Fonte das Náiades na Piazza della Repubblica

É a mais bela das fontes modernas de Roma. Construída em 1888 segundo projeto de Alessandro Guerrieri, que em torno do grande tanque circular colocou quatro leões de gesso. Estes foram depois substituídos, em 1901, pelos quatro grupos de bronze do escultor Mario Rutelli que representam a Ninfa dos Lagos com o cisne, a Ninfa dos Rios, sobre um monstro fluvial, a Ninfa dos Oceanos, chamada «Oceanina», sobre um cavalo selvagem, símbolo das vagas, e a Ninfa das Águas Subterrâneas, deitada sobre o dorso do dragão. Ao centro, o grupo do «Glauco», esculpido pelo mesmo Rutelli e acrescentado no ano de 1912, substituiu um anterior, que representava o domínio do homem sobre as forças da natureza e foi levado para os jardins da piazza Vittorio Emanuele, por não ter agradado aos comitentes.

Fonte do Panteão na Piazza della Rotonda

Em 1575, Giacomo Della Porta, por incumbência do papa Gregório XIII Boncompagni, projetou com um desenho elegante uma fonte destinada ao centro da praça. Leonardo Sormani realizou a obra, composta por uma bacia mistilínea elevada sobre três degraus de travertino e enriquecida por quatro grupos de golfinhos e de máscaras, com ao centro uma taça com água em repuxo. Em 1711, por ordem do papa Clemente XI Albani, o arquiteto Filippo Barigoni substituiu a taça por um rochedo, sobre o qual foi colocado o obelisco de Ramsés II, com seis metros de altura e ornado na base por quatro golfinhos executados pelo escultor Vincenzo Felici. No restauro de 1804 as quatro máscaras quinhentistas foram substituídas por cópias executadas por Luigi Amici.

A Barcaccia na Piazza di Spagna

Pietro Bernini, pai de Gian Lorenzo, projetou a característica fonte por encomenda do papa Urbano VIII Barberini. Reza a tradição que, para o projeto, Bernini se inspirou num velho barco encalhado pela cheia do Tibre em 1598. A obra foi construída ao nível do solo para compensar a fraca pressão do aqueduto da Acqua Vergine, que naquele ponto era muito baixa. Ornada no interior por duas «bocas de sol» barberinianas que lançam água em leque. No exterior, dois brasões de Urbano VIII. Pode notar-se uma ponta de ironia, sabendo que aquele tipo de embarcação se destinava sobretudo ao transporte do vinho.

Fonte de Trevi

Imponente e artisticamente notável, é a fonte mais cenográfica, e não só de Roma. Quando, nos primeiros anos da década de 1730, o papa Clemente XII decidiu substituir a bela fonte desenhada por Leon Battista Alberti em 1453 por uma de imponente majestade, convidou os melhores artistas da época a apresentar os seus projetos. Foi escolhido o de Nicola Salvi, e os trabalhos tiveram início em 1735 e concluíram-se sob o pontificado de Clemente VIII Rezzonico; a fonte foi inaugurada a 22 de maio de 1761. Cobre todo um lado do palazzo Poli e tem vinte metros de largura e vinte e seis de altura. No alto, o brasão de Clemente XII esculpido por Paolo Benaglia; na balaustrada, as quatro estátuas simbolizam as quatro estações e são obra dos escultores Corsini, Ludovisi, Pincellotti e Queirolo. Ao centro, sobre um carro em forma de concha puxado por dois cavalos-marinhos guiados por dois tritões, ergue-se majestosa a estátua que representa o Oceano. Todo o grupo foi esculpido em mármore por Pietro Bracci; dos lados, nos nichos, encontram-se «a Salubridade», à direita, e «a Abundância», à esquerda, obra de Filippo Valle. Por cima das duas esculturas, os baixos-relevos, obra de Giovan Battista Grossi e de Andrea Bergondi, recordam a lenda de Agripa que aprova o projeto do aqueduto e a da virgem que indica as nascentes aos soldados sedentos. O grande tanque, construído ao nível da rua, simboliza o mar, e é aqui que os turistas atiram a moedinha para desejar um agradável regresso à cidade eterna. Diz a lenda que, para impedir a vista dos trabalhos a um barbeiro excessivamente crítico, o arquiteto Salvi mandou colocar um grande e pesadíssimo vaso de travertino, em irónica imitação do recipiente para o sabão, mesmo em frente da loja deste. No lado esquerdo exterior pode ver-se «A fontinha dos Namorados», uma simples pequena pia retangular que recebe água de um pequeno cano. Diz-se que os namorados que aqui bebem nunca se trairão.

Fontes da Piazza San Pietro

Gian Lorenzo Bernini, por incumbência de Alexandre VII Chigi, construiu a famosa colunata da praça, deslocou a fonte existente de Maderno, construída em posição assimétrica tanto em relação à fachada da basílica como ao obelisco, e, para lhe fazer pendant, construiu uma segunda, que foi inaugurada em junho de 1677. A mais antiga ostenta nos lados maiores o brasão de Paulo V Borghese, que mandou restaurar a fonte; a outra tem o brasão com seis estrelas de Clemente X, sob cujo pontificado os trabalhos foram concluídos. Da taça superior partem sete repuxos que deveriam atingir oito metros de altura. Na época, as duas fontes consumiam cerca de seis milhões de litros por dia; atualmente estão munidas de um dispositivo que permite a reciclagem da água.

Vaticano

A Capela Sistina: Interno.

Abóbada da Capela: Ignudo.

Abóbada da Capela: O profeta Daniel.

Abóbada da Capela: A Sibila Délfica.

Juízo Final: Um condenado.

Juízo Final: a expulsão do Paraíso.

Juízo Final: Cristo Juiz e a Virgem.

Sandro Botticelli: As filhas de Jetro, pormenor dos episódios da vida de Moisés. Capela Sistina.

A oferta do abade Desidério a São Bento. Biblioteca Apostólica Vaticana.

Fra Angelico: São Lourenço recebe os tesouros da Igreja. Vaticano, Capela Nicolina.

Rafael e discípulos: O Incêndio do Borgo. Vaticano, Salas de Rafael.

Cruz de Justiniano (estauroteca). Tesouro de São Pedro no Vaticano.

Fonte
Site thais.it de Bruno Balestrini
Este texto foi traduzido do original italiano com a ajuda da inteligência artificial (Claude). Ler a versão italiana.