Signorelli — Capela de San Brizio, Catedral de Orvieto
Os frescos da capela de San Brizio na Catedral de Orvieto representam uma das maiores obras-primas do Renascimento italiano.
A obra, realizada entre 1499 e 1504, foi executada pelo grande mestre Luca Signorelli. Os frescos da capela tinham sido primeiramente encomendados a Fra Angelico em 1447, mas este limitou-se a pintar a fresco apenas dois dos quatro panos de abóbada que lhe foram confiados e, além disso, levou nada menos de dois anos. Fra Angelico foi depois, subitamente, chamado ao Vaticano e os trabalhos ficaram inexplicavelmente parados até 1499, ano que marca o início dos trabalhos por parte de Signorelli. O encargo inicial limitava-se aos dois panos já desenhados por Angelico e que tinham ficado inacabados, mas Signorelli, graças à sua mestria e à rapidez de execução, deixou os habitantes de Orvieto, cansados de esperar a conclusão daquela obra, admirados e estupefactos a ponto de lhe confiarem, imediatamente, a tarefa de pintar a fresco os outros quatro panos do tramo de entrada e as paredes da capela. Os habitantes de Orvieto, porém, não eram os únicos a tirar proveito daquele encargo; com efeito, também para Signorelli aquela obra representava muito. Ele, de facto, atravessava um momento difícil no campo artístico, cheio de dúvidas e incertezas, causadas pelas várias sugestões da cultura da época.
Muito provavelmente, portanto, aproveitou aquela ocasião para pôr fim às suas várias tentativas e procurar um novo modo de se exprimir. Além disso, o espaço a pintar a fresco e o tema a tratar constituíam uma ocasião verdadeiramente única para se pôr à prova, demonstrar o seu talento e dar a conhecer os elementos inovadores da sua arte.
Os seus mestres, Piero della Francesca, Pollaiolo, Masaccio e tantos outros, com os seus ensinamentos, levaram-no a tornar-se um precursor da arte renascentista.
Signorelli via-se a enfrentar aquela obra num momento de crise no plano social e político e decidiu ignorar qualquer tipo de elemento arcaico, com que tinha trabalhado até então, preferindo dedicar-se ao trabalho com uma pintura capaz de exprimir os seus sentimentos, as suas fortes emoções e, sobretudo, as ideias do seu tempo.
A este propósito é obrigatório mencionar Berenson, que o definiu quase como um ilustrador que mergulha no seu trabalho com toda a sua cultura, os seus ideais e os seus sentimentos. Signorelli, tomando Dante como fonte de inspiração, consegue criar uma obra extraordinariamente monumental, usando a narração melodramática.
A sua obra, com efeito, foi muitas vezes definida como teatral, precisamente por essa sua propensão para prestar a máxima atenção ao mínimo pormenor, como se a cena tivesse de se transformar num espetáculo, e para fazer com que, na esplêndida unidade coral da obra, cada figura vivesse de vida própria. Sete são os frescos pintados de modo magistral por Signorelli para representar o Apocalipse, considerado desde sempre um dos maiores dramas da história humana. Nestes frescos, Signorelli, graças à grande paixão pela anatomia e ao uso perfeito da perspetiva, trata a figura humana pondo em relevo não tanto a sua interioridade quanto, antes, a fisicalidade e, deixando transparecer as próprias emoções através do uso de um desenho duro e estatuário, cria um novo modo de conceber e de representar a arte sacra.
Signorelli pinta os corpos humanos de modo realista, em contínuo movimento, amontoados e enlaçados entre si, e sobretudo graças à representação do nu consegue representar uma nova visão do Cristianismo, tornada necessária pela exigência de renovação no campo religioso que irrompia naqueles anos.
Sobre todas as cenas dos frescos domina a figura de Cristo, representado no alto da abóbada na qualidade de juiz absoluto, para recordar à humanidade que no fim se encontrará perante ele para ser julgada. Os homens serão assim condenados ou salvos com base no seu comportamento terreno.
No Cristo juiz reconhece-se imediatamente a mão de Fra Angelico e da sua oficina, com o seu estilo perfeito e requintado e a minuciosa atenção ao pormenor.
Parece essencial, por fim, aludir à relação de Signorelli com Dante. Este último, retratado entre os ouvintes do Anticristo e no embasamento, entre poetas e filósofos, foi um inspirador, tanto no plano ideológico como no plano da representação formal. Os demónios, de facto, com a sua cruel sanha contra os condenados, são os mesmos descritos por Dante na Divina Comédia
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