A Dialética
Faz parte, com as figurações das outras Artes Liberais, da decoração da base do sarcófago, que ilustra com intenções de celebração humanista as virtudes e os interesses culturais do Papa, segundo as intenções mais ambiciosas da mentalidade humanista, de cunho mais florentino do que romano. Enquanto, com efeito, em Roma a mediação com o mundo clássico se ressente sempre dos pesos culturais da decadência imperial, na Florença dos Medici a redescoberta da Antiguidade é já filtrada por uma sensibilidade decididamente crítica e também subtilmente polémica. Todo o monumento pollajolesco se anima numa impetuosa floração de arabescos (o animismo que vivifica e atormenta toda a matéria, como em Verrocchio), e as figuras, mesmo as retomadas da iconografia clássica, desenvolvem-se nervosas para acompanhar aquele fluxo contínuo de energias. Este obsessivo movimento pictórico do modelado queima toda a escansão espacial, que no entanto regula, num tecido perspético calibradíssimo, a arquitetura do túmulo.
Bruno Balestrini (fotografia), «A Dialética», obra de Pollajolo Antonio, Escultura renascentista, Roma, San Pietro, Grotte Vaticane. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/sch00051/. Consultado em [data de consulta].