Pietà Rondanini
Abandonada a «Pietà» de Florença, Miguel Ângelo começou de imediato a trabalhar noutra versão, pouco depois de 1553. Mas, «fosse porque o juízo daquele homem – como diz Vasari – era tão grande que nunca se contentava com coisa alguma que fizesse», deixou também essa interrompida. Só no último ano da sua vida a retomou, destruiu quase tudo o que tinha esculpido (veja-se o que resta do braço direito e das pernas do «primeiro» Cristo) e pôs-se a tirar daquele mármore um «conceito» totalmente novo, trabalhando nele até à morte. As maravilhas da composição espiralada, nas quais se ia consumindo o intelectualismo dos maneiristas, são superadas nesta simples onda ascendente que atualiza ao mesmo tempo o linearismo místico gótico e a eleita melodia clássica.
Bruno Balestrini (fotografia), «Pietà Rondanini», obra de Michelangelo Buonarroti, Escultura renascentista, Milão, Museo d'Arte Antica del Castello Sforzesco. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/sch00082/. Consultado em [data de consulta].