Putto dançante
Enquanto no púlpito de Prato a sinfonia plástica do cortejo de putti exultantes está subdividida em momentos escandidos nos painéis emoldurados por pequenos pilares emparelhados, de modo a sublinhar a radiante estrutura arquitetónica e a evidenciar na luz aberta a cena em relevo, na Cantoria ela desenrola-se unitária num plano recuado em relação às colunas duplas revestidas de mosaico, de modo a criar uma articulada profundidade de interiores que a vibração luminosa das decorações plásticas e dos relevos, fundidos na trama das tesselas douradas, reconduz a um efeito de espacialidade contínua. Os motivos iconográficos, derivados de sarcófagos e esculturas romanos e ravenatos (está documentada a relação com um fragmento do Museo Archeologico de Milão), são traduzidos por Donatello numa linguagem absolutamente nova: ao pleno relevo arredondado substitui uma escrita áspera e incisa, de cortes nítidos de perfis sobre o stiacciato, que cria ritmos enérgicos e delineia e faz ressaltar, por contraste, o motivo figurativo dentro da trama densa do contexto envolvente.
Bruno Balestrini (fotografia), «Putto dançante», obra de Donatello, Escultura renascentista, Florença, Museo dell'Opera del Duomo. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/sch00040/. Consultado em [data de consulta].