Abadia de Sant’Elena sull’Esino
Breve descrição dos capitéis da igreja ( ver planta ) : Todos os capitéis são de pedra branca (travertino? calcário?), quase todos encimados por um ábaco (pulvino) de pedra cinzenta, por vezes decorado, que, pelas suas maiores dimensões, bem como pela diferença de material e pela execução técnica, não parece pertencer aos capitéis nem ser contemporâneo deles (ou talvez, como se diz mais adiante, sejam os capitéis a não pertencer aos ábacos): 1) Na parte inferior, grandes folhas de palmeira e na parte superior belas volutas. 2) Em baixo: 5 pequenas arcadas vazias, separadas por belos colunelos, alguns até torsos, todos dotados de base e capitel; em cima, grandes volutas e desenhos geométricos. 3) Duas sereias de cabelos compridos e expressão hierática que seguram as pernas com as mãos. Em vez dos pés há traços paralelos que indicam talvez barbatanas. Saem também barbatanas da parte posterior das coxas. Os seios são muito pronunciados e por baixo deles há ainda traços paralelos que indicam talvez costelas (ou guelras?) (ver foto capitel 3) . 4) A parte direita do capitel falta quase totalmente devido a uma quebra ou a um desbaste a cinzel (ver foto capitel 4) . Na parte visível nota-se um anjo (talvez um arcanjo, quiçá São Miguel?) com grandes asas abertas, que sobem por trás das costas e depois descem verticalmente pelos seus flancos. O anjo veste um colobium (túnica) muito decorado e talvez também uma coroa ou um elaborado toucado. Tem, além disso, nimbo. Nos dois braços abertos em cruz segura uma longa cruz processional. O pé da cruz da mão direita é enfiado na boca de um monstro que o anjo tem debaixo dos pés, ao passo que não se vê onde vai terminar a cruz da mão direita, mas adivinha-se que deva encontrar-se nas fauces de um monstro simétrico (como, de resto, se vê muito bem no capitel n.º 15, idêntico a este e completo) (ver foto capitel 15) . 5) Como o capitel 2, só que sob as pequenas arcadas há pequenas folhas. O ábaco é decorado com uma gravação entrelaçada. 6) Como o anterior, mas em vez das pequenas arcadas há motivos «em laçarote». 7) Grandes folhas encaracoladas e volutas. O ábaco está muito deteriorado. 8) Idêntico ao anterior, exceto num pormenor: uma das folhas é decorada com uma incisão. Belo motivo em trança sob o capitel. Também aqui o ábaco está muito deteriorado. 9) Capitel muito deteriorado com folhas de acanto, encimado por uma bela faixa decorada. 10) Mais do que um capitel, assemelha-se a uma longa mísula decorada, dividida em dois registos: em cima, motivos vegetais, em baixo, trança tripla. 11) Motivos vegetais e grandes volutas. Também aqui o ábaco está muito deteriorado. 12) Notável o ábaco, idêntico ao do capitel n.º 5. O capitel está dividido em duas faixas: em baixo, motivos vegetais (três pequenas folhas em forma de coração sobrepostas, de tamanho decrescente à medida que sobem), em cima, grandes volutas. 13) Resta apenas o ábaco, idêntico ao do capitel 5. 14) Capitel com pequenas arcadas, semelhante ao n.º 6, com motivos vegetais mais requintados no interior das arcadas. 15) Capitel idêntico ao n.º 4, mas completo da parte que naquele faltava. Bem visível o monstro representado aos pés do anjo. Tem duas grandes fauces escancaradas (talvez para um único corpo), uma para cada uma das duas cruzes que o anjo segura nas mãos. Notável também o ábaco (ver foto capitel 15) . 17) Dois grifos (?) afrontados. Ábaco bastante deteriorado (ver foto capitel 17) . 18) Motivos de palmetas e volutas de gosto quase «romano». O ábaco é quase liso. A primeira fase construtiva das abóbadas poderia relacionar-se com os vestígios de um arco de volta perfeita visíveis na alvenaria entre o grande arco de suporte que divide em tramos a nave central e a atual cobertura de abóbadas ogivais. Esta primeira construção podia decalcar em planta o edifício que chegou até nós, mas devia ter a cabeceira oriental com três absides (o muro interior de remate leste da nave meridional apresenta, com efeito, sinais da presença de um provável semicírculo, talvez o arranque do hemiciclo de uma abside) e abóbadas mais baixas do que as atualmente existentes. A cornija monolítica colocada sobre os pilares de suporte das abóbadas das naves laterais encontra-se posicionada mais acima do que as mesmas cornijas utilizadas como mísula de suporte das abóbadas atuais voltadas para a nave central e para o arco do tramo longitudinal. As meias-colunas rematadas por capitéis, os únicos nesta zona com decorações figuradas, adossadas aos pilares e voltadas para a nave central, parecem um acrescento autónomo, talvez ligado às remodelações do século XII. CRIPTA Completamente reconstruída no século XX. Apenas 4 capitéis parecem de época românica. Dois deles encontram-se no semicírculo da abside e um de cada lado, nas paredes setentrional e meridional: são decorados com motivos florais. Também a cripta, na reconstrução, apresenta anomalias que remetem para uma hipotética cabeceira com três absides (a reconstrução das abóbadas em direção ao remate leste é truncada a meio do arco).
Bruno Balestrini (fotografia), «Abadia de Sant’Elena sull’Esino», Românico menor em Itália, Serra San Quirico, Itália. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/romanico-minore-00019/. Consultado em [data de consulta].