Púlpito
Na sua cadenciada estrutura hexagonal, isolado da parede, contrariamente ao costume toscano, o púlpito do Batistério de Pisa define-se antes de mais como obra arquitetónica. Separados por feixes de delgadas colunelas adelgaçadas, os cinco relevos do parapeito ritmam com serena compostura um espaço rigorosamente controlado, ao qual se ajustam, numa modulação lenta e todavia dinâmica, as medidas relações rítmicas das colunas e dos arcos trilobados. No enérgico desenho destes últimos encontram lugar, nos ângulos, representações de Virtudes e, nos tímpanos angulares, figuras de profetas e dos quatro evangelistas. Deste modo, já nesta primeira obra conhecida de Nicola, que a inscrição na cornija sob o painel do Juízo Final afirma terminada em 1260, se declara aquela admirável síntese de motivos doutrinais, narrativos, simbólicos e decorativos que será depois exemplar durante muitos séculos na arte italiana. Síntese figurativa que corresponde perfeitamente às complexas sumas poéticas e filosóficas contemporâneas, de Tomás de Aquino a Dante Alighieri.
Bruno Balestrini (fotografia), «Púlpito», obra de Nicola Pisano, Escultura gótica, Pisa, Batistério. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/sch00550/. Consultado em [data de consulta].