Cavalo
A férrea medida plástica e volumétrica que se reconhece à escultura de Marino não contrasta de modo nenhum com a requintadíssima policromia com que enriquece muitas das suas esculturas, gessos, madeiras e bronzes: ataca-as com os vernizes e com as têmperas, com os ácidos e com o alcatrão; em todo o caso, porém, essa intervenção nunca parece aditiva e puramente ornamental, porque a epiderme policroma adere perfeitamente e, mais ainda, potencia a estrutura volumétrica, exaltando a sua extensão e concentração espacial, instaurando relações de claro-escuro subtilmente variadas, muitas vezes desfasadas em relação ao jogo natural das luzes e das sombras. O pequeno cavalo de 1952, finamente cinzelado como um ídolo misterioso, é documento exemplar desta transfiguração mariniana da matéria opaca.
Bruno Balestrini (fotografia), «Cavalo», obra de Marini Marino, Escultura moderna, Milão, Coleção privada. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/sch00160/. Consultado em [data de consulta].