Rapariga cheia de amor
Depois de uma viagem a Munique, Martini parece colocar-se com finura mais consciente o problema de uma linguagem depurada de todo o verismo anedótico e do pictorialismo superficial, para reencontrar a estrutura solene da estátua. Se na Prostituta recorria a pesados humores populares e primordiais, acentuados por uma veia impressionista, na Rapariga cheia de amor a reelaboração cultural é ainda mais complexa, pressupondo a subtil elegância liberty, sobretudo dos objetos decorativos, na flexuosa delicadeza das linhas onduladas; mas, ao mesmo tempo, a imagem não renuncia a uma caracterização expressiva singularmente pungente e, na extrema simplificação dos volumes, no tambor cilíndrico do pescoço, nos traços fisionómicos incisos, define-se uma reelaboração muito pessoal da escultura grega
Bruno Balestrini (fotografia), «Rapariga cheia de amor», obra de Martini Arturo, Escultura moderna, Veneza, Galleria d'Arte Moderna em Ca' Pesaro. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/sch00261/. Consultado em [data de consulta].