Abadia de Sant’Elena sull’Esino
Perto da confluência do Esinante com a torrente Esino, ergue-se o que resta da abadia de Sant’Elena (que nos documentos mais antigos é denominada «Sant’Elena dell’Esino»). Os historiadores atribuem a São Romualdo a fundação do primeiro cenóbio por volta dos anos 1009-1010, embora a documentação mencione esta abadia pela primeira vez no ano 1130; no ano 1180 passava a ser propriedade da congregação camaldulense. Outro documento pontifício do ano 1199, juntamente com privilégios e isenções, enumerava também os seus bens (42 igrejas, alguns castelos e aldeias, terras cultivadas, matas, moinhos, casas e palácios), sublinhando a notável importância desta instituição religiosa. O que resta dessa época, que viu sucederem-se remodelações ao longo de todo o século XII, identifica-se, sempre segundo os estudiosos, no atual edifício da igreja e no robusto torreão quadrangular de defesa. São precisamente as intervenções do século XII que determinaram a atual disposição com uma só abside, com duas janelas de duplo derrame e planta basilical de três naves com cripta (reedificada após um desmoronamento ocorrido no ano 1925), além de todo o aparato escultórico conservado no interior e no portal. Tende-se a atribuir a 1180 o completo alteamento das partes superiores do edifício, obra, precisamente, dos novos proprietários de Camaldoli. As salas, que outrora eram destinadas às várias dependências monásticas, estão atualmente ocupadas por um restaurante e têm abóbadas de tijolo e paredes de pedra. A dependência monástica mais antiga, que remontaria ao século XI, é uma sala com «abóbada de berço e pavimento em grandes blocos de pedra», e talvez esta parte seja precisamente o que resta do primeiro assentamento da abadia. Construída em pedra local escura, a igreja está orientada a leste, com cabeceira de uma só ampla abside (ver foto abside) . O exterior não apresenta motivos decorativos particulares. Só o embasamento da abside poderia pertencer a uma fase construtiva diferente da do alçado. Na abside, a construção antiga parece chegar a cerca de 2,5 metros de altura, ao passo que o resto parece de feitura posterior. A alvenaria do lado norte apresenta uniformidade de construção até cerca de 4 metros de altura, com pedras bem esquadriadas assentes entre camadas de argamassa com a espessura de cerca de um centímetro, ao passo que as janelas, quatro monóforas altas e estreitas com moldura de pedra branca e terracota, parecem de execução posterior. Na zona absidal, no muro de remate da nave meridional, por cima da janela monófora, estão inseridas algumas pedras decoradas, duas com motivos geométricos em estrela e uma com uma cruz e dois homens (ver foto monófora) . Na zona por cima da abside estão ainda embutidos ladrilhos de terracota (só um é de pedra), decorados com motivos geométrico-florais. O lado setentrional da igreja (ver foto exterior) , mede, da fachada ao ângulo, 33 passos, ao passo que a abside acrescenta ao perímetro 3 passos; 21 passos é a medida da largura do edifício. Estruturas de construção mais recente encostam-se ao flanco meridional da igreja (atualmente destinadas a uso privado). O interior de três naves, ao contrário do lado norte exterior, despojado e linear, apresenta diversos motivos decorativos. Acede-se à estrutura conventual por uma porta que dá para um pequeno pátio interior fechado por muros altos (notar também os restos, no muro perimetral exterior, de uma provável porta fortificada voltada para a estrada principal), dominados pela fachada da igreja, com campanário de espadana e duas monóforas de dimensões diferentes para os sinos, e ampla janela central de volta perfeita com moldura dupla, centrada entre dois contrafortes. A entrada do edifício eclesial encontra-se no lado esquerdo do pátio interior. O portal de acesso à igreja (ver foto portal) é de arco quebrado sobre quatro molduras em derrame, esculpido e decorado: a partir do exterior, duas meias-colunas sustentam um arco decorado com dentículos (digna de nota é a mísula da esquerda, esculpida com motivos vegetais e, ao centro, a cabeça de um homem barbudo, de bigode e de cabelos compridos); a segunda moldura, em meia-coluna sem decoração, assenta numa mísula ornada com motivos vegetais; a terceira moldura, arredondada, é sustentada por pequenas mísulas com águias esculpidas; a última moldura, a mais interior, é decorada com motivos de ramos de videira; notável, se fosse original, a arquitrave: um bloco monolítico de cor branca com dois animais afrontados esculpidos em alto-relevo, com as cabeças voltadas para a cauda, lambendo-se, separados por uma cruz adelgaçada (o alto-relevo é de boa execução, mas a gravação revela-se desprovida de pormenores, plana, ao contrário das decorações vegetais das molduras). A moldura exterior de dentículos do portal prolonga-se horizontalmente ao longo da fachada: para norte até ao contraforte e para sul até à junção com o edifício conventual. O interior apresenta-se muito uniforme até à zona da capela-mor. Não há decorações, exceto nos capitéis dos pilares cruciformes, que são de boa execução. Estes pilares compostos apresentam meias-colunas como suporte dos arcos de divisão entre a nave central e as laterais. A igreja é coberta por abóbadas de aresta. continua >>>
Bruno Balestrini (fotografia), «Abadia de Sant’Elena sull’Esino», Românico menor em Itália, Serra San Quirico, Itália. Arquivo fotográfico Bruno Balestrini, https://brunobalestrini.org/cita/romanico-minore-00018/. Consultado em [data de consulta].